Cristianismo e violência

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As Cruzadas foram uma série de campanhas militares travadas principalmente entre os Europeus Cristãos e Muçulmanos. Acima, uma representação da Primeira Cruzada.

Cristãos têm divergido bastante sobre diversos pontos de vista em relação à violência e não-violência durante o tempo. Atualmente, existem quatro pontos de vista e práticas dentro do Cristianismo sobre violência e guerra: a não-resistência, o pacifismo Cristão, a Guerra Justa, e as Cruzadas (Guerra Santa ou preventiva).[1] Conceitos como "Guerra Santa", pelo qual a luta em si pode ser vista como um ato meritório por se trata de uma penitência espiritual, não surgiu antes do século XI.[2][3] O conceito de "Guerra Justa", que limitou os usos da guerra, tem sua origem em pensadores romanos e gregos não-cristãos, como Cícero e Platão.[4] Apesar desta teoria ser adaptada posteriormente por pensadores Cristãos, como Santo Agostinho, a perspectiva não era baseada no Novo Testamento. A "Guerra Justa" foi amplamente aceita no início e dividiu pessoas que não viam nas guerras uma atividade virtuosa e outras que viam na guerra uma oportunidade de de obter a salvação espiritual. Apesar dessas divergências, as guerras eram comuns para ambas as partes.

Bíblia[editar | editar código-fonte]

Having Their fling (1917) pelo cartunista Art Young.

A Bíblia inclui vários textos a respeito e descrevendo a violência.[5][6]

Leigh Gibson[quem?] e Shelly Matthews, professores associados de Religião na Universidade Furman,[7] escreveram que alguns estudiosos, tais como René Girard, "enalteceram o Novo Testamento como se, de alguma forma, possuísse o antídoto para a violência do Antigo Testamento". De acordo com John Gager, tal análise defende os pontos de vista do herege Marcião de Sinope (c. 85-160), que diferenciou o Deus do Antigo Testamento, como responsável pela violência, e o Deus do Novo Testamento, dotado de misericórdia.[8]

Mahatma Gandhi abraçou o conceito da não-violência que ele tinha encontrado nas Religiões indianas e no Novo Testamento (por exemplo, o Sermão da montanha), que ele utilizou na sua estratégia de lutas sociais e políticas.[9]

Violência cristã[editar | editar código-fonte]

Eu Acredito na Espada e no todo-Poderoso Deus (1914). Charge Antimilitarista por Boardman Robinson.

J. Denny Weaver, professor emérito de Religião na Universidade Bluffton,[10] sugere como exemplos comuns de violência no Cristianismo "as cruzadas, as múltiplas bênçãos de guerras, os papas guerreiros, sustentação da pena de morte, a agressão física como forma de disciplinar a criança, a justificação da escravidão, o colonialismo mundial em nome da conversão ao Cristianismo, a violência sistêmica como forma de subjugação das mulheres para os homens".[11] De acordo com muitos historiadores, a Reviravolta de Constantino transformou o Cristianismo em uma religião perseguida para uma que persegue.[12]

Miroslav Volf identificou a intervenção de uma "nova criação", a Segunda Vinda, como um aspecto particular do Cristianismo que gera a violência.[13] Ao escrever sobre isto, Volf diz: "Partindo, pelo menos, da conversão de Constantino, os seguidores do Crucificado cometeram atos horríveis de violência sob o sinal da cruz. Ao longo dos séculos, as estações de Quaresma e a Semana Santa foram, para os Judeus, momentos de medo e apreensão; os Cristãos cometeram alguns dos piores massacres devido à crucificação de Cristo, cuja culpa é atribuída aos Judeus. Os muçulmanos também associaram a cruz com violência; massacres dos cruzados foram realizados sob o sinal da cruz."[14]

A declaração atribuída a Jesus "Não vim trazer a paz, mas a espada", tem sido interpretada por alguns como uma chamada às armas para os Cristãos. Mark Juergensmeyer argumenta que "apesar de seus princípios centrais de amor e de paz, o Cristianismo —como a maioria das tradições — sempre teve um lado violento. A história sangrenta da tradição forneceu imagens perturbadoras e violentas de conflitos que são vividamente retratadas na Bíblia. Essa história e essas imagens bíblicas forneceram a matéria-prima para a justificação teológica da violência contemporânea de grupos Cristãos. Por exemplo, ataques de clínicas de aborto têm sido vistos não só como investidas a uma prática que os Cristãos consideram como imoral, mas também como escaramuças em um grande confronto entre as forças do mal e do bem, que tem implicações políticas e sociais."[15]:19–20  Tais práticas são, por vezes, referidas como Guerra Espiritual.

Nos Estados Unidos, a Constituição tem sido usada para justificar a violência por parte de Cristãos.[16]

De acordo com René Girard,historicamente, muitos Cristãos adotaram a violência quando ela se tornou a religião estatal do Império Romano: "Partindo de Constantino, o Cristianismo alcançou o nível estatal e logo passou a ocultar sua autoridade com perseguições semelhantes àquelas em que os primeiros Cristãos foram vítimas."[17]

Guerra[editar | editar código-fonte]

Santo Agostinho de Hipona, um pensador seminal sobre o conceito de Guerra Justa

Atitudes para com os militares antes de Constantino[editar | editar código-fonte]

O estudo da participação Cristã no serviço militar na era pré-Constantina tem sido muito contestado e gerado uma grande quantidade de literatura.[18]:4

Durante boa parte do século XX, foi formado um consenso em torno da visão de Adolf von Harnack que defende a ideia de que a igreja primitiva era pacifista, que ao longo do segundo e terceiro séculos houve uma acomodação maior com o serviço militar e que a ética de guerra justa teria surgido no tempo de Constantino.[19][20]

Essa visão foi desafiada principalmente pelo trabalho de John Helgeland,[21] nas décadas de 1970 e 1980, que afirmava ser uma distorção da história Cristã.Segundo o autor, a maioria dos primeiros Cristãos se opunham ao serviço militar devido à religião Romana e rituais do exército Romano, e não por causa da matança.[22] Helgeland também afirmou que há uma diversidade de vozes na literatura escrita, bem como a evidência de uma diversidade de práticas de Cristãos. George Kalantzis, Professor de Teologia na Faculdade Wheaton,[23] reconheceu, em 2012, o consenso em torno da visão de Helgeland, mas ficou do lado de Harnack pelo fato de os Cristãos terem sempre se opostos a matar desde o tempo de Constantino.[24]

Há pouca evidência sobre a extensão da participação militar Cristã; as generalizações são geralmente especulações.[25][26] Alguns túmulos de soldados Cristãos foram encontrados.[27]

Guerra justa[editar | editar código-fonte]

A teoria de guerra justa é uma doutrina com raízes na filosofia romana e católica de ética militar,[28][29] estudada por teólogos morais, especialistas em ética e gestores de política internacional, e que considera que um conflito pode e deve atender a critérios da justiça filosófica, religiosa ou política, desde que siga determinadas condições.

O conceito de justificação de guerra, sob certas condições, remonta pelo menos à época dos pensadores romanos e gregos, como Cícero e Platão. No Entanto, a sua importância está ligada à teoria medieval Cristã, iniciada por Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino.[30] De acordo com Jared Diamond, Agostinho de Hipona teve um papel crucial ao delimitar o pensamento Cristão sobre o que constitui uma guerra justa, e sobre como conciliar ensinamentos Cristãos de paz com a necessidade para a guerra em determinadas situações.[31]

Para a frente com Deus! (1915). Charge anti-militarista por Boardman Robinson

Na formulação de Ulrich Luz: "Depois de Constantino, os Cristãos também tinham uma responsabilidade para a guerra e a paz. Já Celso perguntou amargamente se os Cristãos, pelo distanciamento da sociedade, queriam aumentar o poder político dos bárbaros selvagens e sem leis. A sua questão constituía uma nova realidade: a partir de agora, os Cristãos e as igrejas tinham que escolher entre o testemunho do evangelho, que incluía a renúncia da violência, e a participação responsável no poder político, que era entendida como um ato de amor para com o mundo". A Carta a Marcelino (Ep 138), de Agostinho de Hipona, é o mais influente exemplo do "novo tipo de interpretação."[32]

Teóricos da guerra justa combinam a repugnância moral em relação à guerra com uma prontidão para aceitar que a guerra às vezes pode ser necessária. Os critérios da tradição da guerra justa atua como uma ajuda para determinar se recorrer às armas é moralmente admissível. As teorias de guerra justa teorias tentatm "distinguir entre o justificável e o injustificável usos das forças armadas"; elas tentam "conceber como o uso de armas pode ser contido, torná-lo mais humano, e, finalmente, dirigido para o objetivo de estabelecer paz e justiça duradouras".[33]

A tradição da guerra justa aborda a moralidade do uso da força em duas partes: quando é certo recorrer à força armada (a preocupação do jus ad bellum) e o que é aceitável no uso de tal força (a preocupação do jus in bello).[34] Em anos mais recentes, uma terceira categoria — jus post bellum — foi adicionada, a que rege a justiça da cessação de guerra e acordos de paz, bem como o julgamento dos crimes de guerra.

Guerra Santa[editar | editar código-fonte]

Em 1095, no Concílio de Clermont, o Papa Urbano II declarou que algumas guerras poderiam ser considerados não somente como um bellum iustum ("guerra justa"), mas pode, em certos casos, alcançar o nível de bellum sacro (guerra santa).[35] Jill Claster, reitor da Universidade de Artes e Ciências de Nova Iorque,[36] caracteriza essa como uma "notável transformação na ideologia da guerra", deslocando a justificação da guerra como sendo "espiritualmente benéfico".[37] Thomas Murphy[quem?] examinou o conceito de Guerra Santa perguntando "como uma cultura formalmente dedicada a cumprir a premissa 'ame o seu próximo como a ti mesmo" poderia mover para um ponto em que sancionou o uso da violência contra o estrangeiro dentro e fora da sociedade". A sanção religiosa do conceito de "guerra santa" foi um ponto de virada nas atitudes Cristãs em relação à violência: "o Papa Gregório VII fez a Guerra Santa possíveis por alterar drasticamente a atitude da Igreja em relação à guerra... Até então um cavaleiro podia obter a remissão dos seus pecados ao desistir das armas, mas Urbano convidou-o a obter o perdão 'através do exercício dos seus conhecimentos marciais'.". A guerra santa foi definida pela Igreja Católica Romana como uma "guerra que não é apenas guerra injustificada; ela é, uma guerra que confere mérito espiritual àqueles que lutam".[38][39]

No século XII, Bernardo de Claraval escreveu: "'O cavaleiro de Cristo pode atacar com confiança e morrer mais confiante ainda, pois ele serve a Cristo quando ele ataca, e salva a si mesmo quando cai.... Quando ele inflige a morte, é para Cristo o lucro, e quando ele sofre a morte, é o seu próprio ganho."[40]

Jonathan Riley-Smith escreveu,

O consenso entre os Cristãos sobre o uso da violência mudou drasticamente desde que as cruzadas foram travadas. A teoria da guerra justa vigente boa parte dos últimos dois séculos — de que a violência é um mal que pode, em determinadas situações, ser tolerada como o menor dos males — é relativamente jovem. Apesar de ter herdado alguns elementos (os critérios de autoridade legítima, justa causa, direito intenção) da teoria de guerra mais antiga, que se desenvolveu em torno de 400 d.C., rejeitou duas premissas que sustentam todas as guerras justas medievais, incluindo cruzadas: primeiro, que a violência poderia ser empregada em nome das intenções de Cristo para com a humanidade e era até mesmo autorizada diretamente por ele; e, segundo, que ela era uma força moralmente neutra que desenhou com qualquer cor ética as intenções dos autores.[41]

Guerra genocida[editar | editar código-fonte]

O Papa Inocêncio III excomungando albigenses (à esquerda), e o Massacre contra os albigenses pelos cruzados

A descrição bíblica de Josué e a Batalha de Jericó foi usada por Oliver Cromwell para justificar o genocídio contra os Católicos.[42][43] Daniel Chirot, professor de estudos russos e eurásios na Universidade de Washington,[44] interpreta 1 Samuel Predefinição:Bibleverse-nb como "o sentimento, tão claramente expresso, que, devido a um erro histórico cometido, a justiça exige vingança genocida":7–8.

Inquisição[editar | editar código-fonte]

A Inquisição foi um grupo de instituições dentro do sistema jurídico da Igreja Católica cujo objetivo era combater a heresia.[45] A Inquisição espanhola é frequentemente citada na literatura popular e a história como um exemplo de intolerância e repressão católica. O número total de pessoas que foram processadas pela Inquisição em toda a sua história foi de cerca de 150.000; aplicando as porcentagens de execuções que apareceu nos ensaios de 1560-1700 — cerca de 2% — o total aproximado seria de cerca de 3.000 pessoas condenadas à morte. No entanto, é provável que o número de mortes tenha sido superior, tendo em conta os dados fornecidos pelo Dedieu e García Cárcel para os tribunais de Toledo e de Valência, respectivamente.[carece de fontes?]

. É mais provável que entre 3.000 e 5.000 pessoas foram executadas.[46] Cerca de 50 pessoas foram executadas pela Inquisição Mexicana.[47] Incluído no total, são 29 pessoas que foram executadas como "Judaizantes" entre 1571 e 1700 das 324 pessoas que foram condenadas por praticar a religião Judaica.[48]

Ilustração contemporânea do auto-de-fé de Valladolid, na qual catorze Protestantes foram queimados na fogueira por sua fé, em 21 de Maio de 1559.

Na Inquisição portuguesa os principais alvos eram aqueles que haviam se convertido do Judaísmo ao Catolicismo, os Conversos, também conhecido como cristãos-novos ou Marranos, que eram suspeitos de praticar secretamente o Judaísmo. Muitos destes eram originalmente Judeus espanhóis, que haviam deixado a Espanha para Portugal. O número de vítimas é estimado em cerca de 40.000.[49][50] Um foco particular das inquisições espanhola e portuguesa era o problema do Judeu anusim e muçulmano convertido ao Catolicismo, em parte porque esses grupos minoritários foram mais numerosos na Espanha e em Portugal do que em muitas outras partes da Europa, e em parte porque eles eram muitas vezes considerados suspeitos devido à suposição de que tinha secretamente revertido para suas religiões anteriores. A Inquisição de Goa era o escritório da Inquisição portuguesa atuando no Estado da Índia e, no resto do Império português, na Ásia. Ela foi fundada em 1560, brevemente suprimida entre 1774-1778, e finalmente abolida em 1812.[51] Baseado nos registros que sobreviveram, H. P. Salomon e o Rabino Isaac S. D. Sassoon postulam que entre o início da Inquisição, em 1561, e a sua supressão temporária, em 1774, em torno de 16.202 pessoas foram levadas a julgamento pela Inquisição. Deste número, é conhecido que 57 foram condenadas à morte e executadas, e outras 64 foram queimadas em efígie (esta sentença era aplicada àqueles que fugiram ou morreram na prisão; neste último caso, os restos foram queimados em um caixão, ao mesmo tempo, como a efígie).[52] Outros foram submetidos a punições menores ou a penitência, mas o destino de muitos dos que foram julgados pela Inquisição é desconhecido.[53]

A Inquisição romana, durante a segunda metade do século XVI, foi responsável por processar indivíduos acusados de uma ampla variedade de crimes relacionados a doutrinas ou crenças religiosas alternativas. De 75.000 casos julgados pela Inquisição na Itália depois de 1542, em torno de 1.250 terminaram em uma sentença de morte.[54]

O período de julgamentos de bruxas no início da Europa Moderna foi um pânico moral generalizado pela crença de que as malévolas bruxas Satânicas eram uma ameaça à cristandade dos séculos XV ao XVIII.[55] Uma variedade de punições que foram impostas àqueles que foram condenados por bruxaria, inclusive prisão, flagelação, multas, ou o exílio.[56] No Antigo Testamento, Êxodo 22:18 afirma que "Não deixarás viver as feiticeiras".[57] Muitas pessoas enfrentaram a pena de morte como se elas fossem condenados por bruxaria durante este período, sendo queimado na estaca, enforcado na forca, ou decapitado.[58] Da mesma forma, na América Britânica, pessoas condenadas por bruxaria foram enforcados (Ver Bruxas de Salém).[59] O consenso acadêmico sobre o número total de execuções por bruxaria varia entre 40.000 a 60.000.[60]

A base legal para as atividades inquisitoriais veio da bula Ad extirpanda do Papa Inocêncio IV, de 1252, que explicitamente autorizou e definiu as circunstâncias apropriadas para o uso da tortura pela Inquisição como forma de extrair confissões de hereges.[61] Por volta de 1256, os inquisidores que usassem instrumentos de tortura recebiam absolvição.[62] "A esmagadora maioria das sentenças parecem ter consistido em penitências, como vestir uma cruz costurada sobre uma roupa, ir em peregrinação, etc."[63] Quando um suspeito era condenado por não arrependimento de heresia, a lei exigia que o tribunal inquisitorial entregasse-o às autoridades seculares para a sentença final, determinada por um magistrado, que geralmente era a de queimar na fogueira, embora a pena variasse de acordo com a legislação local.[64][65] As leis também incluíam proscrições contra certos crimes religiosos (heresia, etc.), e punições incluindo morte na fogueira, apesar de prisão perpétua ou banimento serem mais utilizados. Assim, os inquisidores, geralmente, sabiam qual seria o destino de qualquer pessoa de forma preventiva, e não podem ser considerados separados do meio de determinar a culpa por seus efeitos.[66]

Exceto para os Estados Papais, a instituição da Inquisição foi abolida na Europa no início do século XIX, após as Guerras Napoleônicas, e nas Américas foi abolida depois das guerras de independência da América Espanhola. A instituição sobreviveu como parte da Cúria Romana (órgão administrativo da Santa Sé), mas, em 1904, ela foi renomeada como "Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício". Em 1965, ela foi rebatizada com o nome de Congregação para a Doutrina da Fé.[67][68]

Cristão terrorismo[editar | editar código-fonte]

O terrorismo cristão compreende atos terroristas cometidos por grupos ou indivíduos que usam as motivações ou objetivos cristãos como legitimação de seus atos. Assim como outras formas de terrorismo religioso, os terroristas cristãos acreditam nas  interpretações dos princípios da  dogmática – neste caso, a Bíblia. Tais grupos citam as escrituras do Antigo Testamento e do Novo Testamento para justificar a violência e o extermínio ou o "Dia do Juízo Final", descrito no Novo Testamento.[69]

Conversões forçadas[editar | editar código-fonte]

Após a Reviravolta de Constantino, o Cristianismo tornou-se parte integrante do governo. Enquanto os antropólogos têm demonstrado que ao longo da história a relação entre religião e política tem sido complexa, não há dúvida que as instituições religiosas, incluindo as cristãs, foram coagidas pelos governos.[70] Agostinho concluiu que a persuasão pelo argumento foi insuficiente para a tarefa de corrigir heresia.[71] Ele defendia a força do governo em sua Epístola 185, Um Tratado sobre a Correção dos Donatistas, justificando a coerção da escritura. Ele cita a visão de Paulo na estrada para Damasco. Ele também cita a parábola do grande banquete em Lucas 14:22-23. Na sua opinião, as dores a curto prazo por causa da salvação eterna era um ato de amor e caridade.[72]

Outros exemplos de conversão forçada ao Cristianismo incluem: a perseguição cristã de Teodósio I contra os pagãos,[73] a conversão forçada e assimilação violenta das tribos pagãs na Europa medieval,[74] a Inquisição, incluindo suas manifestações em Goa, México, Portugal e Espanha, a conversão forçada de crianças indígenas na América do Norte[75] e Austrália,[76] e, desde 1992, a conversão forçada dos Hindus no Nordeste da Índia.[77]

Apoio à escravidão[editar | editar código-fonte]

O Cristianismo primitivo variou em rejeitar, aceitar ou ignorar a escravidão.[78] As primeiras perspectivas cristãs sobre a escravidão foram formados no contexto da raiz do Cristianismo no Judaísmo, e como parte de toda a cultura do Império Romano. Tanto o Antigo e Novo Testamentos reconhecem a existência da instituição da escravidão.

Os ensinamentos cristãos mais antigos sobre a escravidão são os de Paulo, o Apóstolo. Paulo não renunciou a instituição da escravidão. Por outro lado, ele ensinou que os escravos cristãos deveriam servir seus mestres incondicionalmente.[79] Nada na passagem afirma a escravidão como naturalmente válida ou instituída a mando divino. Em vez disso, a discussão de Paulo sobre os deveres dos escravos cristãos e as responsabilidades dos mestres cristãos transforma a instituição, mesmo que não chegue a pedir a abolição total da escravidão. No mundo antigo, o escravo era um objeto. Aristóteles escreveu que não poderia nunca ser a amizade entre um mestre e um escravo, para um master e um slave não têm nada em comum: "um escravo é um instrumento animado, assim como uma ferramenta é um escravo inanimado". As palavras de Paulo são completamente diferentes. Ele chama o escravo de um "escravo de Cristo," aquele que quer fazer "a vontade de Deus" e que vai receber uma "recompensa" para "todo o bem que ele faz". Da mesma forma, o mestre é responsável a Deus pela forma como ele trata o seu escravo que, em última análise, é propriedade de Deus em vez de sua própria. Esta é outra maneira de dizer que o escravo, nada menos do que o mestre, foi feito à imagem de Deus. Como tal, ele possui inestimável valor e de grande dignidade e que deve ser tratado adequadamente. Em tal quadro, a escravidão nunca poderia ser o mesmo tipo de instituição que foi imposta aos não-Cristãos, mesmo que não deixasse de ser escravidão. Foi essa transformação que veio a visualização de todas as pessoas como sendo feitas à imagem de Deus) que, em última análise, destruiu a escravidão.[80] A Tradição descreve o Papa Pio I e o Papa Calixto) I como ex-escravos.[81]

Quase todos os líderes Cristãos anteriores ao final do século XVII reconheceram a escravidão, dentro de limites específicos da Bíblia, de acordo com a teologia cristã.[82] Isso mudou em 1452, quando o Papa Nicolau V instituiu a escravidão hereditária de muçulmanos e pagãos capturados, considerando todos os não-Cristãos como "inimigos de Cristo".[83]

Em Gênesis 9:25-27, a Maldição de Cam diz: "Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos. Disse mais: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo". Este versículo tem sido usado para justificar a escravidão racial, uma vez que "os Cristãos e até alguns Muçulmanos são eventualmente identificados descendentes de Cam como os negros Africanos".[84] Anthony Pagden , afirmou que "Esta leitura do Livro da Gênesis fundiu-se facilmente em um tradição iconográfica medieval em que demônios estavam sempre representados com preto. Mais tarde pseudo-teorias científicas seriam construídos em torno da forma de crânios africanos, da estrutura dental e posturas do corpo em uma tentativa de encontrar um argumento inatacável — enraizado nas mais diversas linguagens persuasivas contemporâneas, como: Direito, Teologia, Genealogia, ou Ciência Natural — onde uma parte da raça humana deve viver em perpétua dívida para com o outro."[85]

Rodney Stark argumenta, em For the Glory of God: How Monotheism Led to Reformations, Science, Witch-Hunts, and the End of Slavery,[86] que o Cristianismo ajudou a acabar com a escravidão em todo o mundo, como fez Lamin Sanneh em Abolitionists Abroad.[87] Estes autores apontam que os cristãos que viram a escravidão como algo errado, baseados em suas convicções religiosas, lideraram o abolicionismo, e muitos dos primeiros defensores da abolição da escravatura foram impulsionados por sua fé Cristã e pelo desejo de realizar a visão de que todas as pessoas são iguais perante Deus.[82]

Os cristãos dos tempos atuais geralmente condenam a escravidão como errada e contrária à vontade de Deus. Apenas grupos periféricos como a Ku Klux Klan e outros grupos de ódio cristãos, nas "franjas" racistas dos movimentos de Reconstrucionismo cristão e a Identidade Cristã, defendem a reinstauração da escravidão. Todos os adeptos do Reconstrucionismo cristão compõem a minoria e são marginalizados entre os conservadores cristãos.[88][89][90] Com essas exceções, todos os grupos de fé cristã condenam a escravidão e vêem essa prática como incompatível com base nos princípios Cristãos.

A violência contra Judeus[editar | editar código-fonte]

Judeus queimados vivos pela suposta profanação da hóstia em Deggendorf, Baviera, em 1337

Uma tensão de hostilidade entre Cristãos para o Judaísmo e o povo Judeu se desenvolveu a partir dos primeiros anos do Cristianismo, persistindo nos séculos posteriores e foi impulsionada por vários fatores, como diferenças teológicas, a suposta unidade cristã de conversão[91] decretada pela Grande Comissão, um mal-entendido entre crenças e práticas judias e a percepção de uma hostilidade judia para com os cristãos.

Essas atitudes foram reforçadas em interpretações da pregação Cristã, a arte e o ensino popular ao longo dos séculos que continham o desprezo pelos Judeus.[92]

O antissemitismo moderno foi inicialmente descrito como o ódio contra os Judeus como uma raça, com sua moderna expressão enraizada nas teorias raciais do século XVIII, enquanto o antijudaísmo é descrito como a hostilidade para a religião Judaica. Contudo, no Cristianismo Ocidental, o antijudaísmo se mesclou eficazmente com o antissemitismo durante o século XII.[93]

Oposição cristã à violência[editar | editar código-fonte]

O Reverendo Martin Luther King, Jr., um proeminente defensor da não-violência cristãos 

Nos primeiros séculos do Cristianismo, muitos Cristãos se recusaram a se envolver no serviço militar. Na verdade, houve uma série de exemplos famosos de soldados que se tornaram Cristãos e se recusaram a entrar em combate depois. Eles foram executados posteriormente por essa recusa.[94] O compromisso com o pacifismo e a rejeição do serviço militar são atribuídas por Mark J. Allman, professor do Departamento de religião e Estudos Teológicos na Faculdade Merrimack,[95] a dois princípios: "(1) o uso da força (violência) foi visto como contrário aos ensinamentos de Jesus e o serviço militar no exército romano era necessário para adorar o imperador como um deus, o que era uma forma de idolatria."[96]

No século III, Orígenes escreveu: "os Cristãos não poderiam matar seus inimigos".[97] Clemente de Alexandria escreveu: "Acima de tudo, os Cristãos não são permitidos para corrigir com violência a inadimplência dos pecados."[98][99] Tertuliano argumentou energicamente contra todas as formas de violência, considerando-se o aborto, a guerra e até mesmo penas de morte judiciais como formas de assassinato.[100][101]

As tradições pacifistas e de resistência à violência continuaram em tempos contemporâneos.[102][103][104]

Várias comunidades e igrejas cristãs atuais foram criadas especificamente para usar a não-violência como parte dos fundamentos de suas crenças, incluindo a objeção de consciência ao serviço militar.[105] Os membros das igrejas pacíficas históricas, como os Quakers, Menonitas, Amish, ou Igreja dos Irmãos se opuseram à guerra partindo da convicção de que a vida Cristã é incompatível com a ação militar, porque Jesus ordena seus seguidores a amar os seus inimigos e recusar-se a violência.[106]

No século XX, Martin Luther King, Jr., adaptou as ideias  não-violentas de Gandhi para uma teologia e política Batista.[107]

No século XXI, feministas cristãs têm chamado a atenção para a oposição da violência contra as mulheres.[108]

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

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Leitura complementar[editar | editar código-fonte]

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  • Collins, John J. Does the Bible Justify Violence? Minneapolis: Fortress, 2004.
  • Hedges, Chris. 2007. American Fascists: The Christian Right and the War on America. Free Press.
  • Lea, Henry Charles. 1961. The Inquisition of the Middle Ages. Abridged. New York: Macmillan.
  • MacMullen, Ramsay, 1989 "Christianizing the Roman Empire: AD 100–400"
  • MacMullen, Ramsay, 1997, "Christianity and Paganism in the Fourth to Eighth Centuries"
  • Mason, Carol. 2002. Killing for Life: The Apocalyptic Narrative of Pro-Life Politics. Ithaca: Cornell University Press.
  • McTernan, Oliver J. 2003. Violence in God's name: religion in an age of conflict. Orbis Books.
  • Thiery, Daniel E. Polluting the Sacred: Violence, Faith and the Civilizing of Parishioners in Late Medieval England. Leiden: Brill, 2009.
  • Tyerman, Christopher. 2006. God's War: A New History of the Crusades. Cambridge, MA: Harvard University Press, Belknap.
  • Zeskind, Leonard. 1987. The ‘Christian Identity’ Movement, [booklet]. Atlanta, Georgia: Center for Democratic Renewal/Division of Church and Society, National Council of Churches.
  • Robert Spencer Religion of Peace?: Why Christianity Is and Islam Isn't, Regnery Publishing, 2007, ISBN 1-59698-515-1
  • Rodney Stark God’s Battalions: The Case for the Crusades, HarperOne, 2010,
  • Schwartz, Regina M. The Curse of Cain: The Violent Legacy of Monotheism. Chicago: University of Chicago Press, 1998.