Estado de Chengue

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Estado de Chengue
Zhou dynasty 1000 BC.png
806 a.C.375 a.C. 
Chinese plain 5c. BC-en2.png
States of Zhou Dynasty.png
Chengue no coração dos territórios Chou
Região China
Capital
Países atuais China

Língua oficial Chinês
Religião Religião tradicional

Período histórico
• 806 a.C.  Fundação
• 375 a.C.  Conquista por

Chengue (em chinês: ; transl.: Zheng) foi um Estado do Período Chou (1046–256 a.C.) e Período das Primaveras e Outonos (771–476 a.C.) no condado de Hua, em Xanxim. Foi criado em 806 a.C. como apanágio de Huã (r. 806–771 a.C.), irmão do rei Xuã de Chou (r. 827–782 a.C.), nos domínios reais. Quando serviu como alto ministro de Iou (r. 781–771 a.C.), Huã mudou seu Estado para outra localização a leste, na atual Chenguechou, Honã. Com ajuda de mercadores itinerantes xangues, cultivou as terras reclamadas. Por três gerações, os Chengue serviram na corte como chinguixi (卿士), um dos dois altos ministros, e foram um dos principais grupos que sustentaram a realeza. O chefe Chuangue (r. 743–701 a.C.) foi particularmente ativo nas políticas da corte, derrotando invasores rongues e liderando força aliada contra Estados que não pretendiam se submeter à corte real.[1]

A postura belicosa de Chuangue deixou Pingue (r. 770–720 a.C.) ameaçado e ele nomeou um nobre de Guo como ministro na corte. Chuangue se enfureceu e exigiu explicação, pelo quê Pingue enviou um de seus filhos à corte de Chengue como refém, enquanto pediu que Chuangue enviasse à corte real seu herdeiro aparente. Sob Huã (r. 719–697 a.C.), outro senhor de Guo foi nomeado ministro chefe, enfurecendo Chuangue que atacou as colheitas nos campos reais. Em 707 a.C., Huã mobilizou tropas de Chem, Uei e Cai para atacar Chengue, mas foi derrotado. A vitória fez com que a realeza se tornasse nominal, ao passo que a autoridade efetiva passou a Chengue. Nessa posição, Chengue pôde liderar os Estados aliados em ataques contra os demais que desafiavam sua autoridade e após algumas vitórias, foi quiçá reconhecido por todos os Estados setentrionais, inclusive Chi, Lu, Songue e Uei.[2]

Com a morte de Chuangue em 701 a.C., seus filhos lutaram entre si, com envolvimento de outros Estados, sobretudo Songue. No rescaldo, Chengue perdeu sua liderança.[2] Nos séculos VII e VI a.C., eclodiram constantes guerras entre os Reinos de Jim e Chu. Chengue e Songue estavam no meio caminho entre eles e sofreram muito, em especial Chengue.[3] Em 667 a.C., Huã (r. 685–643 a.C.) de Chi convocou uma conferência dos líderes de Lu, Songue, Chem e Chengue para uma conferência na qual foi eleito líder destes Estados.[4] Com a morte de Uem de Jim (r. 636–628 a.C.), o Reino de Chim atacou Chengue, que à época estava em aliança com Jim. mas em 627 a.C. as forças de Chim foram emboscadas e arrasadas por Jim.[5] Devido a crescente ameaça externa, em 538 a.C., por sugestão do ministro chefe Zi Chã, e procurou cobrar impostos militares sobre pessoas que residiam fora das cidades.[6] No século VI a.C., sua nobreza foi sepultada em vários cemitérios em Xinchengue.[7] Em 375 a.C., o Reino de Hã, um dos sucessores de Jim, ocupou boa parte do território de Chengue e transferiu sua capital para lá.[8][9]

Comércio[editar | editar código-fonte]

Em Chengue, os comerciantes desfrutaram de relacionamento especial com os governantes, uma vez que o Estado lhes dava proteção, enquanto informavam ao tribunal sobre quaisquer condições incomuns em sua profissão. Num caso, um comerciante de jade informou ao tribunal que um delegado de Jim estava tentando comprar algumas peças valiosas de jade; noutro, um negociante de gado informou ao tribunal que viu um exército de Chim a caminho para invadir Chengue e este traficante, a pedido do governo, deu algum gado ao exército invasor como presente de Chengue, indicando ao general Chim que a invasão secreta foi notada.[10]

Chefes de Chengue[editar | editar código-fonte]

Segue a lista de chefes de Chengue:[11]

  • Huã (r. 806–771 a.C.);
  • Uu (r. 770–744 a.C.);
  • Chuangue (r. 743–701 a.C.);
  • Li I (r. 700–697 a.C.);
  • Chao (r. 696–695 a.C.);
  • Zi Uei (r. 694);
  • Zi Ii (r. 693–680 a.C.);
  • Li II (r. 679–673 a.C.);
  • Uem (r. 672–628 a.C.);
  • Mu (r. 627–606 a.C.);
  • Lingue (r. 605 a.C.);
  • Xiangue (r. 604–587 a.C.);
  • Dao (r. 586–585 a.C.);
  • Chengue (r. 584–571 a.C.);
  • Xi (r. 570–565 a.C.);
  • Jiã (r. 564–530 a.C.);
  • Dingue (r. 529–514 a.C.);
  • Xiã (r. 513–501 a.C.);
  • Xengue (r. 500–477 a.C.);

Referências

  1. Hsu 1999, p. 551-552.
  2. a b Hsu 1999, p. 552.
  3. Hsu 1999, p. 556; 560; 562.
  4. Hsu 1999, p. 555.
  5. Hsu 1999, p. 561.
  6. Hsu 1999, p. 573.
  7. Falkenhausen 1999, p. 453; 479.
  8. Lewis 1999, p. 596.
  9. Hung 1999, p. 654.
  10. Hsu 1999, p. 582.
  11. Shaughnessy 1999, p. 16-17.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Falkenhausen, Lothar von (1999). «The Waning of the Bronze Age». In: Loewe, Michael; Shaughnessy, Edward L. Cambridge History of Ancient China. From the Origins of Civilization to 221 B.C. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia 
  • Hsu, Cho-Yun (1999). «The Spring and Autumn Period». In: Loewe, Michael; Shaughnessy, Edward L. Cambridge History of Ancient China. From the Origins of Civilization to 221 B.C. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia 
  • Lewis, Mark Edward (1999). «Warring States Political History». In: Loewe, Michael; Shaughnessy, Edward L. Cambridge History of Ancient China. From the Origins of Civilization to 221 B.C. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia 
  • Shaughnessy, Edward L. (1999). «Calendar and Chronology». In: Loewe, Michael; Shaughnessy, Edward L. Cambridge History of Ancient China. From the Origins of Civilization to 221 B.C. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia 
  • Hung, Wu (1999). «Art and Architecture of the Warring States Period». In: Loewe, Michael; Shaughnessy, Edward L. Cambridge History of Ancient China. From the Origins of Civilization to 221 B.C. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia