Antônio dos Santos Penna

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Antônio dos Santos Penna (Rio de Janeiro, 1947) é escritor, radialista e pesquisador da cultura religiosa africana e afro-brasileira, principalmente sobre a diáspora igbomina no Brasil. Atualmente, Obá Aláàiyè Famankinde Otuokô, nome religioso, é o sumo sacerdote de sua família religiosa afro-brasileira, o Axé Obá Igbô Malê igbomina.

Vida religiosa[editar | editar código-fonte]

Antônio Penna de Obatalá (Obá Alaiyê[1], nome religioso que recebeu de seu sacerdote) foi iniciado por Laudelino de Xangô (Losémònjú), sendo consagrado para Obatalá Léjùgbè/Etekó (à época conhecido como Oxalufan), em dezembro de 1961, no Ilê de Xangô Ogodô [2][3] , e ordenado alufá Famankindê anos depois.

Antonio dos Santos Penna, filho de pais católicos por tradição, foi iniciado no ritual de Umbanda aos quatro anos de idade (1951), no Terreiro de Ogum Beira-Mar e Inhansã, que ficava situado na Rua Maria Lucinda, s/nº, São João de Meriti/RJ. A direção desse centro espírita era exercida pela Srª Maria da Glória, conhecida por “Mãezinha”.

Aos quatorze anos (1961), começou a desmaiar constantemente vindo até a desfalecer em sala de aula. Em face do que estava ocorrendo, seu pai o levou-o até a Srª Maria da Glória, que, mediante os acontecimentos, aconselhou sua iniciação. Assim sendo, Antonio dos Santos Penna foi iniciado para Ogum Guerreiro e Inhansã nos ritos do Omolokô (1961).

Três meses após sua saída da camarinha no Omolokô, Antonio acompanhou a Srª Maria da Glória a uma festividade no Ilê de Xangô Ogodô, que ficava situado na antiga Estrada de Minas (esquina com a Rua Maria Lucinda), São João de Meriti/RJ. Esse ilê era dirigido pelo Sr. Laudelino Loxemonju.

Nesse dia, primeiro domingo do mês de novembro, como era de costume, Laudelino realizava o ritual denominado s Águas de Oxalá. Para Antonio tudo era novidade. Era a primeira vez que fora assistir a um Templo de Orixá. Quando da entrada do Sacerdote Laudelino dos Santos ao salão, trazendo em suas mãos um feixe de atori, Antonio bolou para o santo. Tão logo o fato ser esclarecido ao seu pai carnal, esse, após muita relutância em face de ser tolamente contrário ao Candomblé, autorizou o recolhimento do seu filho, que, após uma semana de descanso na Roça, foi recolhido para ser iniciado. No dia 16 de Dezembro de 1961, no Ilê de Sàngó Ogodó, Obatalá gritou seu orukó. Antonio Penna de Obatalá teve como madrinha de orúko a Srª Maura de Oya (Oyasi), filha de santo do Tata ria Nkisi Dewandá (Ndanji Gomeia). Sua ojugbonã foi a Srª Zilda Gomes da Silva de Oya Bagá (Oyasemi), filha de santo do oluô Neres (Àse Boca Rica - Nagô Egbá Xambá).

Em 1969, Obá Alaiyê procurou seu sacerdote, pois queria pedir autorização para recolher sua primeira noviça. Então, o alufá[4] Laudelino de Xangô realizou os preceitos de acordo como aprendera com seu sacerdote Arnaldo Babaribô: fez a apresentação ao culto de Babá Egungun e os preceitos inerentes aos oráculos (merindilogun cauri e o rosário) para Oba Alayiê.

Seu 7º Aniversário de Iniciação Religiosa e Cerimonial do Igbá Axé foram realizados pelo seu Babá Kekerê, o Sr. Jorge de Oliveira de Exu Igbaragbô (Girunté - Aquele que quebra a árvore com os pés), assessorado pelo Sr. Laudelino dos Santos[5]. Os cerimoniais foram realizados diante de vários filhos de santo no dia 16 de Dezembro de 1972, na Tenda Espírita São Jerônimo, que ficava situada na Rua Cel. Carlos de Mattos, 433; Centenário; Duque de Caxias/RJ. Esse terreiro de Umbanda e Omolocô era dirigido pelo seu pai carnal, Sr. Octacílio Penna. Esses rituais foram oficializados nesse terreiro, pois nessa data não mais existia o Ilê de Xangô Ogodô dirigido pelo alufá Laudelino[6].

Com o falecimento de seu sacerdote, em 1988, Antônio Penna de Obatalá deu início a uma busca por mais conhecimentos concernentes a Orunmilá e à descendência da família religiosa. Os estudos levaram-no a tornar-se conferencista, escritor, radialista e pesquisador de sua religião. Por meio de suas pesquisas sobre seus ascendentes religiosos, descobriu que sua rama familiar afro-brasileira pertence à confraria da etnia igbomina, estando a mesma ligada à história dos malês e da família Otuokô, no Brasil. Nesses mais de 50 anos de sacerdócio, iniciou e assessorou mais de 250 pessoas na Religião dos Orixás, no culto aos Antepassados e em Ifá.

Nos dias atuais, Obá Alaiyê Famankindê dirige a igreja "Templo do Senhor do Alvorecer", sede do Axé Obá Igbô Malê Igbomina, sendo o adifá[7] dessa instituição religiosa mussurumim[8][9]. Antonio Penna de Obatalá é referência nos estudos acerca da cultura religiosa igbomina no Brasil.

Família Religiosa Afro-brasileira Malê Igbomina[editar | editar código-fonte]

Iniciados por Obá Alaiye Famankindê Otuokô[editar | editar código-fonte]

  • Ìyábamònãòsi
  • Iyataosá
  • Tag'waniré
  • Obanífúnmil'ayo Famudá Otuokô (Bàbáalààse Àse Oba Ìgbó)
  • Odéfaéranlaurê  (Ìyáalààse)
  • Lùemindel'ola
  • Sobanirè
  • Olùonádé
  • Tayonile
  • Yiáomitunji
  • Akinwajujare
  • Àrógúndaré
  • Obadéhinkè
  • Obanãromi
  • Igifonibô
  • Omiládé
  • Odèsure
  • Ogunbami
  • Ogunkemi
  • Obafenwa
  • Obadunke
  • Oyalagun

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Com o intuito de conquistar respeito público, reconhecimento às suas convicções religiosas, e de auxiliar o ensino e estudo da literatura afro-brasileira, entre os anos de 2001 e 2010, o adifá Famankindê Otuokô (Antônio Penna de Obatalá) escreveu e editou independentemente quatro livros voltados para a Tradições Africana e Afro-brasileira Igbomina (ensinamentos de Orunmilá), que refletem seus anos de sacerdócio ativo, dos ensinamentos passados por seus ascendentes igbominas, de pesquisa e de luta contra intolerância religiosa. São estas as obras:

  • Os Dezesseis Búzios - Mérìndilogun Kawrí.
  • Èjìonile e suas combinações - Èjì Ogbè Áwon Àmúlù.
  • Èjì Ologbon e suas combinações - Òyèkú Àwon Àmúlù.
  • Èjìla Sebora e suas combinações - Ìwòrì Àwon Àmúlù.
  • Prelo: As narrativas de Ifá - O livro sagrado.

Participação em eventos e outras atividades[editar | editar código-fonte]

  • 1986 - Em 26 de fevereiro, assume interinamente a direção do Axé Obá Igbô a pedido do seu sacerdote.
  • 1986 - Fundador, diretor e presidente da Associação Espírita e Cultural Ilú Àiyé Òrìsà-nlá.
  • 1988 - Torna-se o sacerdote-mor (aboré-nlá) do Axé Obá Igbô.
  • 1995 - Palestrante 1º Congresso Regional de Culto aos Orixás - Ribeirão Preto/SP. Realização do Centro de Estudos e Pesquisas da Cultura Yorùbá Orùnmìlà.
  • 2000 - A Razão Social do Axé Obá Igbô passou a ser TEMPLO DO SENHOR DO ALVORECER (Igreja dedicada a Obatalá).
  • 2010 - Projeto “Contribuições dos Afro-brasileiros na formação de nossa sociedade“. Escola Técnica Estadual João Luiz do Nascimento (Nova Iguaçu/RJ). Palestra: Metodologia Oracular: Teologia da Religião Iorubá.
  • 3º Encontro para o Reconhecimento da Cultura Afro Brasileira (palestrante). Centro de Formação Afro Cultural São Paulo/SP.
  • 2010 - Cultura Yoruba Igbomina. Congressista. Exposição REVOLTA DOS MALÊS 1835 A 2010 = 175 ANOS. Ciclo Cultural: O LEVANTE DOS MALÊS. Cultura, Identidade e Resistência Sudanesa no Brasil. Local: Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Cinelândia.[11]
  • V Prêmio Mama África - 2010. Laureado na Categoria Pesquisador da Tradição Africana/Religiosa.

Referências

  1. PENNA. 2001, p9.
  2. Antiga Estrada de Minas - esquina com a Rua Maria Lucinda - São João de Meriti/RJ.
  3. "Sete Flechas, um caboclo de Penna" (documentário)
  4. Laudelino foi ordenado alufá malê por Arnaldo Babaribô.
  5. Laudelino estava impossibilitado de realizar o ritual em questão por determinação de Ogodô.
  6. Sete Flechas, um caboclo de Penna (documentário)
  7. Sumo sacerdote do culto a Ifá, aos Antepassados e a Obatalá no Axé Obá Igbô Malê Igbomina.
  8. PENNA. 2003, p 9.
  9. FERRO. 2006.
  10. PENNA. 2008, pp.17, 18.
  11. O levante dos malês

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERRO, Julio Cezar. Religião Natural Africana - Culto e Rituais - Yorùbá-Ànàgo. Rio Grande do Sul, 2006.
  • PENNA, Antonio dos Santos. Mérìndilogun Kawrí - Os Dezesseis Búzios. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2001.
  • PENNA, Antonio dos Santos. Mérìndilogun Kawrí - Os Dezesseis Búzios. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2008.
  • PENNA, Antonio dos Santos. Èjì Ogbè Áwon Àmúlù - Èjìonile e suas combinações. Rio de Janeiro: A. Santos Penna, 2003.
  • PENNA, Fábio Rodrigo. Um confraria dos igbominas no Brasil. Rio de Janeiro. F. R. Penna, 2011. Base textual para este artigo.
  • PENNA, Fábio Rodrigo. Mestre Tamoda e Ngunga: uma lição passional e fraternal de resistência In: III Encontro de professores de Literaturas Africanas - PENSANDO ÁFRICA, 2007, Rio de Janeiro. PENSANDO ÁFRICA - III ENCONTRO DE PROFESSORES DE LITERATURAS AFRICANAS. Rio de Janeiro : BN-UFRJ-UFF / Léo Chistiano Editorial, 2007. v. Único. p. CD-CD.
  • REYSS, Aleksander. “A eficácia da palavra como forma de aprendizado“. In: Programa diversidade na escola: Escola de todas as cores. Diadema/SP: Secretaria Municipal de Educação/Gráfica PMD, 2008.

Ver também[editar | editar código-fonte]