Aureliano Lima

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Aureliano Lima
Manuel Pereira da Silva, Busto de Aureliano Lima, 1950
Nascimento 23 de setembro de 1916
Carregal do Sal
Morte 15 de dezembro de 1984 (68 anos)
Nacionalidade Portugal portuguesa
Área Escultura
Construção, c. 1960, ferro metalizado

Aureliano Lima (Carregal do Sal, 23 de Setembro de 1916 — 15 de Dezembro de 1984) foi um escultor, desenhador, medalhista e poeta português. Pertence à terceira geração de artistas modernistas portugueses.[1]

Biografia / Obra[editar | editar código-fonte]

Autodidata, antes de se dedicar às artes plásticas exerce diversas profissões. Em 1939 estabelece-se na cidade de Coimbra. Nos anos que se seguem escreve, reune-se em tertúlias, colabora em jornais e inicia a atividade artística. Em 1948 participa na Exposição de Artistas de Coimbra e na III Exposição Geral de Artes Plásticas (Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa).[2]

Em 1958, vai para o Porto e pouco tempo depois para Vila Nova de Gaia, onde chegou a trabalhar no atelier do escultor Manuel Pereira da Silva, entrando em definitivo para os meios artísticos e culturais e abrindo-se a novas experiências, a novas criações e actividades.

Participa na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, 1961. Nessa época a sua obra escultórica sofre uma importante reformulação: "Nas novas experiências não figurativas percebe-se uma dupla tensão, traduzida no diálogo entre forma cheia e forma oca, entre a linha [...] e os volumes aliviados do seu carácter sólido ou tridimensional, em obras de feição biomórfica ou antropomórfica".[2]

Aureliano Lima abandona as massas compactas, preferindo a "irrupção expressiva da forma vertical no espaço, a interacção daquela com este último, deixando-o penetrar na matéria, ora sublimada na cor, ora reforçada na sua presença crua (através de texturas, contrastes, marcas de fabricação...). Mais tarde, a tensão parece pender para um entendimento da escultura como jogo de formas geométricas elementares". Também aqui, desde as décadas de 1960 e 70, o seu trabalho traduz-se no modo inovador com que trabalha a linguagem contemporânea do ferro pintado e do plástico. "A escultura reduz-se então a um sinal abstrato, que interrompe a continuidade do espaço físico [...]. Nestas obras, o contraste entre cheio e vazio, a redução da escultura a uma estrutura rigorosa de planos, rectas e círculos pintados de cor uniforme, aproxima-se de uma interrogação acerca do valor sinalético e óptico da escultura, muito rara em Portugal".[2]

Importante no contexto da arte portuguesa das dácadas de 1960 e 70, sobretudo pelos novos caminhos explorados, "a sua obra escultórica permaneceria relativamente desconhecida. As dificuldades pessoais na afirmação de uma carreira artística, a escassez de recursos, a relativa discrição do seu trajecto criativo, contribuíram para escamotear o sentido de uma criatividade marcada pela experimentação plástica e pela irreverência perante os modelos estéticos tradicionais". [2]

Expôs individualmente pela primeira vez em 1963 (Galeria Alvarez, Porto). Entre 1965 e 1967, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris. Em 1985, foi publicada postumamente a antologia poética Os Rios e os Lugares (Brasília Editora, Porto).

Em 1988, a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, promoveu uma exposição restrospectiva da sua obra artística e literária.[3]

Obras (escultura)[editar | editar código-fonte]

Escultura O Grito, em Nelas

Obras (poesia)[editar | editar código-fonte]

  • Rio Subjacente (1963);
  • Os Círculos e os Sinais (1974);
  • Cântico e Eucalipto (1979);
  • O Homem Cinzento ou a Alquimia dos Números (1975).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 433.
  2. a b c d Candeias, Ana Filipa – "Aureliano Lima". In: A.A.V.V. – Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão: roteiro da coleção. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004, p. 74
  3. Lima, Aureliano – Aureliano Lima: exposição retrospetiva da obra artística e literária. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988