Associação Paulista de Esportes Atléticos

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A Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA, originalmente Associação Paulista de Sports Athleticos) foi uma entidade de futebol de São Paulo. Fundada em 1913 como dissidência da então Liga Paulista de Foot-Ball, a APEA organizou edições do Campeonato Paulista de Futebol entre 1913 e 1936.

História[editar | editar código-fonte]

A Cisão no Futebol Paulista e a APSA[editar | editar código-fonte]

O Campeonato Paulista era organizado desde sua primeira edição em 1902 pela Liga Paulista de Foot-Ball. Porém, quando surgiu, esse campeonato era extremamente elitizado entre seus participantes, mas logo o esporte caiu nas graças do povo mais humilde , que, com o tempo, já não se contentava em apenas assistir ao campeonato: queria disputá-lo. Ao fim da primeira década, um time composto por trabalhadores ingressa no Paulistão: o Clube Atlético Ypiranga. Outros surgem e querem participar. Clubes tradicionais como o Paulistano são contrários a essa abertura. Outros apoiam, surgindo uma dissidência entre os participantes da Liga.

Por fim, o estopim para o rompimento é a questão do campo para a disputa dos jogos: uma disputa entre a vontade da organizadora LPF, que prefere ao Parque Antártica, campo do Sport Club Germânia, e a vontade do Paulistano, maior força da Liga, que prefere ao Velódromo de São Paulo como campo do Paulistão. A LPF se mantem irredutível em sua escolha. o Paulistano não a acata e sai da Liga vigente, indo fundar sua própria liga para organizar um campeonato sob seus interesses.

Surge a Associação Paulista de Sports Athléticos, ou APSA, organizando um Paulistão paralelo e concorrente ao da LPF, a partir de 1913.

Fundada pelo Paulistano e pela A.A. Palmeiras, seu primeiro campeonato é disputado por apenas três equipes: os fundadores e o Mackenzie. Porém, ano a ano, a entidade vai crescendo, ganhando forças e em 1917 se torna a única representante do futebol bandeirante. Curiosamente perdeu as duas causas que defendia: clubes populares como o Ypiranga, o Corinthians e o Palestra Itália acabam admitidos e o sonho do "Torneio de Nobres" acaba; enquanto que o Velódromo é simplesmente demolido pela prefeitura.

Profissionalismo: apogeu e queda da APEA[editar | editar código-fonte]

Entre 1917 e 1925 a entidade se consolida e o futebol começa a adquirir suas características atuais: É a APEA quem consegue reunir o primeiro Trio de Ferro do Futebol Paulista: Paulistano, Corinthians e Palestra Itália. Em seus torneios tem início a participação regular do Santos Futebol Clube, da Associação Portuguesa de Desportos e do Guarani Futebol Clube, clubes tradicionais da Primeira Divisão Paulista.

Em meados da década de 1920 inicia-se o debate sobre a profissionalização do esporte. Na verdade, desde a primeira década de disputa já havia jogadores que recebiam de forma ilegal por terem jogado, uma vez que o futebol, era amador. Mas só nessa época surge uma discussão motivada por uma situação hipócrita e insustentável: quase todos, senão todos os jogadores recebiam dinheiro em troca, mas ninguém oficializava isso. porém a profissionalização era situação irremediável, evolução natural do esporte.

A APEA,seguindo o interesse da maioria de seus membros, tende favoravelmente à profissionalização o que leva o Paulistano, ferrenho defensor do amadorismo e da elitização, uma vez mais a romper com uma entidade e fundar outra, nascendo assim a Liga dos Amadores de Futebol em 1926. Essas ligas organizam campeonatos paralelos entre 1926 e 1929, quando a LAF perde a disputa em que defendeu uma utopia inviável e um retrocesso. O profissionalismo não é questão de escolha: é questão de tempo.

A APEA, que ainda não organizara um torneio oficialmente profissional, apenas apoiara os times favoráveis a isso, volta a ter a hegemonia a partir de 1930 vindo inclusive a organizar o Primeiro campeonato profissional de futebol da história do país: o Paulistão de 1933.

Porém, o mesmo apoio ao profissionalismo que lhe deu a vitória em 1929, levou à sua derrocada. A Confederação Brasileira de Desportos, contrária à profissionalização dos clubes fez um lobby muito grande entre os grandes clubes paulistas e cariocas, conquistando o apoio de Palestra Itália e Corinthians, que, atendendo à vontade da CBD abandonaram a APEA e seu torneio. A APEA organizou dois Paulistões sem seus dois gigantes, em 1935 e 1936, enquanto eles disputavam um Paulistão paralelo organizado por outra liga, apoiada pela CBD. A APEA não resistiu e fechou, sendo sucedida pela concorrente Liga de Futebol do Estado de São Paulo. Curiosamente, sua bandeira, o profissionalismo, não pode ser revertido nessa nova liga, mantendo-se em vigor pelos clubes.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Liga Esportiva Universitária Paulista