Quinto Múcio Cévola

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Quinto Múcio Cévola (em latim Quintus Mucius Scaevola; 140 a.C.82 a.C.), filho de Públio Múcio Cévola (cônsul em 133 a.C.) bem como pontífice máximo, foi um senador e cônsul da República Romana e uma grande autoridade em legislação. Estabeleceu que o estudo do Direito romano era uma disciplina sistemática. Cévola era filho e sobrinho de homens que foram eleitos pontífices máximos e foi eleito como líder religioso de Roma. Segundo Cícero, era o homem mais distinto de Roma, tanto em integridade quanto em intelecto.[1]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Cévola foi eleito tribuno da plebe em 106 a.C., edil em 104 a.C. e cônsul em 95 a.C. Como cônsul, com o seu cunhado Lúcio Licínio Crasso Orator como colega consular redigiu uma lei, a Lei Licínia Múcia, que foi aprovada no Senado e que denegava a cidadania a todos os cidadãos que se tivessem inscrito ilegalmente no censo dos censores Marco Antônio Orator e Valério Flaco e que ademais administrava sérios castigos como confiscação de bens, expulsão do lugar de residência, flagelação etc.

Esta lei foi um dos principais fatores que motivou a Guerra Social (91–88 a.C.).

Cévola obteve o governo proconsular da província da Ásia, e no seu posto lutou duramente contra as taxas de corrupção dos publicanos que cobravam uns impostos exagerados aos habitantes da província romana da Ásia. Cévola publicou um édito que serviu como modelo para muitos governadores em questões de administração e gestão do capital. Cévola foi tão querido pelos habitantes da Ásia que aprovaram um dia de celebração na sua honra.

Quando voltou a Roma obteve o cargo de Pontífice Máximo e desde este posto teve a oportunidade de regular severamente os colégios de sacerdotes e cuidar de que se preservaram adequadamente os ritos e tradições religiosas dos romanos.

Cévola foi o autor de um tratado de direitos civis (Ius civile primus constituit generatim in libros decem et octo redigend) que, recolhido em dez e oito livros, compilava e sistematizava o direito romano. Escreveu um pequeno manual legislativo (Liber Singularis) que continha um glossário sobre termos equívocos; além disso, continha os princípios básicos de legislação civil. Quatro pequenas seções deste último trabalho foram recuperadas por Justiniano I (r. 527–565) no seu Pandetae mas não se conservou nada desta obra. Intentou aplicar ao Ius Civile o método derivado da dialética aristotélica e estoica. Cícero gabou os discursos de Cévola como um exemplo de oratória.

Entre os seus discípulos encontram-se Papírio, Lúcio Balbo e Aquílio Galo, a quem foi atribuída a criação das cláusulas para a instituição de filhos póstumos, bem como Cícero.

Morte[editar | editar código-fonte]

Cévola foi assassinado no transcurso das lutas de poder entre Caio Mário e Lúcio Cornélio Sula. Cévola não quis posicionar-se no bando de Mário apesar de a sua filha Múcia Tércia estar casada com o filho de Mário, Mário, o Jovem.

Seu assassinato ocorreu quando Mário, vendo-se derrotado pelas forças de Sula, decidiu eliminar seus inimigos. Ele fez Brutus, pretor da cidade, convocar o senado por algum pretexto; Públio Astínio e Papírio foram assassinados, conforme ordens de Mário, em suas cadeiras senatoriais, Lúcio Domício fugiu e foi morto na porta, e Cévola foi assassinado um pouco além. Seus corpos foram jogados no Rio Tibre.[2]

Família[editar | editar código-fonte]

Ele era filho de Públio Múcio Cévola.[3]

Cévola casou-se duas vezes, com duas mulheres chamadas Licínia. Divorciou-se da sua primeira mulher, uma das mais proeminentes belezas de Roma, pelo seu adultério com outro cônsul. Teve uma filha, Múcia Tércia, que esteve casada com Pompeu, o Grande e foi a mãe dos seus três filhos. Sua neta Pompeia esteve casada com Fausto Cornélio Sula o mais velho dos filhos de Lúcio Cornélio Sula.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Historia universal siglo XXI.La formación del imperio romano.ISBN 84-323-0168-X

Referências

  1. Cícero, Laelius de amicitia, 1.1. Este diálogo tem como um dos principais protagonistas Quinto Múcio Cévola (áugure), primo de Públio Múcio Cévola.
  2. Apiano, As Guerras Civis, Livro I, 88
  3. Cícero, De Officiis, Livro III, 15.62
Precedido por:
Cneu Domício Enobarbo e Caio Cássio Longino
Cônsul da República Romana
com Lúcio Licínio Crasso Orator

95 a.C.
Sucedido por:
Caio Célio Caldo e Lúcio Domício Enobarbo