Cidade Colonial de Santo Domingo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pix.gif Cidade Colonial de Santo Domingo *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Calle Las Damas.JPG
Rua As Damas (Calle Las Damas), no centro histórico
País República Dominicana
Tipo Cultural
Critérios (ii), (iv), (vi)
Referência 526
Região** América Latina e Caribe
Coordenadas 16° 23′ S 71° 32′ W
Histórico de inscrição
Inscrição 1990  (14ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

A Cidade Colonial de Santo Domingo é um bairro histórico da cidade de Santo Domingo, República Dominicana, declarado Património Mundial da UNESCO no ano 1990.

A cidade foi fundada em 1496, apenas alguns anos após a chegada de Cristovão Colombo à América, em 1492. Foi trasladada para o sítio actual em 1502. É o mais antigo assentamento europeu de ocupação contínua do Novo Mundo e foi a primeira sede do governo colonial espanhol no continente. Segundo o sítio da UNESCO, em Santo Domingo foram criadas a primeira catedral, o primeiro hospital, a primeira alfândega e a primeira universidade da América.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Ao chegar à costa norte da Ilha de São Domingos em 1492, Cristovão Colombo encontrou um ambiente à primeira vista favorável, com indígenas pacíficos. Construiu ali um forte de madeira (a "Fortaleza de La Navidad") e deixou 39 homens, antes de retornar à Espanha. Ao regressar, um ano depois, esse assentamento havia sido destruído.[1] Colombo fundou então outra povoação mais a leste, que chamou "La Isabela" em homenagem a Isabel de Castela.[1] [2] La Isabela foi abandonada em 1498, quando o governador Bartolomeu Colombo (irmão de Cristóvão) decidiu mudar-se ao sul da Ilha, fundando a "Nova Isabela" na margem esquerda do rio Ozama.[3] [1]

Em 1502, quando o governador era Nicolás de Ovando, Nova Isabela foi destruída por um furacão.[1] Ovando deslocou a colônia para a outra margem do Ozama, na qual se desenvolveu a atual cidade de Santo Domingo. Naquele local a povoação foi urbanizada seguindo um esquema regular, adotado mais tarde como modelo em outras cidades coloniais.[1] Na época do governador Ovando foi levantada a Fortaleza Ozama - construída segundo padrões medievais, incluída uma torre de menagem -, um convento franciscano, uma casa de governo e casas de tijolos e pedra para os moradores.[4]

O governador que sucedeu Ovando foi Diogo Colombo (filho de Cristóvão), que levantou entre 1510 e 1514 um palácio para sua residência que ainda existe, o chamado Alcácer de Colombo. O palácio pertenceria à família Colombo até 1577.[5] Em 1511, Santo Domingo foi convertida em sede de diocese, e no ano seguinte começou a construção do mais importante monumento da cidade, a Catedral de Santo Domingo. O edifício, inicialmente muito modesto, veio a ser construído essencialmente entre 1521 e 1537, por impulso do bispo Alexandre Geraldini, misturando os estilos gótico e plateresco.[6] [7]

Na década de 1530 estavam já terminadas as Casas Reais, onde funcionavam várias repartições da administração colonial, como a Real Audiência, a Chancelaria e despacho dos governadores.[7] O Hospital São Nicolau de Bari pertence à mesma época; suas ruínas revelam que o edifício, inspirado em hospitais renascentistas italianos, seguia um vocabulário arquitetônico ainda gótico.[7] Em 1543 a cidade começou a ser cercada por uma muralha de pedra, processo que só seria completado no século XVIII. Vários trechos da muralha e portas de acesso ainda existem.[7]

No século XVIII, a população da Ilha de São Domingos aumentou graças às políticas de colonização da coroa espanhola. O engenheiro Antonio Álvarez Barba foi o responsável por várias reformas na cidade de Santo Domingo, como a remodelação da fortaleza, a porta de Carlos III na entrada da rua Las Damas e a ampliação do edifício da prisão, localizado na Plaza Mayor.[8] Um edifício notável dessa época é a Igreja dos Jesuítas (hoje Panteão da Pátria), em estilo neoclássico, com seis contrafortes na fachada e cúpula sobre o transepto.[8]

Referências

  1. a b c d e f Cidade Colonial de Santo Domingo no sítio da UNESCO (em inglês)
  2. Eugenio Pérez Montás Transformación territorial in Los espacios de Europa en América: Arquitectura y urbanismo 1492-1844, pág. 83 (em espanhol)
  3. Eugenio Pérez Montás La Isabela: primera casa de Colón in Los espacios de Europa en América: Arquitectura y urbanismo 1492-1844, pág. 93 (em espanhol)
  4. Eugenio Pérez Montás La política territorial de los Reyes Católicos: La Concepción de la Vega y Santo Domingo in Los espacios de Europa en América: Arquitectura y urbanismo 1492-1844, pág. 97 (em espanhol)
  5. História do Alcácer no sítio do Museo Alcázar de Diego Colón (em espanhol)
  6. José Luis Pano Gracia. El modelo de planta de salón: origen, difusión e implantación en América. págs 43-46 (em espanhol)
  7. a b c d Eugenio Pérez Montás. El plateresco y los grandes conjuntos monumentales de Santo Domingo in Los espacios de Europa en América: Arquitectura y urbanismo 1492-1844, pág. 107(em espanhol)
  8. a b Eugenio Pérez Montás. El neoclasicismo. Proyectos del ingeniero Antonio Álvarez Barba y la calle Las Damas in Los espacios de Europa en América: Arquitectura y urbanismo 1492-1844, pág. 123(em espanhol)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cidade Colonial de Santo Domingo