Batalha de Rusião

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Batalha de Rusião
Guerras búlgaro-latinas
Data 31 de janeiro de 1206
Local Ruskoy
Desfecho Vitória decisiva búlgara
Beligerantes
Segundo Império Búlgaro Império Búlgaro Império Latino Império Latino
Comandantes
Segundo Império Búlgaro tsar Kaloyan Império Latino Thierry de Termonde  
Forças
7 000 Desconhecida
Baixas
Desconhecidas Pesadas, 120 cavaleiros e milhares de soldados

A Batalha de Rusião (em búlgaro: Битката при Русион - Rusion) foi travada no inverno de 1206 perto da fortaleza de Rusion (Ruskoy, atualmente na Turquia) entre os exércitos do Império Búlgaro e o Império Latino de Constantinopla, resultando numa decisiva vitória búlgara.

Contexto[editar | editar código-fonte]

A grande vitória búlgara na Batalha de Adrianópolis foi seguida por outras em Serres e na conquista de Filipópolis (Plovdiv). Os latinos sofreram pesadas perdas e, no outono de 1205, tentaram reorganizar o que restava do seu exército. A força principal consistia de 140 cavaleiros e alguns milhares de soldados da guarnição de Rusião. A liderança era de Thierry de Termond e Thierry de Loos, que estavam entre os mais importantes nobres do Império Latino.

A batalha[editar | editar código-fonte]

Em meados de janeiro de 1206, o exército búlgaro marchou par ao sul. Parte das tropas cercou Adrianópolis e o resto, sob o comando pessoal do tsar Kaloyan, seguiu até Rusião. O plano era obrigar os latinos a saírem da fortaleza para combatê-los e, para atraí-los, ele enviou uma pequena companhia de cumanos para tomar um pequeno e insignificante castelo nas proximidades. Kaloyan apostava na falta de disciplina dos cruzados e a manobra funcionou - na tarde de 30 de janeiro, os cruzados abriram os portões e saíram da cidade. Thierry de Loos havia sido reconvocado a Constantinopla e o comando agora estava com Thierry de Termond, conhecido tanto por sua coragem quanto por sua temeridade[a]. Por volta de 120 cavaleiros e suas tropas de apoio partiram de Rusião e cavalgaram a noite toda. Na manhã do dia seguinte, alcançaram o castelo, já deserto, e imediatamente retornaram. Neste ínterim, 7 000 búlgaros se colocaram entre eles e a fortaleza, firmando suas posições a 7 quilômetros das muralhas. Os defensores na cidade eram poucos e só podiam assistir a tudo a partir das torres: o exército latino se aproximou dividido em quatro destacamentos, o mais avançado liderado por Carlos de Fren, seguido pelas tropas de Termont e o destacamento de Andres Deboas e Jean de Choasy, os primeiros a escalarem as muralhas de Constantinopla na conquista de 1204. Na retaguarda vinha Vilen de Loos, o irmão de Thierry.

O combate começou ali. O destacamento de Vilen foi atacado por uma força búlgara e, apesar das desesperadas tentativas de resistir, acabou aniquilado. Os sobreviventes se misturaram com as tropas à frente e logo os dois outros destacamentos cruzados foram também derrotados. A batalha foi travada enquanto os exércitos ainda estavam em marcha e a massa de soldados em pleno combate se moviam lentamente em direção a Rusião. Quando estavam a mais ou menos 2 quilômetros do castelo, a formação latina finalmente ruiu depois de enfrentar ataques búlgaros de todos os lados. Os cavaleiros lutaram bravamente e a maior parte morreu. Apenas 10 dos 120 conseguiram chegar à fortaleza e milhares de soldados foram mortos ou capturados. Todos os comandantes cruzados, inclusive Thierry de Termond, morreram. O que restava do exército latino abandonou Rusião e se refugiou na cidade vizinha de Rodosto.

Rodosto era uma cidade bem fortificada com uma poderosa guarnição veneziana, agora fortalecida pelos sobreviventes de Rusião e por uma companhia de 2 000 soldados enviados como reforço. Porém, quando Kaloyan chegou, os defensores entraram em pânico e, depois de um breve combate, foram completamente derrotados e a cidade, saqueada. Muitas outras cidades foram tomadas em seguida e, depois de um cerco, Didimoteico caiu no ano seguinte.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Em toda a operação, os cruzados perderam mais de 200 cavaleiros, muitos milhares de soldados e diversas guarnições venezianas foram completamente aniquiladas. O novo imperador latino, Henrique de Flandres, teve que pedir ao rei da França mais 600 cavaleiros e 10 000 soldados. Godofredo de Villehardouin comparou a derrota ao desastre de Adrianópolis. Porém, os cruzados tiveram sorte - em 1207, Kaloyan foi morto enquanto cercava Tessalônica e o novo imperador, Boril, um usurpador, precisava de tempo para se consolidar no poder e rapidamente ofereceu a paz.

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ O historiador bizantino Nicetas Coniates relatou que as tropas de Thierry de Tormond eram as mais corajosas de todo o exército latino.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Йордан Андреев, Милчо Лалков, Българските ханове и царе, Велико Търново, 1996.
  • Coniates, Nicetas (1975). J.-L. Van Dieten, ed. Historia. O City of Byzantium, Annals of Niketas Choniates (em inglês). 2. Trad. H.J. Magoulias (Detroit; Wayne State University Press, 1984. Berlim e Nova Iorque: [s.n.] 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]