Alfabetização digital

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Crianças iniciando seu aprendizado digital.

A alfabetização digital é a iniciação ao uso e à compreensão dos recursos da informática, sendo imprescidível aos programas de inclusão digital.[1]

Através da alfabetização digital a criança ou o adulto toma conhecimento das possibilidades fornecidas pelo mundo cibernético. A alfabetização visa capacitar o indivíduo ao uso de editores de texto, planilhas, navegação e pesquisa na Internet, aprender a encontrar e aplicar o que deseja ou precisa.[2] O termo alfabetização digital tem sido usado para designar um tipo de aprendizado da escrita que envolve signos, gestos e comportamentos necessários para ler e escrever no computador e em outros dispositivos digitais.

Podemos pensar numa alfabetização feita com instrumentos digitais, em ambiente digital e no contexto de letramento digital. Os instrumentos digitais trazem novas formas de produção, transmissão, circulação e divulgação dos escritos. No caso da alfabetização digital, se entrecruzam o uso do instrumento de registro, os usos sociais da escrita, os sistemas de representação (letras, sinais gráficos, ícones, cores, sonoridades, imagens fixas e em movimento) no mesmo suporte – e estas formas interferem mutuamente no gesto de escrever e no pensamento sobre o funcionamento da escrita.

Algumas pesquisas empreendidas por Emília Ferreiro evidenciam que o computador não interfere no conceito de representação da escrita alfabética. No entanto, seu uso influencia o aprendiz em várias questões: na noção de espaçamento e nas decisões sobre a disposição do texto em página; na experimentação de formas, cores e tamanho das letras; na percepção das marcas e correções automáticas de ortografia. Tendo em vista que a multimodalidade é muito potencializada no ambiente digital, a inter-relação entre signos sonoros, verbais e visuais pode exigir maior articulação entre sistemas ideográficos e alfabéticos. Com novos recursos de sonorização é possível que a criança explore as relações de simultaneidade entre o que tecla e/ou fala e o produto escrito que vê. Isso poderá, futuramente, interferir ainda mais no aprendizado do sistema de escrita.

A escrita no computador parece fazer parte de saberes não ensinados na escola, pois vários gestos presentes na cultura digital são aprendidos através de jogos, brinquedos eletrônicos, celulares, operações no comércio e bancos, e outras tecnologias móveis (como ligar, desligar, clicar, tocar em ícones, arrastar, baixar programas). Entretanto, a criança precisa e pode dominar diferentes técnicas relacionadas ao que se chama de usabilidade: aprender a lidar com as ferramentas do sistema para ligar a máquina; compreender o teclado, seus símbolos e a função de cada tecla para além de digitar as letras; operar com a tela, interagir com ícones, localizar programas, manusear o mouse de adulto com suas mãos pequenas (sabendo que ele tem mais de uma função), arrastar, clicar e desenvolver operações cognitivas que permitam memorizar e internalizar tais operações. Essas operações provocam efeitos nos escritos e na tela e, consequentemente, no conhecimento sobre o funcionamento mais técnico do novo instrumento de escrita. Esse tipo de alfabetização digital é um dos componentes do letramento digital, e ambos precisam ser ensinados na escola. Instrumentos como lousas, penas de ganso, lápis, cadernos, folhas, entre outros, provocaram pequenas revoluções nas modalidades de escrita e em seu ensino. A alfabetização contemporânea já está alterada pelo ambiente digital e por essa nova configuração tecnológica e a escola tem uma grande contribuição a dar nesta questão.

Alfabetização Digital: mais que um conceito, uma necessidade

Os números revelam que a inclusão digital acontece, no mundo todo, inclusive no Brasil, de forma mais acelerada que o previsto. A expansão dos cabos de fibra ótica, a ampliação dos serviços de banda larga, os equipamentos móveis como celulares e tablets, a queda no preço dos equipamentos e outros acontecimentos estão fazendo com que até mesmo as pessoas mais humildes tenham acesso aos computadores e a web. As escolas particulares e as redes públicas de ensino, do ensino fundamental a universidade, também foram incorporando as tecnologias ao seu repertório de ações pedagógicas e administrativas. Há um esforço evidente para que as ferramentas se transformem, efetivamente, em meios através dos quais a educação possa ser trabalhada com melhores resultados, com maior qualidade. Ainda assim há lacunas que não foram preenchidas corretamente e que repercutem na sociedade. Há, por exemplo, uma distância clara entre disponibilizar recursos e acesso e realizar uma efetiva e necessária alfabetização digital. Por alfabetização digital entenda-se, de passagem, nos referirmos ao preparo e capacidade de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação de forma plena, ou seja, valendo-se de suas possibilidades múltiplas, em suas diferenciadas plataformas, compondo a partir das ferramentas encontradas para melhorar o desempenho, a ação e a condição de trabalho e realização. Significa, por exemplo, entender como funcionam recursos como planilhas, processadores de texto, apresentações em slides, comunicadores virtuais, redes sociais, ferramentas de edição de vídeos e músicas e tantas outras funcionalidades que estão presentes no universo digital. A compreensão do funcionamento destes recursos é o primeiro passo para que seu uso aconteça e permita ao usuário ir além daquilo que intuitivamente atingiu no contato com estas ferramentas. Por uso próprio muitas são as pessoas que começaram e até hoje utilizam estas tecnologias. Não se pode desprezar e nem tampouco desperdiçar o tempo e o esforço despendidos para que isso acontecesse. Na realidade, os computadores e as redes acabaram se tornando elementos importantes para que as pessoas percebessem o potencial e possibilidade de desenvolvimento por conta própria, em processo de autoaprendizagem, ou seja, capacitando-se individualmente, de forma espontânea, motivados pelo fascínio e elementos de interesse trazidos pelos computadores e pela internet. Ainda assim, compete às escolas, como inclusive está sendo pensado e proposto nos Estados Unidos, a partir da Comissão Federal de Comunicações (Federal Communications Comission), a imprescindível tarefa de preparar alunos de diferentes faixas etárias a usar as tecnologias e incorporá-las a seus estudos, trabalho e vida cotidiana. O que se tem visto é um crescente uso das tecnologias, com crianças e adolescentes utilizando recursos digitais (nos quais se incluem televisores, computadores, celulares e afins) por, em média, de 10 a 12 horas diárias, registrando crescimento de uso de 3 a 4,5 horas por dia em aproximadamente uma década.

Muito tempo tem sido dedicado à navegação sem rumo, sem objetivos claros, desprovida de interesse específico, seja para os estudos ou para o trabalho, por exemplo. Dedica-se muito tempo às redes sociais, ao entretenimento, a comunicação entre pares e, com isso, tem-se a constante e real percepção de tempo perdido, desperdiçado, no qual o usuário poderia aprender algo, realizar, produzir para si mesmo e para a sociedade. Não que outras finalidades, relacionadas mais especificamente ao lazer e a informação não ligada ao estudo ou ao trabalho, sejam fúteis, descartáveis ou desnecessárias. O problema é o dispêndio de energia apenas ou principalmente direcionado a estas ações no mundo virtual. Neste sentido torna-se essencial a compreensão das tecnologias como elementos que nos permitem tanto o entretenimento quanto a produtividade nos estudos e no trabalho. Nos Estados Unidos os estudos da Comissão Federal de Comunicações avaliam propostas de investir até 200 milhões de dólares para que professores e tutores especializados na utilização de softwares, internet e redes sociais, entre outros dispositivos e ferramentas, possam ensinar aos alunos, seus pais e toda a comunidade, como usar de forma correta, produtiva e focada os instrumentos das Tecnologias de Informação e Comunicação. Um dos focos desta iniciativa norte-americana é, inclusive, o de fornecer elementos e conhecimento quanto as tecnologias aos desempregados para que eles se aperfeiçoem e se beneficiem destes saberes ao pleitear novas colocações e, até mesmo, diferentes ocupações no mercado de trabalho. De qualquer modo, é importante atentar para o fato de que no mundo em que vivemos, com recursos sendo disponibilizados para nossa utilização em quantidade e velocidade para que os tenhamos em casa, na escola, no trabalho e mesmo em locais públicos, como repartições governamentais, bancos ou supermercados, precisamos aprender a fazer melhor uso de todos estes mecanismos.

A alfabetização digital é inclusiva, pois permite a quem sabe apenas intuitivamente, por uso, assim como para quem nada conhece, assim como para aqueles que já têm maior saber na área, ingressar de vez no universo virtual. Não pode, no entanto, ser pensada apenas como capacitação tecnológica, vai além disso, pois deve ser pensada e proposta, entendida e realizada como elemento que gera a compreensão do poder das ferramentas e do universo digital, suas consequências e responsabilidades. Saber como utilizar tais tecnologias é apenas o primeiro passo, que deve ensejar, na continuidade desta inclusão digital, a compreensão do porque utilizar, das repercussões de uso, do compromisso que deve estar além do interesse individual, compreendendo também o respeito e o trabalho em prol de interesses coletivos e sociais. Na escola aprendemos a ler, escrever, realizar cálculos, compreender a história, o funcionamento do corpo humano, as dimensões do universo, o pensamento científico e tantos outros saberes, criados e desenvolvidos ao longo de toda a existência de homens e mulheres neste planeta. Estes saberes são fundamentos que nos auxiliam a viver em grupo, compartilhar, trabalhar, construir, pensar, analisar, avaliar e tantas outras ações que nos caracterizam sendo, por isso mesmo, compreendidos tanto o ensino quanto a aprendizagem destes conhecimentos como parte essencial da construção da própria identidade dos seres humanos.

As tecnologias consistem, neste sentido, no atual estágio da evolução da humanidade, quesito adicional de suma importância que precisa ser integrado ao cotidiano para uso, como de fato já está a acontecer, com a incorporação de tantos recursos em tão pouco tempo, quanto principalmente, no que se refere ao entendimento do que tudo isso significa para cada um e para todos.

Aplicação[editar | editar código-fonte]

A eficácia dos programas ou políticas de alfabetização digital depende de uma integração das diversas partes da sociedade: o governo, a iniciativa privada e o setor acadêmico.

A partir do investimento em alfabetização digital podem-se garantir um melhor aprendizado escolar, oportunidades de futuro e emprego para a população e maiores perspectivas para o desenvolvimento da sociedade em geral.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «"Computador Para Todos" exclui iniciativas de alfabetização digital». Folha de S. Paulo. 19 de julho de 2005. Consultado em 14 de setembro de 2008 
  2. «Alfabetização digital». JB Online. 2 de outubro de 2003. Consultado em 14 de setembro de 2008. Arquivado do original em 14 de novembro de 2007 
  3. «Desafio da alfabetização digital, artigo de Michel Levy». Jornal da Ciência. 13 de agosto de 2008. Consultado em 14 de setembro de 2008 [ligação inativa]
 4. ↑ alfabetização digital «http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/alfabetizacao-digital - Consultado em 28 de Setembro 2019 
 5. ↑ alfabetização digital para terceira idade - «https://extra.globo.com/noticias/educacao/nas-pracas-conhecimento/alfabetizacao-digital-para-terceira-idade-informatica-seus-beneficios-13743076.html  - Consultado em 28 de Setembro 2019 
 6. ↑ alfabetização digital: mais que um conceito, uma necessidade - «http://culturafm.cmais.com.br/educacao/titulo-58 - Consultado em 28 de Setembro 2019 
 7. ↑ alfabetização digital - «https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/alfabetizacao/29070 - Consultado em 28 de Setembro 2019
 8. ↑ cultuta digital, inclusão.. «https://www.cenpec.org.br/ - Consultado em 28 de Setembro 2019
 9. ↑ Alfabetização digital se torna missão obrigatória para as escolas- «https://www.revistaeducacao.com.br/escolas-alfabetizacao-digital/ - Consultado em 28 de Setembro 2019 
10. ↑ atigo científico- «http://pat.educacao.ba.gov.br/conteudos/conteudos-digitais/visualizacao/458.pdf#page=15 - Consultado em 28 de Setembro 2019 


Ligações externas[editar | editar código-fonte]