Balata

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Engrenagens em balata de moinho holandês

Engrenagens em balata de moinho holandês
Classificação científica
Reino: Plantae
Subreino: Tracheobionta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Subclasse: Dilleniidae
Ordem: Ebenales
Família: Sapotaceae
Género: Manilkara
Espécie: M. bidentata
Nome binomial
Manilkara bidentata
(A.DC.) A.Chev. 1932
Manilkara bidentata - MHNT

Balata é o látex de uma árvore denominada balateira, também conhecida como maparajuba (Manilkara bidentata), da família das Sapotáceas, comum nos estados do Norte do Brasil, de onde se extrai uma goma elástica e visguenta semelhante ao látex da seringueira [1]. M. G. S. D. Magalhães, contudo, em sua tese de doutorado (MAGALHÃES, 2006), afirma que a balata é extraída de uma árvore cujo gênero é Mimusopis (MAGALHÃES, 2006: p. 194 [2]). Com efeito, a balata pode ser obtida de duas árvores sapotáceas, Mimusopis amazonica e Manilkara bidentata (SILVA, 2007: p. 153) [3].

Extração e beneficiamento[editar | editar código-fonte]

A balata é utilizada por índios da Amazônia na produção de objetos como adornos, utensílios e urnas funerárias. Como aconteceu com outros indígenas, de diversas etnias autóctones, os Macuxi, do baixo Rio Branco, por exemplo, no início do século XIX, com a expansão da exploração da borracha (Hevea brasiliensis), do caucho (Castilloa ulei) e da balata (Manilkara bidentata / Mimusopis amazonica), foram arregimentados - na época dos assim chamados "descimentos" (aldeamentos de índios, empreendidos por missionários, no início, e também por militares, depois [4]) -, para a área do rio Negro e para o próprio vale do rio Branco, engajados como força de trabalho no extrativismo florestal [5].

A extração da balata foi filmada, em 1921, por Silvino Santos e Agesilau Araújo, para o clássico filme documentário No paiz das Amazonas, exibido na Exposição do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro (1922), tendo sido apresentado, posteriormente, nas principais capitais do Brasil e da Europa e nos EUA [6]. Na sinopse dessa película fílmica, consta: "(...) o filme retrata diversas formas de sobrevivência e trabalho na região: a pesca do peixe-boi e do pirarucu, a extração da balata e o preparo do látex, a extração da castanha e o preparo do guaraná (...)" [7].

A balata permite a produção artesanal de objetos semelhantes aos objetos de borracha, como bolas e sapatos, e lúdico-decorativos, miniaturizados [8]. Grandes objetos de balata, como engrenagens de moinhos, apresentam a dureza necessária ao funcionamento desses engenhos [9]. A balata é utilizada industrialmente na fabricação de correias de transmissão, planas ou trapezoidais, como ocorre com outros materiais utilizados na engenharia mecânico-industrial: borracha, couro, canvas (lona: tecido resistente de linho grosso) etc. [10].

Os blocos desse látex são aquecidos em banho-maria no momento da confecção das peças artesanais, que, em sua forma final, apresentam textura semelhante ao couro. A cor dos objetos de balata vão desde o cinza-claro (miniaturas) ao marrom-avermelhado (urnas funerárias, indígenas). Peixes-bois em miniatura, de balata, são pintados de preto, enquanto botos, de cor rosa. Na atualidade, são moldados objetos como sapatos e galochas, por exemplo, como miniaturas de animais da fauna brasileira: o boto, o pirarucu, a tartaruga, o macaco, o cavalo, o boi, a cobra, o búfalo da Ilha de Marajó etc. [11]. No Mercado Municipal Adolpho Lisboa, construído no apogeu da Época Áurea da Borracha - que apresenta estrutura arquitetônica de ferro, oriunda da Inglaterra -, de Manaus, as esculturas que representam, em tamanho reduzido, índios, remos, canoas, ocas, malocas e animais são apreciadas por turistas e colecionadores de peças do artesanato amazônico [12].

O tecnologicamente avançado setor industrial da capital do Estado do Amazonas (Brasil) - o PIM - abriga um segmento de produção de eletro-eletrônicos. Nesse Pólo Industrial de Manaus (PIM, anteriormente denominado Distrito Industrial), há a Rua Balata, a confirmar a importância sócio-econômica do produto, no Estado do Amazonas [13].

Dados científicos[editar | editar código-fonte]

Tropenmuseum Royal Tropical Institute Número do Objeto 60006383 Fotografia de uma balateira (árvore da balata)

M. G. S. D. Magalhães, na tese de doutorado intitulada Amazônia Brasileira: do extrativismo vegetal na mesorregião sul de Roraima (Porto Alegre: PUC-RS, 2006), inclui a balata entre os quatro principais produtos da extração vegetal da região sul-roraimense: borracha (produto da seringueira, Hevea brasiliensis), castanha (amêndoa da castanheira, Bertholletia excelsa), balata (produto das árvores conhecidas como balateiras, Manilkara bidentata / Mimusopis amazonica) e sorva ou sorvinha (Couma utilis, MAGALHÃES, 2006: pp. 184 – 195) [14].

Não se deve confundir a verdadeira maçaranduba (Manilkara huberi) com a maparajuba (balata: Manilkara bidentata), que é uma subespécie da maçaranduba: "Manilkara huberi [maçaranduba verdadeira] é uma árvore com cerca de 40-50 m de altura. Ocorre geralmente nas regiões de terra firme da Amazônia de até 700 m de altitude. Dentre as espécies do gênero, Manilkara huberi é a mais conhecida e com a maior distribuição na Amazônia. Apesar de ser facilmente reconhecida devido às suas folhas grandes e amarelas na face abaxial, é frequentemente confundida com outras espécies do gênero devido à similaridade dos seus troncos" (Embrapa / Brasil) [15].

A balata é agrupada, comercialmente - pela indústria madeireira -, no grupo maçaranduba: "Os madeireiros geralmente agrupam sob o nome comercial maçaranduba várias espécies parecidas (M. huberi, M. paraensis, M. cavalcantei, M. bidentata spp. surinamensis), e as cortam da mesma forma. No entanto, cada uma tem a sua dinâmica de população (DAP máximo, relação crescimento/taxa de mortalidade específica, etc.), que tem papel crucial na reconstituição futura dos estoques exploráveis. Dentre estas espécies, M. huberi atinge o maior DAP, e por isso é a espécie mais interessante economicamente e consequentemente a mais explorada. Caso não haja a distinção clara entre as espécies nos inventários comerciais, depois de 30 anos é provável que não haja estoque de árvores grandes de maçaranduba, sendo que as remanescentes serão, em grande parte, M. bidentata ssp. surinamensis e M. paraensis, as quais atingem DAPs sempre menores que de M. huberi. Estudos em Paragominas, Pará, uma área intensamente explorada por madeira, mostram que isso está acontecendo lá" (idem). [16]

Por ser menos explorada no âmbito da indústria madeireira, a maparajuba (balata) encontra-se mais preservada do que as árvores da maçaranduba verdadeira, quando estas alcançam grande porte.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

- ARAUJO LIMA, Cláudio de. Coronel de Barranco [Romance]. 2ªed. Manaus, Valer / Edições Governo do Estado (Coleção Resgate II), 2002.

- BAUM, Vicki. A Árvore que chora (o romance da borracha) [Romance]. Rio de Janeiro/Porto Alegre/São Paulo: Livraria do Globo (tradução), 1946 [1943].

- BITTENCOURT, Agnello. Corographia do Estado do Amazonas. Manaus: Livraria e Tipografia Palais Royal, 1925.

- BOTINELLY, Theodoro. Amazônia: uma utopia possível. Manaus: Editora da Universidade do Amazonas, 1990.

- CASTRO, Ferreira de. A selva [Romance]. 37ª ed. Lisboa: Guimarães Editores, 1989 [1930].

- LOUREIRO, Antônio José Souto. Amazônia: 10.000 anos. Manaus: Metro Cúbico, 1982.

- MAGALHÃES, Maria das Graças Santos Dias. Amazônia Brasileira: processo histórico do extrativismo Vegetal na Mesorregião Sul de Roraima; Orientadora: Dra. Núncia Santoro de Constantino. Porto Alegre: PUC-RS, 2006 (tese de doutorado em História).

- MAIA, Álvaro. Beiradão [Romance]. 2ª ed. Manaus: Governo do Estado do Amazonas/Valer/Edua - Editora da Universidade Federal do Amazonas, 1999.

- REIS, Arthur Cézar Ferreira. O seringal e o seringueiro. Rio de Janeiro: Serviço de Informação Agrícola, 1953.

- RIVERA, José Eustasio. A voragem [Romance]. Rio de Janeiro: Francisco Alves (tradução), 1982 [1924].

- SANTOS, Eloína Monteiro dos. A rebelião de 1924. 2ª ed. Manaus: Suframa - Superintendência da Zona Franca de Manaus / Gráfica Lorena, 1990.

- SILVA, Orlando Sampaio. Eduardo Galvão: índios e caboclos. São Paulo: Annablume, 2007.

- SIMONIAN, Ligia T. L. "Relações de trabalho e de gênero nos balatais da Amazônia Brasileira". In Elenise Scherer e José Aldemir de Oliveira (orgs.), Amazônia: Políticas Públicas e Diversidade Cultural. Rio de Janeiro: Garamond, 2006 (Terra Mater), pp. 195 – 232.

- SOUZA, Márcio. História da Amazônia. Manaus: Valer, 2009.

- TOCANTINS, Leandro. Formação histórica do Acre. 3 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira / Brasília: INL-Conselho Federal de Cultura/Governo do Estado do Acre, 1979.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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