António Lopes dos Santos Valente

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Santos Valente
Nascimento 4 de dezembro de 1839
Sertã, Portugal
Morte 12 de abril de 1896 (56 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Poeta, humanista, filólogo e crítico literário

António Lopes dos Santos Valente (Sertã[1], 4 de Dezembro de 1839 - Lisboa, 12 de Abril de 1896) foi um poeta, humanista, filólogo e crítico literário português.[2][3] Foi o principal autor do Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa,[4] iniciado por Caldas Aulete, e que foi um dos mais importantes dicionários de português do seu tempo (publicado em 1881 e posteriormente diversas vezes re-editado).

Santos Valente estudou Direito na Universidade de Coimbra de 1858 a 1863. Aí conheceu e se tornou amigo de Eça de Queirós e de Antero de Quental.[5]; e também Salomão Saragga, Lobo de Moura, Manuel de Arriaga e Mariano Machado de Faria e Maia.[6]

Depois de terminar os estudos, em 1863, foi nomeado administrador do concelho de Vila de Rei, um cargo que exerceu com singular rectidão e cordura.[7] Volvidos alguns anos, partiu para Lisboa, onde se candidatou a um lugar de amanuense na secretaria da Justiça. Por lá ficou até ao final da vida.

Santos Valente publicou com os pseudónimos Fausto de Monteval, Fausto de Sandoval, Oinat Ploes Sodnats Taelvn e Sténio.[8][9]

Com o seu nome publicou designadamente Primícias (poesia, Coimbra, 1861); Carmina (poesia); Orthographia Portuguesa (com Francisco de Almeida, Lisboa 1886).

Faleceu numa cama de hospital do Hospital de São José, em Lisboa.[10]

D. João da Câmara, que foi seu amigo pessoal, traçou, em poucas linhas, admiravelmente, o seu perfil:

"Vivendo alheado do mundo, alheado vivia em seu trabalho e, se à terra descia, era apenas para fazer o bem que podia, santo como João de Deus, de quem foi um dos maiores amigos. Pequenino, parecia querer esconder-se, e com efeito, na sua modéstia rara ocultava uma erudição vastíssima, tesoiro inesgotável cujas portas francamente abria o todos. Santos Valente desconhecia o egoísmo, o grande vício dos tempos em que vamos, e atravessou a vida, humilde, pobrezinho, generoso na sua pobreza, alegre na sua humildade."[11]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Segundo estudiosos consagrados designadamente Rui Lopes, Santos Valente nasceu na rua que actualmente tem o seu nome (ver [1] )
  2. REMEDIOS, Joaquim Mendes dos (1921), História da Literatura Portuguesa, Lisboa: Lumen.
  3. VIEIRA, Antenor (1967), Nova Enciclopédia da Língua Portuguêsa, Livros do Brasil.
  4. Diccionario contemporaneo da língua Portuguesa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1881, dirigido por Santos Valente e precedido de Plano da autoria de Caldas Aulete.
  5. SIMÕES, João Gaspar (1945), Eça de Queiroz - O Homem e o Artista, Lisboa: Edições Dois Mundos.
  6. SOUTO, José Correia (1984), Dicionário da Literatura Portuguesa.
  7. A Comarca da Sertã, de 30 de Novembro de 1936
  8. ANDRADE, Adriano de Guerra (1999), Dicionário de Pseudónimos e Iniciais de Escritores Portugueses; Lisboa: Biblioteca Nacional.
  9. FONSECA, Martinho Augusto Ferreira da e Teófilo BRAGA (1896), Subsidios para um Diccionario de Pseudonymos, Lisboa: Academia Real das Sciencias.
  10. Gazeta dos Caminhos de Ferro n.º 1633 (1 de Janeiro de 1956), pág. 33.
  11. Gazeta dos Caminhos de Ferro n.º 1633 (1 de Janeiro de 1956), pág. 33.