Bignoniaceae

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Como ler uma caixa taxonómicaBignoniaceae
Catalpa bignonioides).

Catalpa bignonioides).
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Lamiales
Família: Bignoniaceae
Géneros
Ver texto.
Flores de ipê-rosa.

Bignoniaceae é uma família que inclui árvores, arbustos e lianas, com aproximadamente 110 gêneros e 800 espécies. Possui vasta distribuição, nas regiões tropicais e subtropicais, sendo pouco frequente nos subtrópicos. Os maiores gêneros são Tabebuia (cerca de 100 espécies), Arrabidaea (70) Adenocalymma (50) e Jacaranda (40) (Gentry 1980). Suas flores são polinizadas por abelhas, vespas, borboletas, mariposas, pássaros e morcegos, e as sementes são dispersadas principalmente pelo vento (Gentry 1980). A família possui espécies de grande valor econômico, com representantes importantes na indústria madeireira (por exemplo, Tabebuia e Catalpa) e muito utilizadas como ornamental (por exemplo, Spathodea, Campsis, Pyrostegia e Tabebuia).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A designação da família deriva do nome do género Bignonia, atribuída por por Lineu em homenagem ao padre e naturalista francês Jean-Paul Bignon, bibliotecário do rei Luís XIV da França.

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Folhas[editar | editar código-fonte]

Folhas opostas ou verticiladas, podem em alguns casos ser alternas espiraladas, compostas pinadas ou palmadas, ocasionalmente simples, inteiras a serreadas, venação peninérvea, folíolos terminais às vezes modificados em gavinhas ou ganchos; estipula ausente.

Caule[editar | editar código-fonte]

Anatomicamente, o caule das lianas se distingue pela presença de uma variação cambial denominada xilema interrompido, com a formação de cunhas de floema que conferem ao caule em secção transversal a forma de cruz de Malta. Essa variação cambial deriva de quatro a múltiplas de quatro porções de um câmbio inicialmente com atividade normal que passa a produzir menos xilema e mais floema. O floema produzido pelas porções variante, por sua vez, apresenta elementos de tubo crivado muito largos e menos parênquima que as porções com atividade normal. A presença de variação cambial neste grupo parece conferir flexibilidade às plantas, auxiliar no reparo de injúrias, contribuir para a formação de xilema e condução de fotossintatos.

Flores[editar | editar código-fonte]

Flores andróginas, diclamídeas, gamopétalas, pentâmeras, muito vistosas. Androceu com quatro estames didínamos e um estaminódio, que é geralmente atrofiado. Antera coniventes com duas tecas divaricadas (em forma de "V"). Gineceu com dois carpelos, formando um ovário súpero e bilocular com estigma bilamelado, em geral cercado por disco. Corola tubulosa em forma de "S", podendo ser bilabiada e prefloração imbricada.

Frutos[editar | editar código-fonte]

Fruto geralmente longo, cápsula septicida a loculicida, podendo ser também baga ou cápsula indeiscente; sementes geralmente achatadas, aladas ou providas de pelo, endosperma ausente.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Espécies com distribuição predominantemente tropical, principalmente na América do Sul. O Brasil apresenta 177 espécies endêmicas e é considerado o centro de diversidade da família, com 32 gêneros e 391 espécies ocorrendo em vários tipos de ambiente, do norte do pais ate o sul.

Adaptações/ caracteres evolutivos[editar | editar código-fonte]

Caracteres evolutivos são apresentados em tricomas não glandulares, tricomas glandulares peltados, tricomas glandulares estipados e tricomas glandulares pateliformes /cupulares. Três destes tricomas provavelmente já estavam presentes em indivíduos ancestrais (em tricomas não glandulares, tricomas glandulares peltados e tricomas glandulares pateliformes /cupulares) enquanto os tricomas glandulares estipados surgiram mais recentemente e multiplavezes.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A família Bignoniáceae não apresenta padrão em sazonalidade. As flores da maioria das espécies apresentam síndrome de melitofilia, ornitofilia e quiropterofilia.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

A família apresenta grande importância econômica, fornece madeiras nobres, como as espécies de Jacarandá, Tabebuia e Catalpa

Conservação[editar | editar código-fonte]

Segundo a lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção a família Bignoniaceae apresenta 10 espécies ameaçadas de extinção, sendo elas: Adenocalymma magnoalatum, Adenocalymma ubatubense, Digomphia densicoma, Jacaranda carajasensis, Jacaranda crassifólia, Jacaranda intricata, Jacaranda rugosa, Jacaranda subalpina, Tabebuia botelhensis, Tabebuia selachidentata.

Potencial ornamental[editar | editar código-fonte]

Espécies são cultivadas e muito utilizadas ornamentalmente, como clytostoma, Crescentia, jacarandá, Macfadyna (uma-de-gato), tabebuia (ipê).

Gêneros[editar | editar código-fonte]

A família Bignoniaceae inclui os seguintes géneros:

Adenocalymma
Amphilophium
Amphitecna
Anemopaegma
Argylia
Arrabidaea
Astianthus
Barnettia
Bignonia
Callichlamys
Campsidium
Campsis
Catalpa
Catophractes
Ceratophytum
Chilopsis
Clytostoma
Clytostomanthus
Colea
Crescentia
Cuspidaria
Cybistax
Cydista
Delostoma
Deplanchea
Digomphia
Dinklageodoxa
Distictella
Distictis

Dolichandra
Dolichandrone
Eccremocarpus
Ekmanianthe
Exarata
Fernandoa
Fridericia
Gardnerodoxa
Gelseminum
Glaziova
Godmania
Handroanthus
Haplolophium
Haplophragma
Heterophragma
Hieris
Incarvillea
Jacaranda
Kigelia
Lamiodendron
Leucocalantha
Lundia
Macfadyena
Macranthisiphon
Manaosella
Mansoa
Markhamia
Martinella
Mayodendron
Melloa

Memora
Millingtonia
Mussatia
Neojobertia
Neosepicaea
Newbouldia
Niedzwedzkia
Nyctocalos
Ophiocolea
Oroxylum
Pajanelia
Pandorea
Parabignonia
Paracarpaea
Paragonia
Paratecoma
Parmentiera
Pauldopia
Perianthomega
Periarrabidaea
Perichlaena
Phryganocydia
Phyllarthron
Phylloctenium
Piriadacus
Pithecoctenium
Pleonotoma
Podranea

Potamoganos
Pseudocatalpa
Pyrostegia
Radermachera
Rhigozum
Rhodocolea
Roentgenia
Romeroa
Santisukia
Saritaea
Scobinaria
Sideropogon
Sparattosperma
Spathicalyx
Spathodea
Sphingiphila
Spirotecoma
Stereospermum
Setilobus
Stizophyllum
Tabebuia
Tanaecium
Tecoma
Tecomaria
Tecomanthe
Tecomella
Tourrettia
Tynanthus
Urbanolophium
Xylophragma
Zeyheria

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Lima, A. C., Pace, M. R. & Angyalossy, V. 2010. "Seasonality and growth rings in lianas of Bignoniaceae." Trees-Structure and Function 24(6): 1045-1060.
  • Lohmann, L. G. (2006). "Untangling the phylogeny of neotropical lianas (Bignonieae, Bignoniaceae)." American Journal of Botany 93(2): 304-318.
  • Olmstead, R. G., M. L. Zjhra, Lohmann, L. G., Grose, S. O. & Eckert, A. J. (2009). "A molecular phylogeny and classification of Bignoniaceae." American Journal of Botany 96(9): 1731-1743.
  • Pace, M. R., L. G. Lohmann & Angyalossy, V. (2009). "The rise and evolution of the cambial variant in Bignonieae (Bignoniaceae)." Evolution & Development 11(5): 465-479.
  • Pace, M. R., L. G. Lohmann & Angyalossy, V. (2011). "Evolution of disparity between the regular and variant phloem in Bignonieae (Bignoniaceae)." American Journal of Botany 98(4): 602-618.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
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