Arronches Junqueiro

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António Casimiro Arronches Junqueiro (Setúbal, 13 de janeiro de 1868 - 28 de setembro de 1940) foi um jornalista, poeta, autor teatral, arqueólogo e zoólogo.

O naturalista[editar | editar código-fonte]

Desde jovem que Arronches Junqueiro se dedicou ao estudo da fauna e flora da região em que vivia.

Fruto desse trabalho científico constitui, na sua residência da Quinta da Lage, nos arredores de Setúbal[1], um verdadeiro museu, integrando, designadamente, um herbário, uma coleção geológica e uma coleção zoológica.

Em 1921, doou as suas coleções de história natural e arqueológica ao Liceu Bocage[2][3]

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Arronches Junqueiro colaborou ativamente nas investigações arqueológicas na cidade de Setúbal e nos seus arredores.

A sua coleção arqueológica, que doou ao Município, foi integrada no Museu de Setúbal/Convento de Jesus quando da sua criação em 1961[4][3].

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Na linha de homens como Leite de Vasconcelos, seu contemporâneo, Arronches Junqueiro estou os usos e costumes locais com especial incidência nas superstições, tendo publicado alguns artigos e uma obra sobre esta temática[5].

O bibliotecário[editar | editar código-fonte]

Admitido na Biblioteca Municipal de Setúbal, em 1916, como bibliotecário efetivo, Arronches Junqueiro dirigiu-a até à aposentação por limite de idade, em 1928.

Em 1921 legou à biblioteca os manuscritos da sua obra literária e os seus livros de estudo[6].

Opiniões[editar | editar código-fonte]

Fran Paxeco considerou Arronches Junqueiro «uma das mais maleáveis e vigorosas inteligências do nosso tempo» [7].

Toponímia[editar | editar código-fonte]

O seu nome foi atribuído à rua em que nasceu, em Setúbal.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Júlia: peça em 4 actos. Setúbal: 1894.
  • Flores d'Alma. Setúbal, 1894.
  • À sorte: comédia em 2 atos. Setúbal: 1895.
  • Últimos dias de Pompeia: drama em 4 atos em verso. Setúbal: 1895.
  • Urzes. Lisboa: M. Gomes Ed., 1896.
  • O asceta: poesia. Setúbal: 1896.
  • A barcarola: romance em 4 actos. Lisboa: Manoel Gomes, 1897.
  • «Setúbal: Crenças, superstições e usos tradicionais: lobisomens e bruxas I», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 2, Vol. 2 (Fev. 1900), p. 21-22.
  • «Setúbal: crenças, superstições e usos tradicionais II: sonhos e agouros», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 4, vol. 2 (Abr. 1900), p. 54-56.
  • «Setúbal: crenças, superstições e usos tradicionais III: amuletos», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 8, vol. 2 (Ago. 1900), p. 124-125.
  • «Questionário sobre as crenças relativas aos animais: respostas II», in A Tradição: Serpa, ano 2, n.º 11, vol. 2 (Nov. 1900), p. 175.
  • Superstições e usos tradicionais em Setubal. Setúbal: Tipografia Mascarenhas, 1906.
  • Teatro infantil. Setúbal: 1907.
  • Ligeira nuvem: episódio infantil em verso. Setúbal: Tipografia Mascarenhas, 1908.
  • Laura: poema em cinco cantos. Setúbal: 1914.
  • Tumulares: sonetos. Setúbal: [1914].
  • Abelha e malmequer: diálogo infantil em verso. Setúbal: Typ. Mascarenhas, 1916. 8 p.
  • Paz!. Setúbal: 1918.
  • Autos do Natal: estudos setubalenses. Setúbal: 1920.
  • Pedaços d'alma. Setúbal: 1920.
  • Poesias, sonetos, a-propósitos. [1920?].
  • Campos da minha terra: poemeto. Setúbal: 1920. [8]
  • Do estaleiro. [Setúbal, 1930].
  • Setúbal no meado século XIX: através das minhas recordações. Setúbal: 1936[9].

Algumas notas arqueológicas publicadas no O Arqueólogo Português[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • A fonte utilizada para inventariar as suas obras foi o catálogo online da Biblioteca Municipal de Setúbal.
  • Entre as fontes utilizadas para a biografia destaca-se:
    • CÂNDIDO, Maria João; NETO, José Luís. «A arqueologia no Museu de Setúbal/Convento de Jesus» in Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2008-2009, I Série, Volume VII-VIII, pp. 115-125.
    • CLARO, Rogério Peres. Um Século de Ensino Técnico Profissional em Setúbal: Da Escola de Desenho Industrial Princesa D. Amélia à Escola Seundária Sebastião da Gama: 1888-1988. Setúbal : Câmara Municipal de Setúbal, 2000, pgs. 372-373. ISBN 972-9016-34-8
    • GONÇALVES, Vítor dos Santos. «Arronches Junqueiro e Tróia de Setúbal» in Arquivo de Beja, S. 1, vol. 22 (1963-64),pg. 167-184.
    • MOURO, Carlos. «Arronches Junqueiro (1868-1940): A propósito do 140.º centenário de nascimento, in O Setubalense, 25 de março de 2008, pg. 4.
    • SEROMENHO, Luzia Ruivo. «Arronches Junqueiro, o Poeta Arqueólogo»», in Subsídios para o Estudo da História Local, vol. II, anos 2002 e 2003. Setúbal : Câmara Municipal de Setúbal, 2006, pp. 17-70. Contém bibliografia e ilustrações. ISBN 972-9016-36-4

Referências

  1. Na Estrada das Machadas, ao fundo da azinhaga de Santo António, no caminho para o antigo Convento de São Paulo.
  2. Hoje Escola Secundária de Bocage.
  3. a b CÂNDIDO, Maria João; NETO, José Luís. «A arqueologia no Museu de Setúbal/Convento de Jesus» in Revista da Faculdade de Letras: Ciências e Técnicas do Património, Porto, 2008-2009, I Série, Volume VII-VIII, pp. 115-125.
  4. História da Ciência.
  5. Cf. Obras.
  6. Cf. MARTINS, Idília das Mercês Sousa. «A Biblioteca Municipal: Um pouco da sua história», in QUINTAS, Maria da Conceição (coord.). Monografia da Freguesia de S. Julião. Setúbal: Junta de Freguesia de S. Julião, 1993, pp. 197-205.
  7. PAXECO, Fran. Setúbal e as Suas Celebridades. Lisboa: Sociedade Nacional de Tipografia, 1930, pg. 237.
  8. O original manuscrito encontra-se na Biblioteca Municipal de Setúbal.
  9. Manuscrito existente na Biblioteca Municipal de Setúbal.