Hermenerico

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Hermenerico, também conhecido pelas variantes Hermanarico e Ermanrico (em gótico Aírmanareiks; morto entre 370 e 376), foi o último rei dos godos unificados, às vésperas das invasões bárbaras do Império Romano. Embora os limites exatos de seu território ainda sejam obscuros, ele parece ter se estendido a partir do sul dos pântanos de Pripet, entre os rios Don e Dniester.

Sabe-se com alguma segurança apenas que os feitos militares de Hermenerico fizeram com que ele fosse temido pelos povos vizinhos, e que cometeu suicídio ao desesperar-se por não poder resistir com sucesso aos hunos, que invadiram seu território a partir de 370. Seu reino foi destruído e seu povo acabou dividindo-se em visigodos e ostrogodos. Os visigodos se mantiveram sob o rei Fritigerno e os ostrogodos sob o rei Vitimiro.

Relatos históricos[editar | editar código-fonte]

Hermenerico é mencionado em pelo menos duas fontes romanas: nos escritos de seu contemporâneo, Amiano Marcelino, e na obra Getica, de autoria do historiador Jordanes, do século VI.

De acordo com Amiano, Hermenerico é "um rei belicosíssimo" que eventualmente cometeu suicídio diante da agressão dos alanos e dos hunos, que haviam invadido o seu território na década de 370. Tudo o que Amiano diz sobre a extensão dos domínios de Hermenerico é que suas terras eram ricas e vastas.[1] [2]

A área em laranja simboliza a cultura de Tcherniakhov, identificada com o reino de Hermenerico, no início do século IV.

De acordo com Jordanes, em sua obra Getica, Hermenrico governou a partir do reino de Oium. Jordanes também afirma que o rei teria condenado à morte a jovem esposa de um rei rival, chamada Sunilda, amarrando-a a dois cavalos selvagens, o que teria provocado a ira de seus irmãos, Sarus e Ammius, que eventualmente feriram gravemente Hermenerico, deixando-o incapaz de defender o seu reino contra as incursões dos hunos.

Folclore germânico[editar | editar código-fonte]

Desde cedo Hermenerico tornou-se o foco da tradição popular dos povos germânicos. Diversas variações da narrativa de Jordanes tiveram um efeito profundo na literatura germânica medieval, de lugares como Inglaterra e Escandinávia.

Seu nome foi grafado de diversas maneiras, nos diversos idiomas e dialetos em que foi mencionado; no gótico era provavelmente Aírmanareiks, mas foi chamado de Ermenrichus no latim de Amiano Marcelino (cujo livro XXXI é a principal fonte histórica de informação sobre a vida do rei), e de Hermanaricus, também em latim, por Jordanes. Os antigos escritores escandinavos o chamaram de Jörmunrekr, em nórdico antigo, e a literatura anglo-saxã, como o épico Beowulf, referem-se a ele como Eormenric em inglês antigo; já os autores alemães o conheciam como Ermenrîch no alemão medieval.

Referências

  1. Kulikowski, Michael (2007), Rome's Gothic Wars, pp. 111,112, ISBN 0251846331
  2. Amiano Marcelino, Res Gestae XXXI 3

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Auerbach, Loren and Simpson, Jacqueline. Sagas of The Norsemen: Viking and German Myth. TIME-LIFE books.
  • Encyclopedia Britannica, verbete Ermanaric
Precedido por:
Achiulfo
Rei dos Godos
350375
Sucedido por:
Fritigerno (Visigodos)
Sucedido por:
Vitimiro (Ostrogodos)