Central Única das Favelas

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A CUFA (Central Única das Favelas) é uma organização brasileira reconhecida nacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural. Foi criada a partir da união entre jovens de várias favelas, principalmente negros, que buscavam espaços para expressarem suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver. Tem o rapper MV Bill como um de seus fundadores. MV Bill já recebeu diversos prêmios devido à sua ativa participação no movimento hip hop. Por exemplo: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura o premiou como uma das dez pessoas mais militantes no mundo na última década.[carece de fontes?] Além dele, a CUFA conta com Nega Gizza, uma forte referência feminina no mundo do rap, conhecida e respeitada por seu empenho e dedicação às causas sociais. Nega Gizza é também diretora do Hutúz, o maior festival de rap da América Latina, que é produzido pela CUFA. Tem ainda o produtor Celso Athayde como coordenador geral.[1]

Atividades[editar | editar código-fonte]

A CUFA [2]promove atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania, como grafite, DJ, break, rap, audiovisual, basquete de rua, literatura, além de outros projetos sociais. Além disso, promove, produz, distribui e veicula a cultura hip hop através de publicações, discos, vídeos, programas de rádio, shows, concursos, festivais de música, cinema, oficinas de arte, exposições, debates, seminários e outros meios. São as principais formas de expressão da CUFA e servem como ferramentas de integração e inclusão social.

O hip hop é um movimento que, há 20 anos, sobrevive nos guetos brasileiros mesmo sem o apoio da mídia, e se fortalece a cada dia, arrebatando admiradores de todas as camadas socioeconômicas e deixando para trás o rótulo de "cultura do excluído". Ao longo de sua existência, esta manifestação cultural vem criando um movimento forte, atraente, com grande potencial, e segue abrindo portas para novos nichos comerciais ainda não explorados.

Já o basquete de rua é um esporte praticado fora das quadras e ginásios convencionais, o que o torna uma atividade democrática e cada vez mais procurada por adolescentes e jovens. Contendo lances de extrema plasticidade e habilidade, esta modalidade esportiva oportuniza o antagonismo de adolescentes e jovens de periferia diante da sociedade como um todo.

Assim, através de uma linguagem própria, a CUFA pretende ampliar suas formas e possibilidades de expressão e alcance. Deste modo, ela vai difundindo a conscientização das camadas desprivilegiadas da população com oficinas de capacitação profissional, entre outras atividades, que elevam a auto-estima da periferia quando levam conhecimento a ela, oferecendo-lhe novas perspectivas.

Agindo como um polo de produção cultural e prática desportiva desde 1999, através de parcerias, apoios e patrocínios, a CUFA forma e informa os cidadãos do Rio de Janeiro e dos outros 26 Estados brasileiros, além do Distrito Federal e de países como Bolívia, Alemanha, Chile, Hungria, Itália e Estados Unidos. Dentre as atividades desenvolvidas pela CUFA, além das supracitadas, há cursos e oficinas de DJ, gastronomia, audiovisual, teatro, produção cultural e muitas outras. São diversas ações promovidas nos campos da educação, esporte, cultura e cidadania, com mão de obra própria.

A equipe CUFA é composta, em grande parte, por jovens formados nas oficinas de capacitação e profissionalização das bases da instituição e oriundos das camadas menos favorecidas da sociedade; em sua maioria, moradores de comunidades carentes.

Projetos[editar | editar código-fonte]

Dentre as ações que imprimem legitimidade ao trabalho desenvolvido pela CUFA, estão: TAÇA DAS FAVELAS, FESTIVAL DE LUTAS DA CUFA(FLC), SEMANA GLOBAL DA CUFA, DIA DA FAVELA, HUTÚZ, LIIBRA, CineCufa, RPB Festival, Reis da Rua, BRADAN, Maria-Maria e Prêmio Anu, marcas de identidade singular, iniciativas sem precedentes, que fidelizaram seu próprio público. Pois, ainda que este público não seja totalmente ligado a todas as áreas de atuação de seus eventos, a própria CUFA, enquanto instituição, faz a diferença em cada um deles, em termos de qualidade, inovação e responsabilidade social.[3]

  • TAÇA DAS FAVELAS – é uma competição de futebol de campo entre 90 seleções compostas por moradores de favelas do Rio de Janeiro sendo 64 masculinas e 26 femininas; O objetivo da Taça das Favelas é promover a integração dessas comunidades através do esporte e, claro, descobrir talentos para o futebol, afinal, grandes gênios da bola vieram da periferia das grandes cidades e unir esses espaços por meio do futebol é de primordial importância para o envolvimento de toda a sociedade nos eventos que o Brasil sediará nos próximos anos, como a copa do mundo (que aconteceu em 2014) e os jogos olímpicos de 2016. Além disso, proporciona uma visibilidade ainda maior para territórios conhecidamente férteis na revelação de novos talentos esportivos. Sem falar da contribuição efetiva no aumento da autoestima dos envolvidos.
  • HUTÚZ – único evento de grande porte e expressão focado exclusivamente no Hip Hop, contando também com intervenções de grafite, skate, basquete de rua e seminários;
  • LIIBRA – a Liga Internacional de Basquete Rua é reconhecida nacionalmente por reunir esporte, cultura e movimento social em um só palco. Apesar de possuir alguns elementos do basquete tradicional, o Basquete de Rua tem as suas próprias regras e difere principalmente no ambiente onde é realizado. Como o próprio nome afirma, o basquete de rua acontece em locais não convencionais, em áreas públicas, como ruas e embaixo de viadutos.

O grande diferencial do basquete de rua para as outras atividades esportivas é o ritmo. O rap brasileiro está sempre presente e, durante os jogos, motiva os atletas, embala jogadas, e impulsiona passes e dribles que desconcertam os adversários e mantêm a torcida sempre animada, transformando a LIIBRA em um verdadeiro show.

Desde sua criação, em 2000, a Central Única das Favelas utiliza o esporte como ferramenta para promover a autoestima da população, e a Liga Internacional de Basquete de Rua (a LIIBRA) é, com certeza, o momento onde essa característica se torna ainda mais visível, dando, assim, o sentido definitivo ao basquete de rua.

Foi em 2001, durante o Hutúz Rap Festival, que a CUFA reconheceu o potencial e a importância do basquete de rua, ao observar um grupo de jovens que improvisaram uma partida de basquete no Armazém 5 do Cais do Porto do Rio de Janeiro. Ali, surgia o conceito do basquete de rua do Brasil, uma modalidade esportiva que transita entre o basquete tradicional e o streetball americano. A brincadeira foi imediatamente absorvida pela Central Única das Favelas, por ser um elemento presente nas comunidades e que merece destaque nacional.

  • CineCufa – festival internacional de cinema que tem por objetivo difundir as produções dos cineastas de favela do mundo inteiro;
  • RPB Festival – intenta descobrir e promover novos talentos do rap;
  • Reis da Rua – a seleção dos melhores atletas da LIIBRA disputa o Desafio Internacional de Basquete de Rua, iniciativa que fomenta ainda mais a prática desportiva no Brasil, bem como a interação da juventude brasileira com jovens de outras nacionalidades através de disputas entre vários países, o que pretende, ainda, elevar o basquete de rua ao patamar de esporte das massas;
  • BRADAN – o Break Brasil Dance é o festival nacional de break da CUFA. Sua primeira edição acontece em agosto de 2009;
  • Maria-Maria - as Marias são mulheres da CUFA nos estados, negras ou não, que, além de constituírem um projeto coletivo e democrático dentro da instituição, tentam organizar o discurso das mulheres das periferias, sobretudo as jovens, para que elas possam se estimular e participar dos processos políticos de decisão e ocupação de espaço.
  • Prêmio Anu - o "Anu" é um prêmio que tem o intuito de identificar e reconhecer publicamente iniciativas de instituições, fundações, organizações não governamentais, empresas, indivíduos, governos, universidades, associações de moradores e afins, que sejam voltadas para a busca do equilíbrio social e cultural brasileiro.
  • Projeto Real Valor - em 2008, a banda Porto Cinco2 idealizou um projeto social que levava o nome da música de uma importante banda de rock brasileira dos anos 1980, o Golpe de Estado. A banda regravou a música "Real Valor" e a disponibilizou para baixar na web a um valor em dinheiro, a exemplo de muitas bandas como U2 e Green Day. O projeto se estendeu por 6 meses, e teve, por objetivo, arrecadar fundos para a CUFA.

Torneio Futebol Arte[editar | editar código-fonte]

Time de futebol feminino da Cidade de Deus comemora a conquista do Torneio Futebol Arte (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Durante a realização da Copa do Mundo FIFA de 2014, a Cufa promoveu o Torneio Futebol Arte, que ganhou o apelido de "Copa do Mundo das Favelas". O torneio reuniu 32 equipes formadas por moradores de comunidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.[4] A Cidade de Deus conquistou tanto o torneio masculino quanto o feminino. Os homens venceram o time da Favela dos Bancários, e as mulheres derrotaram a Favela do Sapo na decisão por pênaltis. As duas finais foram disputadas no dia 6 de julho, no campo do Ceres, em Bangu.

Estrutura organizacional[editar | editar código-fonte]

  • Presidente Global: Preto Zezé (Fortaleza - CE)
  • Presidente Nacional: Francislei Henrique (Belo Horizonte - MG)
  • Vice-presidente: Bruno Silva (Belo Horizonte - MG)
  • Secretário Geral: Celso Athayde (Rio de Janeiro - RJ)

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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