Paidika: The Journal of Paedophilia

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Paidika: The Journal of Paedophilia
Editor Frank Torey, Bill Andriette
Equipe editorial Vern L. Bullough
Frits Bernard
Edward Brongersma
Joel Crawford
John P. DeCecco
Joseph Geraci
D.H. (Donald) Mader
Jan Schuijer
Frequência Trimestral
Editora Stichting Paidika Foundation
Categoria Revista acadêmica
País  Países Baixos
Idioma Inglês
Fundação 1987
Baseada em Amsterdão
Última edição 1995
ISSN 0167-5907

Paidika: The Journal of Paedophilia foi uma revista acadêmica publicada entre 1987 e 1995 nos Países Baixos, dedicada ao estudo da pedofilia, a partir de uma perspectiva positiva e normalizadora. Entre os membros da sua equipa editorial, alguns deles diretamente relacionados com o ativismo pedófilo, havia especialistas como Frits Bernard, Edward Brongersma, Vern L. Bullough e D. H. (Donald) Mader.

História[editar | editar código-fonte]

A idéia de lançar uma revista acadêmica sobre pedofilia foi desenvolvida pelo escritor expatriado estadunidense Joseph Geraci, depois de se mudar para Amsterdam em 1986. Um ano depois, a Stichting Paidika Foundation, creada para esse fim, publicou a primeira edição.

Segundo as informações da revista, Paidika visava "analisar a vasta gama de questões culturais, históricas, psicológicas e literárias relacionadas com o desejo e as relações sexuais entre adultos e crianças", tentando criar uma "história oficial" da pedofilia.[1] Desde o início, Paidika diferenciou-se de outras publicações dedicadas à pedofilia: ela tinha um dessenho profissional e um grande e qualificado conselho editorial que avaliava cientificamente as colaborações da revista.

Portanto, Paidika poderia ser definida melhor como uma revista acadêmica, literária e ativista. Acadêmica, porque as colaborações eram revisadas por alguns dos especialistas mais respeitados no campo da sexologia (Bullough, DeCecco), e literária, porque também publicava poesia e literatura, além de artigos acadêmicos. Além disso, a revista tinha um caráter ativista, como alguns de seus artigos, já que alguns membros do conselho editorial foram abertamente a favor do movimento ativista pedófilo.

Embora ter sido pensada para ser publicada trimestralmente, como a revista International Journal of Greek Love duas décadas atrás, a revista teve que enfrentar muitas dificuldades e sua publicação foi interrompida com freqüência. Finalmente, só apareceu a uma taxa de um ou dois números por ano, para um total de doze edições de 1987 a 1995.

Nos seus doze números, Paidika publicou não menos de trinta artigos de pesquisa acadêmica (sobre história, antropologia, psicologia e outras matérias), poesia, resenhas de livros e crítica de arte e cinema. Um dos aspectos mais interessants e pioneiros da revista foram as suas entrevistas com especialistas destacados no estudo da sexualidade (entre eles Gunter Schmidt, Kenneth Plummer, John Money e Gilbert Herdt).

Reações[editar | editar código-fonte]

Durante os seus nove anos de existência, Paidika sempre foi fiel às orientações de Vern Bullough[2] e publicou muitos artigos acadêmicos amplamente documentados. O estudo de D. H. Mader sobre a pedofilia na Bíblia e o estudo transcultural de Robert Bauserman sobre a pedofilia masculina são os seus trabalhos mais citados. Além disso, tudo o que se sabe sobre a pedofilia de personagens como Karol Szymanowski e Jacques d'Adelswärd-Fersen é devido às investigações de Paidika.

No entanto, apesar do seu valor científico, a revista foi atacada com freqüência e desacreditada como "revista pedófila".[3] O fato de ter um carácter ativista levou muitas pessoas a minimizar a importância das pesquisas publicadas na revista. Bullough e outros foram atacados por fazer parte do seu conselho editorial e a doutora Laura Schlessinger e outros tentaram desacreditar os academistas que tinham publicado artigos nela ou concedido entrevistas para Paidika (como Bruce Rind, Bauserman Robert e Underwager Ralph).[4] [5] Scott O. Lilienfeld observou que a "doutora Laura caiu vítima de uma falácia genética, o erro na avaliação da validade de um argumento, considerando suas origens".[6]

O fato de que Paidika era uma publicação científica notável, e não apenas uma "revista pedófila", é reforçado pelo fato de que instituições de prestígio como a Biblioteca Britânica e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos foram subscritas na revista, e alguns seus artigos foram reproduzidos em livros escolares.

Referências

  1. (em inglês) Geraci, Joseph. Dares to speak: historical and contemporary perspectives on boy-love. Swaffham: Gay Men's Press, 1997
  2. (em inglês) Bullough, Vern L. "Review of Paidika: The Journal of Paedophilia". Journal of Homosexuality, vol. 20, nº 1/2 (1990) pp. 319-320.
  3. (em inglês) Dallam, S. J. "Science or Propaganda? An Examination of Rind, Tromovitch and Bauserman". Journal of Child Sexual Abuse, vol. 9, nº 3/4 (2002), pp. 109-134.
  4. Salter, Anna. Predators: Pedophiles, Rapists, And Other Sex Offenders. Nova Iorque: Basic Books, 2004, p. 64. ISBN 0465071732. (em inglês)
  5. Whitfield, Charles; Silberg, Joyanna; Fink, Paul. Misinformation concerning child sexual abuse and adult survivors. Nova Iorque: Routledge, 2002, p. 124. ISBN 0-7890-1901-9. (em inglês)
  6. (em inglês) Lilienfeld, Scott O. "When Worlds Collide: Social Science, Politics, and the Rind et al. (1998) Child Sexual Abuse Meta-Analysis". American Psychologist, vol. 3, nº 57 (1998), pp. 176-188.

Ver também[editar | editar código-fonte]