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Cutzinas

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Cutzinas
Líder tribal mouro
Reinado fl. 534 - janeiro de 563
Descendência Filhos de nome desconhecido
Nascimento século VI
Morte janeiro de 563
Religião paganismo berbere

Cutzinas (em grego: Κουτζίνας; transl.: Koutzínas m. janeiro de 563) foi um líder tribal bérbere dos mastrácios que desempenhou um importante papel nas guerras do Império Bizantino contra as tribos berberes na África em meados do século VI, lutando contra e pelos bizantinos. Um acérrimo aliado bizantino durante os últimos estágios da rebelião bérbere, permaneceu um vassalo imperial até ser assassinado em 563 pelo novo governador bizantino da Prefeitura pretoriana da África.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Localização do monte Aurásio (atual Aurès) na Argélia

Cutzinas foi de origem mista: seu pai era um bérbere, enquanto sua mãe veio da população romanizada do Norte da África.[1] Após a reconquista do Norte da África pelo Império Bizantino na Guerra Vândala (533–534), várias revoltas das tribos bérberes nativas eclodiram nas províncias locais. Cutzinas é mencionado pelo historiador e testemunha ocular Procópio de Cesareia como um dos líderes da rebelião na província de Bizacena, junto com Esdilasas, Medisiníssas e Iurfutes. Na primavera de 535, contudo, os rebeldes foram derrotados pelo comandante militar bizantino Salomão nas batalhas de Mames e Burgaon, e Cutzinas foi forçado a fugir para o monte Aurásio, a leste na Numídia, onde procurou a proteção do líder bérbere local, Iaudas.[2][3]

Cutzinas desaparece do registro até 544, quando é citado pelo poema épico João (Iohannis) do escritor romano-africano Flávio Crescônio Coripo como um aliado dos bizantinos e amigo de Salomão.[1] Naquele ano, a rebelião bérbere, suprimida por Salomão após sua pacificação das tribos do monte Aurásio em 540, irrompeu novamente em Tripolitânia e rapidamente espalhou para Bizacena, onde os bérberes rebelaram-se sob a liderança de Antalas.[4][5] Desta vez Cutzinas opôs-se a revolta, e trouxe seu próprio povo, os mastrácios (a leitura do nome é incerta) para o lado do exército bizantino.[6] Neste mesmo ano, Salomão foi morto em batalha, e pelo ano seguinte a posição bizantina na África desintegrou-se diante dos rebeldes.[4]

África romana, com as províncias de Bizacena, Zeugitânia e Numídia

No final de 545, Cutzinas e Iaudas juntaram-se a Antalas em uma marcha contra Cartago, a capital e principal fortaleza do governo bizantino na África. Cutzinas secretamente negociou com o governador bizantino, Areobindo, para trair Antalas, quando a batalha iniciasse; Areobindo, contudo, revelou isso para Guntárico, um comandante bizantino que estava em contato com Antalas e planejava trair o governador. Para ganhar tempo, Guntárico aconselhou que Areobindo tomasse os filhos de Cutzinas como reféns. No evento, Guntárico lançou uma revolta em Cartago que Areobindo falhou em suprimir, resultando em sua execução e a usurpação do governo por Guntárico.[7] Após seus planos serem revelados por Guntárico para Antalas, Cutzinas mudou de lado mais uma vez e aliou-se com o primeiro, dando sua mãe e filho como reféns. Junto com o comandante armênio Artabanes, ele foi enviado para perseguir Antalas, alcançando uma vitória sobre as forças rebeldes perto de Hadrumeto.[8]

No inverno de 546/547, quando João Troglita, o novo governador e comandante-em-chefe, chegou na África, Cutzinas e seus seguidores juntaram-se a ele, e participaram na expedição que causou a derrota e submissão de Antalas.[9] Logo depois, Cutzinas recebeu o posto militar supremo de mestre dos soldados de Troglita. No verão de 547, acompanhou Troglita em sua campanha contra as tribos tripolitanas sob Carcasan. Antes da batalha de Marta, advogou atacar as forças rebeldes, mas o exército bizantino foi pesadamente derrotado por Carcasan e Antalas, que mais uma vez ergueu-se em revolta.[10][11] No mesmo inverno, Cutzinas confrontou outro líder bérbere pró-bizantino, Ifísdeas. A disputa deles ameaçou entornar num conflito armado aberto, mas a intervenção de Troglita evitou isso e João efetuou a reconciliação entre eles.[12][13]

Na primavera de 548, participou mais uma vez na campanha de Troglita, de acordo com Coripo como chefe de não menos que 30 000 homens, divididos em unidades de 1 000 soldados, cada qual comandada por um duque bérbere. Este número possivelmente também inclui tropas bizantinas colocadas sob comando de Cutzinas. Durante a campanha, Cutzinas e os demais líderes bérberes foram cruciais na supressão dum quase motim das tropas bizantinas devido a estratégia de terra queimada de Antalas. O inabalável apoio dos bérberes permitiu que Troglita superasse a crise e liderasse seu exército contra as forças de Carcasan e Antalas. Cutzinas lutou na Batalha dos Campos de Catão, que foi uma decisiva vitória bizantina: Carcasan caiu, e a revolta bérbere foi esmagada, com Antalas e os líderes sobreviventes se submetendo a Troglita.[11][14] Depois disso, Cutzinas permaneceu como vassalo, recebendo pagamento regular das autoridades bizantinas. Em janeiro de 563, no entanto, o prefeito pretoriano João Rogatino recusou-se a pagá-lo, e quanto Cutzinas foi coletar seu pagamento acabou assassinado. Como consequência, os filhos do primeiro rebelaram-se.[15]

Referências

  1. a b Martindale 1992, p. 366.
  2. Martindale 1992, p. 366, 1170–1171.
  3. Bury 1958, p. 140–141, 143.
  4. a b Martindale 1992, p. 1175.
  5. Bury 1958, p. 145.
  6. Martindale 1992, p. 366-367.
  7. Martindale 1992, p. 108–109, 367.
  8. Martindale 1992, p. 126, 367.
  9. Martindale 1992, p. 367.
  10. Martindale 1992, p. 367, 647–648.
  11. a b Bury 1958, p. 147.
  12. Martindale 1992, p. 367; 613.
  13. Diehl 1896, p. 376-377.
  14. Martindale 1992, p. 367–368, 648–649.
  15. Martindale 1992, p. 368.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Bagnell (1958). History of the Later Roman Empire: From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian, Volume 2. Mineola, Nova Iorque: Dover Publicações, Incorporated. ISBN 0-486-20399-9 
  • Diehl, Charles (1896). L'Afrique Byzantine. Histoire de la Domination Byzantine en Afrique (533–709). Paris: Ernest Leroux 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-20160-8