Pegu

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Localização do Pegu
O Buda inclinado de Shwethalyaung, de 54 m de comprimento, construido em 994 depois de J. C. pelo rei Migadepa

Pegu, que os Birmaneses escrevem Bago (ပဲခူးတုိင္‌း) desde 1989, é uma cidade da Birmânia e a capital da divisão do mesmo nome. Está situada a 80 quilómetros de Rangum. A sua população é de 220,000 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Pegu foi uma das três capitais dos Môns, com Thaton, situada mais a leste, e Nakhon Pathom, hoje em Tailandia.

Segundo a lenda, foram duas princesas mônes de Thaton que teriam fundado a cidade em 573 da nossa era, depois de preságio favorável: um casal de gansos sagrados bramânicos teriam pousado sobre uma minúscula ilha do golfo de Martabão, tão pequena que a fêmea, teve que pousar sobre as costas do macho.1 Vem desse casal lendário o primeiro nome do Pegu, Hamsawaddy ou Hanthawaddy, o « reino do ganso », e o símbolo do Pegu, uma hamsa (ganso ou cisne fêmea, que monta o deus Brahmâ), e também o selo da divisão de bago, que leva dois gansos sobrepostos.

Desde o século VIII, o Reino de Pegu perdeu toda a sua importância de eras anteriores e acabou sendo incorporado no Reino de Thaton.

Caíu com todos os demais domínios dos Môn do oeste sob dominação da etnia Birmane do Reino de Pagan em 1057. Apesar de uma revolta em 1084, os Môns só readquiriram a indepêndencia depois da queda de Pagan na guerra contra os mongóis em 1287.

Uma dinastia Môn estabeleceu-se, então, na Baixa Birmânia, ao princípio em Martabão, e depois em Pegu. De 1369 à 1539, a capital do Reino Môn de Ramanadesa tinha o nome de Hanthawaddy.

Durante o reinado de Rajadhirat (1383 - 1421), Pegu esteve em guerra contínua com o reino Birmanês de Ava. O reinado da Raínha Baña Thau (em birmanês Shin Saw Bu, 1453-72) foi, porém, em geral, pacífico. Ela escolheu o monge budista Dhammazedi para lhe suceder (1472-92). Com ele, Pegu transformou-se num centro de comércio e do budismo teravada.

A região cai de novo sob dominação birmanesa em 1539, anexada pelo rei Tabinshwehti. Os soberanos da dinastia Taungû fazem de Pegu sua capital, mas perdem-na em 1599, para mais tarde a recuperarem de novo, em 1613, com a queda de Sirião do português Filipe de Brito e Nicote. Utilisam-na, a partir de então, como base para incursões sobre o Sião. A vila é um porto importante, frequentado por muitos europeus, nomeadamente portugueses, mas muito exposta a ataques: os birmaneses transferem, então, de novo, a sua capital para Ava em 1634.

Em 1740, os Môns revoltam-se e conhecem um breve período de independência, mas o rei birmanês Alaungpaya saqueia e destroi completamente e cidade em 1757.

Pegu é reconstruída pelo rei Bodawpaya (1782-1819). Entretanto o rio tinha mudado de lugar, e a cidade encontrava-se cortada do acesso ao mar. Nunca mais recuperaria a sua importância de outros tempos. Depois da Segunda Guerra Anglo-Birmanesa, os ingleses anexariam Pegu, em 1852, e em 1862, criam a "província da Birmânia Britânica" e deslocam a capital para Rangum.

Lugares interessantes[editar | editar código-fonte]

Pagoda Shwemawdaw
  • Buda inclinado de Shwethalyaung
  • Shwemawdaw Paya
  • Kyaikpun Paya
  • Palácio de Kanbawzathadi
  • Maha Kalyani Sima
  • Mahazedi Paya
  • Shwegugale Paya
  • Bago Degree College

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Pegu
  1. Conta-se com humor que vem daí a reputação que têm as mulheres da região de estarem sempre "nas costas" dos maridos — como a dos homens do Pegu de serem mais cavalheirescos que os birmaneses em geral.