Dinastia ásquia

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A dinastia ásquia[1] (aski(y)a) governou o Império Songai durante o apogeu desse Estado. Foi fundada em 1493 por Ásquia Maomé I, um general songai que usurpou o trono da dinastia suni. A dinastia ásquia governou de Gao sobre o vasto Império Songai até sua derrota em batalha contra uma força invasora marroquina em 1591 na Batalha de Tondibi. Após a derrota, a dinastia mudou-se para sul rumo a sua terra natal na região de Dendi, no moderno Níger. Lá, estabeleceu o Reino de Dendi e governou até o começo do século XX.

Antecedentes históricos[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Suni Ali em 1492, um de seus filhos, Suni Baru, tornou-se governante do Império Songai. Ele foi imediatamente confrontada pela liderança por Maomé (filho de Abi Baquir) que havia sido um dos comandantes militares de Suni Ali. Em 1493, Maomé derrotou Suni Baru em batalha e com isso extinguiu a dinastia suni.[2] Maomé adotou o título de ásquia (aski(y)a). A origem da palavra é desconhecida.[3] O História do Sudão fornece uma "etimologia popular" e explica que a palavra deriva da expressão songai significando "ele não deve ser isso" utilizada pelas irmãs de Suni Ali.[4] O Tarikh al-fattash, em contraste, menciona que o título foi usado anteriormente.[5] O uso mais antigo do título e apoiado pela descoberta de estelas com o título ásquia datando do século XIII num cemitério de Gao.[6]

Um sistema patrilinear de sucessão foi utilizado no qual o poder passou para os irmãos antes de passar para a próxima geração. Alguns dos governantes ásquia tinham grande número de filhos, o que criou grande competição e às vezes fratricídios. Margin nota que em manuscrito da História do Sudão há indícios que Ásquia Maomé I teve 471 filhos, enquanto Ásquia Daud teve 333.[7] O Tarikh al-fattash afirma que Ásquia Daud teve "ao menos 61 filhos", dos quais mais de 30 morreram como infantes.[8]

À época da invasão marroquina de 1591, o império era governado por Ásquia Ixaque II. Após sua derrota, Ásquia Ixaque II foi deposto por seu irmão, Ásquia Maomé Gao.[9] O líder militar marroquino, Paxá Mamude, montou uma armadilha e deu ordens para que ele fosse morto.[10] Solimão, outro irmão de Ásquia Ixaque II, então concordou em cooperar com o exército marroquino e foi nomeado como ásquia marionete em Tombuctu.[11] Ainda outro irmão, Nu, tornou-se ásquia em Dendi, uma região ao sul da cidade cidade de Sai em Níger. De Dendi, Ásquia Nu organizou uma campanha de resistência contra as forças marroquinas.

Fontes[editar | editar código-fonte]

As crônicas de Tombuctu do século XVII, a História do Sudão e a Tarikh al-Fattash, fornecem datas dos reinados dos ásquias do tempo da usurpação de Ásquia Maomé até a conquista marroquina de 1591. O Tarikh al-Fattash termina em 1599, enquanto a História do Sudão fornece informação dos ásquias em Tombuctu até 1656. a tradução parcial de John Hunwick da História do Sudão termina em 1613. Hunwick inclui uma genealogia da dinastia ásquia após esta data.[12] as seções finais da História do Sudão estão disponíveis numa tradução em francês feita por Octave Houdas que foi publicada em 1898-1900.[13] A informação da dinastia após 1656 é fornecida pelo Tadhkirat al-Nisyan,[14] um dicionário biográfico anônimo dos governantes marroquinos de Tombuctu escrito cerca de 1750. Suas entradas mais antigas são cópias diretas da História do Sudão. O Tadhkirat al-Nisyan também fornece informação sobre a colaboração dos governantes ásquias situados em Tombuctu. Elias Saad publicou uma genealogia da dinastia ásquia.[15]

Após a conquistas de territórios da África Ocidental no fim do século XIX, o governo francês comissionou Jean Tilho para realizar uma inspeção do povo nos territórios ocupados. Na região de Denci, os governantes das pequenas cidades de Carimama, Mandécali e Gaia alegaram descender da dinastia ásquia de Gao. Estas cidades estão próximas da fronteira moderna entre o Níger e Benim. O relatório publicado fornece uma genealogia mas não indica como a informação foi obtida nem se pode ser considerada fiável.[16] À época de Ásquia Fodi Mairumfa (r. 1798–1805), o Reino de Dendi dividiu-se em três reinos separados com capitais nestas cidades.

Ramos[editar | editar código-fonte]

Império Songai[editar | editar código-fonte]

Os nomes e datas dos reinados listados são aquelas fornecidas na tradução da História do Sudão do árabe para o inglês por John Hunwick.[17]

Conquista marroquina: 1591

Tombuctu[editar | editar código-fonte]

Estes são os governantes ásquias nomeados pelos marroquinos. As datas são baseadas no Tadhkirat al-Nisyan.[19] A escrita segue em geral aquela utilizada por Elias Saad.[15]

  • Ásquia Solimão, filho de Daud (r. 1592–1604);
  • Ásquia Harune, filho de al-Haje (r. 1604–1608);
  • Ásquia Baquir Cambu, filho de Iacube (r. 1608–1619);[a]
  • Ásquia al-Haje, filho de Cixa (Kisha) (r. 1619–1621);
  • Ásquia Maomé Bancanu, filho de Maomé al-Sadique (r. 1621–1635);
  • Ásquia Ali Zalil, filho de Cixa (r. 1635);
  • Ásquia Maomé Bancanu, filho de Maomé al-Sadique (r. 1635–1642);
  • Ásquia al-Haje, filho de Maomé Bancanu (r. 1642–1657);
  • Ásquia Daud, filho de Harune (r. 1657–1668);
  • Ásquia Maomé al-Sadique, filho de al-Haje (r. 1668–1684);
  • Ásquia Maomé, filho de al-Haje (r. 1684–1702);
  • Ásquia Abdal Ramane, filho de Omar (r. 1705–1709);
  • Ásquia Baquir, filho de Maomé al-Sadique (r. 1709–1718);
  • Ásquia al-Muctar, filho de Xams (r. 1718–1724);[b]
  • Ásquia al-Haje, filho de Baquir (r. 1730–1748);
  • Ásquia Mamude, filho de Amar (r. 1748–?);

Reino de Dendi[editar | editar código-fonte]

A História do Sudão inclui uma lista de governantes ásquia de Dendi.[20] Eles foram descendentes de Ásquia Daud que havia governado em Gao entre 1549 e 1582. A lista dos ásquias não fornece datas, mas em alguns casos ela especifica o tamanho dos reinados. Muitos dos ásquias centrados em Dendi não são mencionados em outro lugar além da História do Sudão, mas para aqueles que são é por vezes possível datar seus reinados. Geralmente houve disputas pela sucessão e alguns dos reinados foram muito curtos. em 1639, Paxá Mesaud saqueou a cidade de Lulami em Dendi, onde Ásquia Ismail estava residindo.[21] A localização de Lulami é desconhecida e a crônica não especifica se Lulami era uma capital permanente. O Tadhkirat al-Nisyan não menciona Dendi ou seus governantes.

  • Ásquia Maomé Gao, filho de Daud (r. 1592)
  • Ásquia Nu I, filho de Daud: (r. c. 1592–1599);[c]
  • Ásquia al-Mustafá, filho de Daud;
  • Ásquia Maomé Sorco-ije, filho de Daud;
  • Ásquia Harune Dancataia (Dankataya), filho de Daud;
  • Ásquia Alamim, filho de Daud: (r. 1611–1618);[d]
  • Ásquia Daud II, filho de Maomé Bano: (r. 1618–1639);[e]
  • Ásquia Ismail, filho de Maomé Bano: (r. c. 1639);
  • Ásquia Maomé, filho de Anasa: (r. 1639);
  • Ásquia Daud III, filho de Maomé Sorco-ije: (r. 1639–?);
  • Ásquia Maomé Borgo, filho de Harune Dancataia;
  • Ásquia Mar-Chindim, filho de Fari-Mondzo Amade;
  • Ásquia Nu II, filho de al-Mustafá;
  • Ásquia Maomé al-Borco, filho de Daud II;
  • Ásquia al-Haje, filho de Daud II;
  • Ásquia Ismail, filho de Maomé Sorco-ije;
  • Ásquia Daud III, filho de Maomé Sorco-ije: no poder ca. 1655 quando a História do Sudão foi escrita;

O relatório de Tilho inclui uma lista de governantes de Gao e então de Gaia na região de Dendi.[16] Os nomes mais antigos não coincidem com aqueles da lista anterior.

  • Ásquia Maamaru (Maammarou), filho de Cassei (Kasseï): governante lendário da dinastia (centrado em Gao);
  • Ásquia Dauda, filho de Maamaru (centrado em Gao);
  • Ásquia Carbachi (Karbachi) Binta, filho de Dauda (centrado em Gao);
  • Ásquia Morobani, filho de Dauda (centrado em Gao);
  • Ásquia al-Haje Hanga, filho de Ismaila, filho de Morobani: (r. ?–1761) (veio de Gao para Dendi);
  • Ásquia Sansu-Béri (Samsu-Béri), filho de al-Haje Hanga: (r. 1761–1779);
  • Ásquia Hargani, filho de al-Haje Hanga: (r. 1779–1793);
  • Ásquia Sansu Ceina (Keïna), filho de Morobani: (r. 1793–1798);
  • Ásquia Fodi Mairunfa (Maÿroumfa), filho de Sansu-Béri: (r. 1798–1805);
  • Ásquia Tomo, filho de Sansu-Béri: (r. 1805–1823);
  • Ásquia Bassaru Missi Izé, filho de Sansu-Béri: (r. 1823–1842);
  • Ásquia Bumi a.k.a. Ásquia Codama Comi (Kodama Komi), filho de Sansu-Béri: (r. 1842–1845);
  • Ásquia Coizé (Koïzé) Baba, filho de Tomo: (r. 1845–1864);
  • Ásquia Coizé Baba Baqui (Baki), filho de Fodi Mairunfa: (r. 1864–1865);
  • Ásquia Uancoi (Ouankoÿ), filho de Tomo: (r. 1865–1868);
  • Ásquia Bio (Biyo) Birma, filho de Tomo: (r. 1868–1882);
  • Ásquia Doauda,filho de Bassaru: (r. 1882–1887);
  • Ásquia Mala, filho de Tomo: (r. 1887–1901);
  • Ásquia Igumu, filho de Bassaru: (r. 1901–1905);

Conquista francesa: 1901

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Ano do falecimento fornecido pela História do Sudão.[22]
[b] ^ Ásquia al-Muctar morreu em 1724, dando um intervalo de 6 anos antes da nomeação de seu sucessor.[23]
[c] ^ A História do Sudão afirma que Ásquia Nu governou por 7 anos.
[d] ^ A História do Sudão afirma que Alamim reinou por 7 anos. A data de 1618 para a morte de Alamim e a sucessão de Ásquia Daud II é mencionada na História de Sudão.[24]
[e] ^ A História do Sudão afirma que Daud II governou por 22 anos.

Referências

  1. Silva 2014, p. 32
  2. Hunwick 2003, p. 100-102
  3. Hunwick 2003, p. 335
  4. Hunwick 2003, p. 103
  5. Kâti 1913, p. 88
  6. Moraes Farias 2003, p. l
  7. Hunwick 2003, p. 184 n. 68
  8. Kâti 1913, p. 215
  9. Hunwick 2003, p. 198
  10. Hunwick 2003, p. 201
  11. Hunwick 2003, p. 203
  12. Hunwick 2003, p. 364
  13. al-Sadi 1898-1900
  14. Houdas 1901
  15. a b Saad 1983, p. 253 apêndice 18
  16. a b Tilho 1911, p. 505-510 Volume 2
  17. Hunwick 2003, p. 336-337
  18. Kâti 1913, p. 217
  19. Houdas 1901, p. 289-297
  20. al-Sadi 1898-1900, p. 470-473
  21. al-Sadi 1898-1900, p. 400
  22. al-Sadi 1898-1900, p. 342
  23. Houdas 1901, p. 85
  24. al-Sadi 1898-1900, p. 341

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • al-Sadi, Abde Ramane (1898-1900). Houdas, Octave, : . Tarikh es-Soudan (Paris: E. Leroux). 
  • Houdas, Octave (1901). Tedzkiret en-nisiān fi Akhbar molouk es-Soudān (Paris: E. Laroux). 
  • Hunwick, John O.; O'Fahey, R. Rex S. (2003). Arabic Literature of Africa, Volume 4: The Writings of Western Sudanic Africa (Leida e Nova Iorque: BRILL). ISBN 9004124446. 
  • Kâti, Mahmoûd Kâti ben el-Hâdj el-Motaouakkel (1913). Houdas, O., Delafosse, : . Tarikh el-fettach ou Chronique du chercheur, pour servir à l'histoire des villes, des armées et des principaux personnages du Tekrour (Paris: Ernest Leroux). 
  • Moraes Farias, P.F. de (2003). Arabic medieval inscriptions from the Republic of Mali: Epigraphy, chronicles and Songhay-Tuareg history (Oxford: Oxford University Press). ISBN 0-19-726222-8. 
  • Saad, Elias N. (1983). Social History of Timbuktu: The Role of Muslim Scholars and Notables 1400–1900 (Cambridge: Cambridge University Press). ISBN 0-521-24603-2. 
  • Silva, Alberto da Costa (2014b). A Manilha e o Libambo - A África e a Escravidão, de 1500 a 1700 (Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira Participações S.A.). ISBN 978-85-209-3949-9. 
  • Tilho, J. (1911). Documents Scientifiques de la Mission Tilho (1906-1909) (3 volumes) (Paris: Imprenta Nacional).