Bildungsroman
Em crítica literária, Bildungsroman (pronúncia ˈbɪldʊŋs.ʁoˌmaːn; em alemão: 'romance de formação') designa o tipo de romance em que é exposto, de forma pormenorizada[1], o processo de desenvolvimento físico, moral, psicológico, estético, social ou político de uma personagem, geralmente desde a sua infância ou adolescência até um estado de maior maturidade.[2] O termo é composto pelas palavras alemãs Bildung ("formação" ou "educação") e Roman ('romance').
Origem
[editar | editar código]O termo foi cunhado em 1819 pelo filólogo Johann Karl Simon Morgenstern em suas aulas universitárias, sendo mais tarde retomado por Wilhelm Dilthey, que o legitimizou em 1870 e popularizou em 1905.[3][4]
O surgimento do romance de formação costuma ser atribuído à publicação de Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (Wilhelm Meisters Lehrjahre no título original em alemão) de Johann Wolfgang von Goethe em 1795–96,[5], embora alguns estudiosos considerem o romance alemão Geschichte des Agathon ("História de Agathon", sem tradução em português), de 1767, do escritor alemão Christoph Martin Wieland, que narra o desenvolvimento intelectual e psicológico do personagem grego antigo Agathon, como sendo o marco inicial desse gênero literário.[6] Dois outros grandes romances de formação em língua alemã do século XIX são Der grüne Heinrich ("Henrique, o Verde", sem tradução em português) do escritor suíço Gottfried Keller e Der Nachsommer ("Fim de Verão", idem) de Adalbert Stifter.
Embora surgisse na Alemanha, o romance de formação disseminou-se pela Europa e depois no resto do mundo. A tradução de Thomas Carlyle para o inglês do romance de Goethe (1824) e depois seu próprio Sartor Resartus (1833–34), o primeiro Bildungsroman da Inglaterra, inspirou muitos romancistas ingleses. Um romance de formação muito popular é David Copperfield de Charles Dickens. No Brasil, há quem considere O Ateneu de Raul Pompeia como nosso primeiro romance de formação.[7]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Araújo, Alberto Filipe ; Bergmeier, Horst, Bildung, esculpização e iniciação: sobre a função interligada da forma do romance de formação, da metáfora da escultura e do cenário iniciático no âmbito da bildung, Pisa: Fabrizio Serra, Rassegna di pedagogia: Pädagogische Umschau: trimestrale di cultura pedagogica: LXXIII, 1 2, 2015.
- ↑ Encyclopædia Britannica: bildungsroman
- ↑ Engel 2008, pp. 263–266.
- ↑ Summerfield & Downward 2010, p. 1.
- ↑ Jeffers 2005, p. 49.
- ↑ Swales, Martin. The German Bildungsroman from Wieland to Hesse. Princeton: Princeton University Press, 1978. 38.
- ↑ Danilo de Oliveira Nascimento. «DOSSIÊ SÉRGIO: O ATENEU COMO ROMANCE DE FORMAÇÃO». Consultado em 29 de junho de 2026
Ligações externas
[editar | editar código]- Nota sobre o conceito de Bildung (formação cultural). Por Rosana Suarez. Kriterion: Revista de Filosofia, vol. 46 n°112 . Belo Horizonte, dezembro de 2005.
- O romance de formação (Bildungsroman) no Brasil. Modos de apropriação. Por Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas.
- Du Bildungsroman au roman d'éducation : un malentendu créateur ? Por Denis Pernot. Romantisme 1992, vol 22, n° 76 pp. 105-119
- The Bildungsroman Genre: Great Expectations, Aurora Leigh, and Waterland. Por Suzanne Hader. Victorian Web.