Batalha de Kadesh

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Batalha de Kadesh
Guerras egípcio-hititas pelo domínio do Corredor Sírio-Palestiniano
Ramesseum siege of Dapur.jpg
Baixo relevo representando a Batalha de Kadesh no Ramesseum
Data Quinto ano de reinado de Ramsés II (algures entre 1312 e 1275 a.C.)
Local Nas margens do rio Orontes, próximo de Kadesh (actual Síria)
Desfecho Inconclusivo; ambos os lados proclamaram vitória, sendo no entanto que os egípcios tiveram perdas muito maiores em número de baixas.
Beligerantes
Egipto (Império Novo) Hititas
Comandantes
Ramsés II Muwatalli II
Forças
20 000 homens
(metade combateram)
  • 16 000 infantaria
  • 2 000 bigas (4 000 homens)
23 000 – 50 000 homens (nem todos combateram)
Baixas
Desconhecido Desconhecido
Síria sob domínio hitita

A Batalha de Kadesh (também Kadeš, Kadech ou Qadesh) travou-se entre o Egipto (sob a égide de Ramsés II) e o Império Hitita (liderado por Muwatali), às margens do rio Orontes, junto à cidade-fortaleza de Kadesh (localizada na moderna Síria).

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

Após serem derrotados em uma batalha no vale do Orontes, os hititas haviam recuado em seu propósito de desalojar os egípcios da Fenícia e da Canaã. Por seu turno, o faraó Set I não estava interessado em prolongar o conflito, e o resultado foi um acordo de paz entre os dois impérios, que vigorou por cerca de 15 anos. Quem viria a romper esse tratado seria o seu sucessor, Ramsés II.

Jovem, impetuoso, destemido e arrogante, o novo faraó buscava a glória nos campos de batalha e foi tentar conquistá-la no confronto com os hititas, lançando-se numa aventura militar que quase lhe custa a própria vida.[1]

Já no quarto ano de seu reinado (cerca de 1297 a.C.), visitou a Fenícia, entregando-se ao trabalho de fixar marcos fronteiriços nos limites de seu império asiático. Só que, ao fazê-lo, avançou deliberadamente sobre terras que Tutmés III conquistara no passado, mas que depois foram perdidas para os hititas, sobretudo nos tempos desastrosos de Aquenáton. Essa provocação não haveria de ficar sem uma reação, como realmente não ficou. A guerra entre os dois impérios iria recomeçar, no ano seguinte, com o avanço de um numeroso exército egípcio, liderado pelo próprio faraó, sobre o vale do Orontes.

Forças[editar | editar código-fonte]

Para deter a investida dos africanos, o rei hitita, Muwatali, mobilizou seu exército e convocou seus aliados. Aos khatti dos altiplanos da Anatólia e seus dependentes da Cilícia, juntaram-se os hititas de Carquemis, os homens de Alepo, de Nukhashshi, de Naharin, os fenícios de Arvad, o povo de Ugarit e Kedi (alguns deles ex-tributários do Egito), além daqueles que vieram dos confins do império: os pedasa, os ariuna, os lícios, os mísios e os dardânios. Toda essa hoste foi reunida próximo à fortaleza de Kadesh, com o propósito de bloquear o progresso dos egípcios sobre o Orontes.

Por seu turno, Ramsés contava com os mercenários shardina e com as tropas negras do Sudão (que tanto terror inspiravam aos asiáticos),[1] além do próprio exército egípcio, disposto em quatro divisões, cada uma sob a bandeira de um deus: Amon, Ra, Ptah e Set. Em termos quantitativos, as forças egípcias eram inferiores às do inimigo, porém possuiam maior mobilidade e disciplina tática.

Batalha[editar | editar código-fonte]

Vindo da Fenícia, Ramsés II penetrou no vale do Orontes, marchando rio abaixo. Iludido pelo relato de prisioneiros hititas (que se deixaram capturar), ele acreditou que Muwatali ainda se encontrava em Alepo, seguindo rumo a Kadesh. Foi então que planejou capturar a fortaleza, antecipando-se à chegada das forças hititas. Imprudente, avançou acompanhado apenas por sua guarda pessoal e seguido de perto pela divisão Ra, enquanto o grosso do exército, mais lento, ficava para trás.

Próximo a Kadesh, Ramsés II deu-se conta de que caíra em uma armadilha. Forças hititas, que se haviam dissimulado ao norte da fortaleza, cortaram ao meio e dizimaram a divisão Ra, e ainda tomaram o acampamento do faraó. Cercado, o rei teve que lutar pela própria vida, abrindo caminho à força, com seus carros, através da massa de carros inimigos, para juntar-se à divisão Ptah, que corria em seu socorro.

Apesar dos óbvios exageros do Poema de Pentaur,[2] a verdade é que Ramsés II e os que estavam ao seu lado realizaram prodígios de valor, lutando admiravelmente. Pode-se dizer que foi a coragem e o destemor deles, ao se lançarem contra o inimigo muito mais numeroso, adjunto ao fato de que os Hititas perderam um precioso tempo pilhando os ouros do acampamento egípcio, que acabou revertendo o resultado dessa batalha que poderia ter se tornado um dos maiores desastres militares da história do Egito.

Com a chegada das outras divisões, as forças egípcias desbarataram os carros hititas, empurrando-os para o rio, em cujas águas muitos pereceram. Nesse dia tombaram: Kameyaza e Todal (chefes dos tuhiru), Garbatusa, Samirtusa, Mezarima, Zauazasa (chefe dos tuisa), além do próprio irmão do rei hitita, Sapajar.[3]

Diante do fracasso de seu plano, Muwatali retirou-se com o resto de seu exército para o norte, enquanto os egípcios, demasiado exaustos e com numerosas baixas, não tiveram forças para persegui-los. Ramsés preferiu retornar ao Egito, onde ele e seus generais trataram de divulgar o resultado da batalha como uma retumbante vitória. Muwatali, que pouco tempo depois viria a falecer, fez o mesmo (em sentido inverso) entre os seus.

Resultados[editar | editar código-fonte]

Ver também: Tratado de Kadesh

Em termos estratégicos, a Batalha de Kadesh terminou sendo um "empate técnico". Os exércitos empataram em combate mas os hititas impediram o avanço egípcio no vale do Orontes e ainda expandiram seus territórios sobre reinos antes egípcios. Portanto a guerra, como um todo, teve triunfo Hitita. No final, os dois impérios reconheceram (como nos tempos de Set I) possuir forças equivalentes, e que, portanto, nenhum dos dois podia aspirar destruir o outro.[1] Anos depois, um acordo entre egípcios e hititas deu origem ao primeiro tratado de paz conhecido da história.[4]

Durante todo o seu longo reinado, Ramsés II jamais voltaria a acalentar o propósito de expandir seus domínios asiáticos, às custas dos khatti. A amarga experiência em Kadesh obrigou-o moderar sua impetuosidade guerreira.

Referências

  1. a b c ´Hall, H. R.- "História Antiga do Oriente Próximo", Rio de Janeiro, CEB, 1948
  2. ´Poema épico escrito em papiro e gravado nas paredes de um templo em Karnak, onde o escriba real, Pantaur, conta detalhes sobre a batalha, em termos ufanos
  3. Os egípcios referiam-se a ele como "Mautenar".
  4. H. James Birx (2006). Encyclopedia of anthropology. 5. [S.l.]: Sage. ISBN 978-0-7619-3029-7 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]