Estrada do Caracórum

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Mapa da estrada do Caracórum.

A estrada do Caracórum (em urdu: شاہراہ قراقرم), também chamada de N-35 ou Estrada Nacional N-35 (em urdu: قومی شاہراہ 35), é a estrada pavimentada internacional que alcança maior altitude. Liga a República Popular da China (N35 Karakoram Hwy) ao Paquistão (G314 National Rd) através das montanhas do Caracórum. Conhecida pelos chineses como a "autoestrada da amizade", atravessa o passo de Khunjerab a uma altitude confirmada de 4693 msnm (15397 pés) nas coordenadas geográficas 36º51'N 75º25'40"E.

A estrada do Caracórum, também conhecida pela abreviatura em inglês KKH (Karakoram Highway), une as cidades de Kashgar na China, à capital paquistanesa, Islamabad. O seu percurso, de 1300 km, 400 dos quais são em território chinês, segue parte da antiga Rota da Seda.

A estrada atravessa a zona da região de Caxemira, em eterna disputa entre a Índia e o Paquistão, o que a converteu em ponto de vital importância estratégica e militar.

A estrada do Caracórum foi inaugurada oficialmente no mês de agosto de 1982 no seu trecho no Paquistão e em 1986 no da China, após mais de vinte anos de trabalhos. Trata-se de um projeto conjunto entre o governo do Paquistão e o da China. A construção desta via custou a vida a numerosos trabalhadores, que morreram sobretudo por culpa de quedas ou de deslizamentos de terras. Diz-se que a autoestrada cobrou uma vida por cada um dos seus quilómetros.

Nos últimos anos, esta estrada foi-se convertendo num importante destino turístico graças à beleza e peculiaridade das paisagens que atravessa. Destacam-se o vale de Hunza na fronteira entre Paquistão e China. A rota é atravessada por diversos glaciares, como os que se encontram perto da pequena povoação de Passu ou da de Gulmit.

Devido à sua alta elevação e às difíceis condições em que foi construída, é muitas vezes referida como a Oitava maravilha do mundo[1][2][3].

Turismo[editar | editar código-fonte]

A estrada do Caracórum ao passar na província chinesa de Xinjiang.

Nos últimos anos a estrada do Caracórum foi-se convertendo num destino atrativo para o turismo de aventura. A estrada também tem servido para dar aos montanhistas um acesso mais fácil a muitas altas montanhas, glaciares e lagos na área. Este caminho dá acesso por estrada a Gilgit e Skardu a partir de Islamabad e, atravessando, a fronteira China-Paquistão, comunica com a lendária Tashkurgan.

Depois dos acontecimentos do 11 de setembro em 2001, foi reduzido o tráfego de turistas por essa estrada, pelos problemas políticos no Paquistão. Mesmo assim, voltou a haver grande quantidade de turistas fazendo a rota, embora procedam principalmente de países de língua não inglesa (incluindo muitos europeus).

Montanhas e glaciares[editar | editar código-fonte]

A estrada do Caracórum serve como via de comunicação para a maioria dos picos das áreas do norte do Paquistão e vários picos de Xinjiang na China. As regiões incluem alguns dos glaciares de maior extensão do mundo, como o Glaciar Baltoro. Por esta estrada pode-se aceder de uma ou outra forma aos cinco picos de mais de 8000 metros do Paquistão. Estes incluem:

  • K2, na fronteira entre China e Paquistão. O segundo mais alto do mundo, com 8611 metros.
  • Nanga Parbat, Paquistão, 9.º mais alto do mundo com 8125 metros.
  • Gasherbrum I, no limite entre China e Paquistão, 11.º mais alto do mundo com 8080 metros.
  • Broad Peak, no limite entre China e Paquistão, 12.º mais alto do mundo com 8047 metros.
  • Gasherbrum II-IV, Paquistão, os 13.º e 17.º mais altos do mundo com 8035 e 7.932 metros.
  • Masherbrum (K1), Paquistão, 22.º mais alto do mundo com 7.821 metros.
  • Muztagh Ata, China, 7546 metros.
  • Kongur Tagh, China, 7719 metros.

Lagos[editar | editar código-fonte]

Através da estrada do Caracórum também se pode aceder a vários lagos:

Planícies de Deosai[editar | editar código-fonte]

As planícies de Deosai, as segundas mais altas do mundo, situadas a 4115 metros de altitude, estão a sul de Skardu, a leste do vale de Astore. As planícies cobrem uma área de 3000 km2. Esta área foi declarada Parque Nacional de Deosai em 1993.

Arte rupestre[editar | editar código-fonte]

Há mais de 20000 peças de arte rupestre ao longo da estrada do Caracórum, nas áreas situadas no norte do Paquistão, que se concentram em dez lugares principais entre o Hunza e Shatial. As inscrições foram deixadas por diversos invasores, comerciantes e peregrinos que utilizaram a rota de comércio, bem como por locais. Os mais modernos datam de entre os anos 5000 a.C. e 1000 a.C., mostrando imagens de animais, humanos e cenas de caça nas quais os animais são maiores que os caçadores. Estas imagens foram gravadas na rocha com ferramentas de pedra, e foram-se cobrindo com uma grossa camada de óxido que permite calcular a sua idade.

O arqueólogo Karl Jettmar foi reconstruindo a história da zona através de várias inscrições, e escreveu as suas descobertas nas suas obras Rockcarvings and Inscriptions in the Northern Areas of Pakistan e Between Gandhara and teh Silk Roads - Rock carvings Along the Karakoram Highway.

Serviço de transporte entre Gilgit e Kashghar[editar | editar código-fonte]

Em março de 2006, os respetivos governos anunciaram que a partir de 1 de junho desse ano, haveria um serviço diário de autocarro / ônibus através da fronteira a partir de Gilgit no Paquistão, até Kashgar, na China. Também anunciaram o projeto de alargametno da estrada num trecho de 600 km.[2]

Clima[editar | editar código-fonte]

A melhor época para circular pela estrada do Caracórum é a primavera e o início do outono. No inverno as fortes tempestades de neve podem cortar a estrada por períodos de tempo prolongados, e em julho e agosto as chuvas de monção provocam às vezes avalanches de barro que bloqueiam a estrada durante horas.

O posto de fronteira entre China e Paquistão só está aberto entre 1 de maio e 15 de outubro de cada ano.

Início da estrada do Caracórum no Paquistão.

História[editar | editar código-fonte]

A estrada foi construida pelos governos do Paquistão e da China, e ficou completa em 1978, após vinte anos de trabalho. Na construção morreram várias centenas de trabalhadores chineses e paquistaneses, a maioria em deslizamentos de terras e quedas. A rota que segue a estrada é um dos muitos caminhos da antiga Rota da Seda.

No lado paquistanês a estrada foi construida pela Organização de Trabalhos da Fronteira, utilizando o corpo de engenheiros do exército paquistanês.

Devido ao estado de tensão do conflito entre Índia e Paquistão pela região de Caxemira, a estrada do Caracórum tem uma grande importância estatégico-militar.

Deslizamento de terras de Atabad[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2010 ocorreu um importante deslizamento de terras perto da localidade de Atabad, que implicou o encerramento da Estrada do Carakórum, principalmente pela obstrução do rio Hunza e a posterior inundação do vale, origem do atual lago Attabad. Embora se tenha criado um serviço de transporte fluvial, a sua insuficiência, agudizada pela congelação invernal do lago, bem como as dificuldades encontradas para reduzir a altura do dique, têm obrigado a planificar a construção de um novo traçado para a estrada, que estava previsto finalizar em 2014.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Estrada do Caracórum

Referências

  1. «World record highways – Karakoram». Consultado em 2 October 2010. Arquivado do original em 11 November 2013  Verifique data em: |acessodata=, |arquivodata= (ajuda)
  2. Mahnaz Z. Ispahani (June 1989). Roads and Rivals: The Political Uses of Access in the Borderlands of Asia First ed. [S.l.]: Cornell University Press. p. 191. ISBN 978-0801422201  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Tanveer Naim (2010). «South Asia». UNESCO Science Report (Relatório). UNESCO. p. 342. ISBN 978-9231041327. Consultado em 18 July 2013  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. [1]