DNA não codificante

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Em genética, DNA não codificante descreve o DNA que não contém instruções para fazer proteínas (ou outros produtos celulares tais como o RNA não-codificante). Em eucariontes, uma grande percentagem do tamanho total do genoma de muitos organismos é composto por DNA não-codificante (um facto conhecido como "C-value enigma"). Algum do DNA não-codificante está envolvido na regulação da actividade das regiões codificantes. No entanto, muito deste DNA não tem função e por vezes é referido como "junk DNA". DNA não codificante também pode ser chamado por intrão ou intrões no plural. Na síntese proteica, no processo de transcrição, a célula do mRNA(RNAmensageiro) sofre maturação (ou splicing), onde são retirados os intrões. Ou seja, o DNA não-codificante dos exões.

O projecto Enciclopedia de Elementos do ADN (ENCODE)[1] descobriu, através de abordagens bioquímicas directas, que pelo menos 80% do ADN do genoma humano possui atividade bioquímica.[2] Embora esta não fosse necessariamente uma questão inusitada, devido a décadas de pesquisa na descoberta de várias regiões não codificantes funcionais, esta conclusão foi criticada por alguns cientistas por confundir atividade bioquímica com função biológica.[3] [4] [5] [6] [7] Estimativas para a fração biologicamente funcional do nosso genoma com base na genómica comparativa, variam entre 8 e 15%.[8] [9] [10] No entanto, outros apresentam-se contrários em basear-se exclusivamente em estimativas da genómica comparável, devido ao seu limitado escopo, para além de que o ADN não codificante foi comprovado estar envolvido na atividade epigenética e ser responsável pela complexidade das espécies.[11] [9] [12] [13]

Fração do DNA não codificante[editar | editar código-fonte]

A quantidade de DNA varia muito entre os organismos, assim também a proporção do DNA codificante e o não codificante. Mais de 98% do genoma humano não codifica proteínas, incluindo os introns e o material da região intergênica.[14]

O tamanho total do genoma, e por extensão do montante não codificante tem relação com a complexidade dos organismos, com exceções. Por exemplo, o genoma do unicelular Polychaos dubium (anteriormente conhecida como Amoeba dubia) foi descrita como tendo 200 vezes o tamanho do genoma humano.[15]

Referências

  1. The ENCODE Project Consortium; Dunham; Aldred; Collins; Davis; Doyle; Epstein; Frietze; Harrow; Kaul; Khatun; Lajoie; Landt; Lee; Pauli; Rosenbloom; Sabo; Safi; Sanyal; Shoresh; Simon; Song; Altshuler; Birney; Brown; Cheng; Djebali; Dong; Dunham; et al. (2012). «An integrated encyclopedia of DNA elements in the human genome». Nature [S.l.: s.n.] 489 (7414): 57–74. Bibcode:2012Natur.489...57T. doi:10.1038/nature11247. PMC 3439153. PMID 22955616. 
  2. Pennisi, E. (Sep 2012). «Genomics. ENCODE project writes eulogy for junk DNA». Science [S.l.: s.n.] 337 (6099): 1159, 1161. doi:10.1126/science.337.6099.1159. PMID 22955811. 
  3. Robin McKie (24 de fevereiro 2013). «Scientists attacked over claim that 'junk DNA' is vital to life». The Observer [S.l.: s.n.] 
  4. Sean Eddy (2012) The C-value paradox, junk DNA, and ENCODE, Curr Biol 22(21):R898–R899.
  5. Doolittle, W. Ford (2013). «Is junk DNA bunk? A critique of ENCODE». Proc Natl Acad Sci USA [S.l.: s.n.] 110 (14): 5294–5300. Bibcode:2013PNAS..110.5294D. doi:10.1073/pnas.1221376110. PMC 3619371. PMID 23479647. 
  6. Palazzo, Alexander F.; Gregory, T. Ryan (2014). «The Case for Junk DNA». PLoS Genetics [S.l.: s.n.] 10 (5): e1004351. doi:10.1371/journal.pgen.1004351. ISSN 1553-7404. 
  7. Dan Graur, Yichen Zheng, Nicholas Price, Ricardo B. R. Azevedo1, Rebecca A. Zufall and Eran Elhaik (2013). «On the immortality of television sets: "function" in the human genome according to the evolution-free gospel of ENCODE» (PDF). Genome Biology and Evolution [S.l.: s.n.] 5 (3): 578–90. doi:10.1093/gbe/evt028. PMC 3622293. PMID 23431001. 
  8. Ponting, CP; Hardison, RC (2011). «What fraction of the human genome is functional?». Genome Research [S.l.: s.n.] 21: 1769–1776. doi:10.1101/gr.116814.110. PMC 3205562. PMID 21875934. 
  9. a b Kellis, M.; et al. (2014). «Defining functional DNA elements in the human genome». PNAS [S.l.: s.n.] 111 (17): 6131–6138. Bibcode:2014PNAS..111.6131K. doi:10.1073/pnas.1318948111. PMC 4035993. PMID 24753594. 
  10. Chris M. Rands, Stephen Meader, Chris P. Ponting and Gerton Lunter (2014). «8.2% of the Human Genome Is Constrained: Variation in Rates of Turnover across Functional Element Classes in the Human Lineage». PLoS Genet [S.l.: s.n.] 10 (7): e1004525. doi:10.1371/journal.pgen.1004525. PMC 4109858. PMID 25057982. 
  11. Carey, Nessa (2015). Junk DNA: A Journey Through the Dark Matter of the Genome Columbia University Press [S.l.] ISBN 9780231170840. 
  12. Mattick JS, Dinger ME (2013). «The extent of functionality in the human genome». The HUGO Journal [S.l.: s.n.] 7 (1): 2. doi:10.1186/1877-6566-7-2. 
  13. Morris, Kevin, : (2012). Non-Coding RNAs and Epigenetic Regulation of Gene Expression: Drivers of Natural Selection (Norfolk, UK: Caister Academic Press). ISBN 1904455948. 
  14. Elgar G, Vavouri T (2008). «Tuning in to the signals: noncoding sequence conservation in vertebrate genomes». Trends Genet. [S.l.: s.n.] 24 (7): 344–52. doi:10.1016/j.tig.2008.04.005. PMID 18514361. 
  15. Gregory TR, Hebert PD (1999). «The modulation of DNA content: proximate causes and ultimate consequences». Genome Res. [S.l.: s.n.] 9 (4): 317–24. doi:10.1101/gr.9.4.317. PMID 10207154. 
  • Bennett, M.D. and I.J. Leitch (2005). «Genome size evolution in plants». In: T.R. Gregory (ed.). The Evolution of the Genome (San Diego: Elsevier). pp. 89–162. 
  • Gregory, T.R (2005). «Genome size evolution in animals». In: T.R. Gregory (ed.). The Evolution of the Genome (San Diego: Elsevier). 
  • Carroll, Sean B.; et al. (2008). «Regulating Evolution». Scientific American Scientific American Inc. [S.l.] pp. 60–67. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]