Conde de Anadia
| Pariato | |
| Criação | D. Maria I 17 de Dezembro de 1808 |
| Tipo | Vitalício – 1 vida 4 renovações |
| 1.º titular | João Rodrigues de Sá e Melo |
| Linhagem | Rodrigues de Sá e Melo (de Sá Pereira de Meneses) de Sá Pereira de Meneses Pais do Amaral (de Sá Pais do Amaral) |
| Actual titular | Miguel Maria de Sá Pais do Amaral |
| Solar | Palácio dos Condes de Anadia |


Conde de Anadia foi um título nobiliárquico criado por D. João, Príncipe Regente de D. Maria I de Portugal, por Decreto de 17 de Dezembro de 1808, em favor de João Rodrigues de Sá e Melo, antes 1.º Visconde de Anadia.[1][2][3][4]
História
[editar | editar código]O título de Conde da Anadia foi criado pelo Príncipe Regente D. João, por Carta de 17 de Dezembro de 1808, em favor de João Rodrigues de Sá e Melo, então já 1.º Visconde da Anadia (título concedido em 1786 por D. Maria I), senhor donatário da vila da Anadia, moço-fidalgo com exercício no Paço, fidalgo-escudeiro, comendador de S. Paulo de Maçãs, alcaide-mor de Campo Maior, ministro plenipotenciário em Berlim e sócio da Academia Real das Ciências. Acompanhou a Família Real na retirada para o Brasil, tendo falecido no Rio de Janeiro a 30 de dezembro de 1809.[2][3][4]
O 1.º conde era 6.º neto, por legítima varonia, de João Gonçalves de Miranda Sotomayor, sobrinho de D. Pedro de Sotomayor, Conde de Caminha, e de sua mulher D. Filipa de Sá, filha de Rodrigo Anes de Sá e neta de João Rodrigues de Sá, o das Galés.[2][3][4]
Por Decreto de 17 de Dezembro de 1812 e Carta de 23 de Fevereiro de 1813, o título foi renovado em José António de Sá Pereira, 1.º Visconde de Alverca (Decreto de 12 de dezembro de 1805), tio materno do 1.º Conde, doutor em Cânones e ministro de Portugal na Holanda e em Nápoles durante mais de quarenta anos.[2][3] O 2.º Conde era 7.º neto, por varonia, de João Gonçalves de Miranda Sotomayor e da sua mulher.[2][3][4] Do casamento houve uma única filha, D. Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomayor, que sucedeu como 2.ª Viscondessa de Alverca e 3.ª Condessa da Anadia.[5][6] Casou com o seu tio materno Manuel de Sá Pais do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino, 5.º senhor de Abrunhosa e Vila Mendo, que assim se tornou Conde da Anadia pelo casamento.[2][3][4]
O 4.º Conde da Anadia, José Maria de Sá Pereira e Meneses Pais do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino (1839 — 1870), foi oficial-mor honorário da Casa Real e senhor de vários morgados.[2][3][4][5][6]
Sucedeu-lhe o filho, Manuel Pais do Amaral Pereira e Meneses Quifel Barbarino (1862 — 1903), 5.º Conde, que casou com D. Maria da Graça Biester de Barros Lima. Exerceu igualmente cargos da Casa Real e manteve os vínculos familiares aos principais morgados.[2][3][4]
O título passou depois ao seu filho, José de Sá Pais do Amaral Pereira de Meneses (1890 — 1945), 6.º Conde, moço-fidalgo com exercício no Paço. Fixou residência em Paris em 1911.[2][3][4]
Propriedades
[editar | editar código]A Casa dos Paes do Amaral, cuja origem remonta aos finais do século XVI, desenvolveu-se ao longo dos séculos até ganhar centralidade na história dos Condes de Anadia, especialmente após o casamento, no século XIX, de Manuel Paes de Sá do Amaral d’Almeida e Vasconcelos Quifel Barberino, 11.º Senhor da Casa de Mangualde, com D. Maria Luísa de Sá Pereira de Menezes Sottomayor, 3.ª Condessa de Anadia.[2][3][4] A partir desse momento, o então conhecido Palácio dos Paes do Amaral passou a ser designado como Palácio dos Condes de Anadia, vindo a acolher a instalação do marechal Massena em 1810, o envolvimento político do 3.º Conde nas lutas miguelistas, a administração final dos morgadios pelo 4.º Conde após a sua abolição em 1863, e a receção régia organizada pelo 5.º Conde em 1882 aquando da inauguração da Linha da Beira Alta. Classificado como imóvel de interesse público desde 1978, o palácio permanece na posse da família e foi aberto ao público pelo 7.º Conde de Anadia, preservando-se como um exemplar de arquitetura civil rococó.[7][8][9][10][11][12]
Viscondes de Anadia (1786)
[editar | editar código]| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | João Rodrigues de Sá e Melo | 1755 — 1809 | 1.º Visconde da Anadia | Título concedido em 1786 por D. Maria I;[2][3][4] |
Condes de Anadia (1808)
[editar | editar código]| # | Titular | Datas | Títulos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 1 | João Rodrigues de Sá e Melo | 1755 — 1809 | 1.º Conde da Anadia | Também 1.º Visconde da Anadia; Foi elevado a Conde, por Carta de 17 de dezembro de 1808, por Príncipe Regente D. João; Casou com D. Maria Antónia de Carvalho Cortês de Vasconcelos, filha de Manuel António Cortês de Vasconcelos, fidalgo da Casa Real e senhor do morgado de Santa Eufémia; Não teve descendência;[2][3][4] |
| 2 | José António de Sá Pereira | 1731 — 1813 | 2.º Conde da Anadia | Tio materno do 1.º Conde da Anadia; Foi também 1.º Visconde de Alverca; Casou, a 2 de fevereiro de 1799, com D. Maria Joana de Sá e Meneses, filha de Simão Pais do Amaral, 2.º senhor de Abrunhosa e Vila Mendo, e de D. Isabel Luísa de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino; Teve uma filha, D. Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomayor, que sucedeu como 2.ª Viscondessa de Alverca e 3.ª Condessa da Anadia;[2][3][4][5][6] |
| 3 | Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomayor | 1801 — 1861 | 3.ª Condessa de Anadia | Única filha do 2.º Conde da Anadia; Foi nela que se verificou a segunda vida do título de Visconde de Alverca, sendo também a 3.ª Condessa de Anadia; Casou com o seu primo, Manuel de Sá Pais do Amaral; Teve descendência deste casamento;[2][3][4][5][6][13][11] |
| Manuel de Sá Pais do Amaral | 1781 — 1859 | 3.º Conde da Anadia | Foi 3.º Conde, por direito da sua mulher; Filho de Simão Pais do Amaral, irmão da mulher do 2.º Conde; Casou com a sua prima, Maria Luísa de Sá Pereira de Meneses e Melo Sotomayor; Teve descendência deste casamento;[2][3][4][5][6] | |
| 4 | José Maria de Sá Pereira e Meneses Pais do Amaral de Almeida e Vasconcelos Quifel Barbarino | 1839 — 1870 | 4.º Conde da Anadia | Filho dos 3.ºs Condes da Anadia; Casou em 1861, com D. Ana Maria Juliana de Morais Saramago, filha do 2.º Visconde da Torre de Moncorvo; Teve descendência deste casamento, embora a Condessa passou a segundas núpcias com o Conde de Vilar Seco; Sucessor do título de Visconde de Alverca e Conde de Alferrarede;[2][3][4] |
| 5 | Manuel Pais do Amaral Pereira e Meneses Quifel Barbarino | 1862 — 1903 | 5.º Conde da Anadia | Filho primogénito do 4.º Conde da Anadia; Casou com D. Maria da Graça Biester de Barros Lima (1871 — 1902); Teve descendência deste casamento;[3][4] |
| 6 | José de Sá Pais do Amaral Pereira de Meneses[2] | 1890 — 1945 | 6.º Conde da Anadia | Filho primogénito do 5.º Conde da Anadia; Casou em Paris, em 1929, com Doña Ester Salvegra Tomkinson, de nacionalidade argentina, não deixando descendência; |
Representantes do título na República (1910)
[editar | editar código]| # | Titular | Datas | Títulos pretendidos | Notas |
|---|---|---|---|---|
| 7 | Manuel de Sá Pais do Amaral[2] | 1925[2] — 2020 | 7.º Conde da Anadia[2] | Sobrinho do anterior, era filho de Miguel de Sá Pais do Amaral e de D. Carolina Correia de Sá, filha do 9.º Visconde de Asseca; Casou em 1953 com D. Maria Mafalda de Figueiredo Cabral da Câmara, de quem teve um filho;[2][3][4][11][14] |
| 8 | Miguel Maria de Sá Pais do Amaral[2] | n. 1954[2] | 8.º Conde da Anadia | Filho do anterior e atual representante do título;[15][11] É engenheiro mecânico, empresário e piloto amador do automobilismo português;[14] Tem duas filhas;[2][16][14] |
Referências
[editar | editar código]- ↑ "Nobreza de Portugal e do Brasil", Direcção de Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 2.ª Edição, Lisboa, 1989, Volume Segundo, pp. 278-9
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal. 1. Lisboa: Edição do IPH. p. 222-224
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 278-279
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha Das Familias Titulares e Grandes de Portugal. 1. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 91-98
- ↑ a b c d e «[:pt]Resenha história - Condes de Anadia e Pais do Amaral - Palácio Anadia[:en]Introduction and Overview - Condes de Anadia and Paes do Amaral Family[:]». Palácio dos Condes de Anadia. Consultado em 26 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e «Genealogia dos Senhores da Casa de Mangualde - Palácio Anadia». Palácio dos Condes de Anadia. Consultado em 26 de agosto de 2025
- ↑ Tavares, António (2024). O PATRIMÓNIO arquitetónico e arqueológico CLASSIFICADO DE MANGUALDE. Mangualde, Viseu: Município de Mangualde. pp. 157–167
- ↑ de Cadaval, Diana (2015). Palácios e casas senhoriais de Portugal. Lisboa: A esfera dos livros. p. 91-93. ISBN 978-989-626-702-5
- ↑ Alves, Alexandre (1972), “O Palácio dos Paes de Amaral, Condes de Anadia, em Mangualde”, Beira Alta, vol. XXXI, pp. 77-88
- ↑ «Palácio dos Condes de Anadia / Casa dos Condes de Anadia». Associação Portuguesa dos Jardins Históricos. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ a b c d «Conde de Anadia: A Touriga reinterpretada». www.revistadevinhos.pt. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Monumentos». www.monumentos.gov.pt. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Palácio dos Condes de Anadia». Portugal By Wine - Wine Tourism in Portugal (em inglês). Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ a b c Dias, Salome (11 de maio de 2024). «Por Nelson Henriques Cerveira: Figuras de Anadia». Jornal de Anadia. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Quinta do Bom Sucesso». Casa Anadia. Consultado em 16 de novembro de 2025
- ↑ «Miguel Pais do Amaral». Casa Anadia. Consultado em 16 de novembro de 2025

