E pur si muove!

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Galileo diante do Santo Oficio, pintura do século XIX, por Joseph-Nicolas Robert-Fleury.

Eppur si muove ou E pur si muove (mas se movimenta ou no entanto ela se move, em português) é uma frase polêmica e difundida como verdade, que segundo se diz Galileo Galilei pronunciou depois de renegar a visão heliocêntrica do mundo perante o tribunal da Inquisição.

Simbolismo da frase[editar | editar código-fonte]

Diz a história, comprovadamente irreal, que o matemático, físico e filósofo italiano Galileu Galilei murmurou esta frase depois de sinceramente rever seu posicionamento em 1633, diante da Inquisição, de sua defesa não baseada em metodologia científica, de que a Terra se move em torno do Sol. Mais abaixo explica-se o porquê da imprecisão.

No momento do julgamento de Galileo, a visão dominante entre os teólogos, filósofos e cientistas em geral era de que a Terra seria estacionária, baseada em conceitos aristotélicos, e de fato o centro do universo. Tendo sido um homem e cientista polêmico durante toda a vida, criara muitos adversários. Segundo a Enciclopédia Mirador Internacional (verbete Galileu): era “de um estilo de grande vivacidade, freqüentemente irônico e mordaz, pois era um temperamento polêmico”.[2]

Perante sua verve incontinente mordaz e, a certa altura, sua insistente difusão da Teoria Heliocêntrica como verdade não comprovável ainda cientificamente, e baseando-se em conceitos irremediavelmente incorretos (dentre os quais o principal defendido por ele era o das Marés), envolveu-se em diversas discussões e de conhecimento público, quando deveriam limitar-se aos meios acadêmicos da época. Hoje percebe-se que o erro dele foi ir de encontro ao próprio corolário do pensamento científico: só cite como verdade algo que é possível provar, reproduzir, registrar.

Para piorar, em meio às discussões, vendo que suas suposições científicas não se sustentavam, passou a recorrer à defesa um tanto intransigente da modificação de passagens bíblicas, passando assim à discussão teológica e não mais no campo da ciência.

Ora, naquele momento histórico a Igreja combatia o pensamento protestante, que eclodia na época defendendo a livre interpretação das Sagradas Escrituras, posição que não é aceita até hoje, e que leva a uma infinidade de ideias, até conflitantes entre si.

Tal movimento possibilitou que o acusassem de heresia, crime contra a fé, punível na época até com a morte pelo tribunal da época (a Inquisição), que era o embrião do que se tornaria o modelo de sistema judicial nascente em várias nações da época.

Tendo a simpatia de membros do Santo Ofício italiano e até amizade com o clero, sempre conseguiu condescendência dos julgadores, seja nas faltas, atrasos e justificativas, como nas teses de defesa. Tais julgadores, em seus julgados da primeira inquisição (1616) recomendavam não difundir uma teoria que não poderia ainda provar. Na segunda acusação (1633), recomendavam retratar-se quanto aos seus relatos de mudança das Escrituras Bíblicas. Nos documentos do tribunal, em nenhum momento percebem-se sérias ameaças ao cientista.

Hoje, diversos estudiosos frisam que a maneira de tratar o caso por parte da Igreja foi mais racional e defensora do conceito de pensamento científico que o próprio cientista.

Tendo Galileo corretamente se retratado, jamais sofreu mais do que repreensões e cobrança de se retratar formalmente. Algumas inverdades foram difundidas acerca de maus tratos e tortura, o que era proibido pela Igreja para anciãos e doentes, como ele.

Assim, entende-se que gozou de benefícios, inclusive tendo sido posto sob prisão domiciliar até morrer, podendo escolher diversas residências, em Roma, Florença, Pisa e Siena. Era uma forma de seus admiradores, e até confessores, como o Papa Paulo V, impedí-lo de voltar a se comprometer, uma vez que sua sinceridade e inquietude poderiam lhe trair mais vezes.

Morreu já cego, contando com a assistência de um frade, nove anos após o julgamento, como desejaria qualquer bom cristão, e sob o bom olhar da Igreja.

Não há nenhuma evidência da época que sustente que Galileo murmurou esta expressão em seu julgamento, até porque ao receber a sentença, os registros existentes atestam que o réu o recebeu de joelhos, impossibilitando que este pudesse bater o pé e prolatasse a expressão, conforme se andou propagando por séculos. Certamente teria sido muito imprudente para ele ter feito isso. Tanto que a mais antiga biografia de Galileu, escrita por seu discípulo Vincenzo Viviani, não menciona esta frase, e descreve Galileu como tendo-se retratado sinceramente.

Do ponto de vista simbólico, a frase sintetiza a teimosia no comportamento de estudiosos contra a censura da , a quintessência da rebelião científica contra as convenções de autoridade demonstrando arrogância desnecessária, mesmo quando não seguem as próprias regras de metodologia científica aceitas e consagradas pelo próprio meio, às quais o próprio Galileu prezava, assim como sua Fé. Mesmo assim, até hoje escritores interessadamente difundem a lenda, que segue improvada, como se não tivesse Galileo modificado corretamente seu posicionamento. Disto a lenda, "Eppur si muove!".

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  1. http://cleofas.com.br/ainda-o-caso-galileu-eb-parte-1/
  2. Enciclopédia Mirador Internacional
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  4. http://cleofas.com.br/ainda-o-caso-galileu-eb-parte-2/
  5. http://cleofas.com.br/ainda-o-caso-galileu-eb-parte-3/
  6. http://cleofas.com.br/ainda-o-caso-galileu-eb-final/
  7. Jorge Pimentel Cintra – “Galileu”. Ed. Quadrante, São Paulo, SP, 1987.
  8. Franco Massara – “Os grandes julgamentos da história – Galileu Galilei”. Otto Pierre Editores Ltda., São Paulo, SP.
  9. Estêvão Bettencourt – “O caso Galileu Galilei”. Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, RJ, Ano XXIV, n.º 267, março-abril 1983, p. 90-97.
  10. Mário Viganó – “Algumas considerações sobre o caso Galileu”. Cultura e Fé, Porto Alegre, RS, nº. 32, janeiro-março 1986, p. 11-26.
  11. D. João Evangelista Martins Terra, SJ – “O Negro e a Igreja”. Ed. Loyola, São Paulo, SP, 2ª. ed., 1988.
  12. Estêvão Bettencourt – “História do Cristianismo”. Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, RJ, Ano X, n.º 114, junho 1969, p. 261-272.
  13. Estêvão Bettencourt – “No caso Galileu Galilei: que houve?”. Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, RJ, ANO XXI, n.º 250, outubro 1980, p. 420-428.
  14. Antonio Socci – “Iluminados e caçadores de bruxas”. 30 dias, São Paulo, SP, Ano V, n.º 6, junho 1990, p. 68-71.
  15. Estêvão Bettencourt – “O martelo das feiticeiras”. Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro, RJ, Ano XXXII, n.º 354, novembro 1991, p. 495-508.
  16. Boulanger – “Manual de Apologética”. Livraria Apostolado da Imprensa. Porto, Portugal.
  17. Tüchle e Bouman – “Nova história da Igreja. III – Reforma e Contra-Reforma”. Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 2ª. ed., 1983.
  18. Jorge Pimentel Cintra – “Evolucionismo. Mito e realidade”. Ed. Quadrante, São Paulo, SP. 1988.
  19. Joseph Ratzinger – “O desafio da homologação religiosa”. 30 Dias, São Paulo, SP, Ano V nº. 5, maio 1990, p. 62-67.
  20. Lucio Brunelli – “Galileu, o teólogo”. 30 Dias, São Paulo, SP, Ano VI, nº. 10, novembro 1992, p. 29.
  21. Antonio Socci – “Academia ou política?”. 30 Dias, São Paulo, SP, Ano VII, nº. 1, janeiro 1993, p. 32-35.
  22. L’Osservatore Romano, edição portuguesa, nº. 45 (1.098), 08/11/1992, p. 554-555.