Exército Patriótico do Sudão do Sul

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O Exército Patriótico do Sudão do Sul (em inglês: South Sudan Patriotic Army, SSPA abreviado) é uma milícia rebelde do Sudão do Sul que participa na Guerra Civil do Sudão do Sul e serve como ala militar do Movimento Patriótico do Sudão do Sul de Costello Garang Ring.[1] Bem armado e relativamente numeroso, o SSPA opera principalmente no norte de Bahr el Ghazal e é considerado um dos mais poderosos grupos rebeldes no Sudão do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

O Exército Patriótico do Sudão do Sul foi fundado pelo brigadeiro general Agany Abdel Bagi Ayii Akol no norte de Bahr el Ghazal em algum momento entre o início de 2016 e abril de 2017.[2] Desde a sua primeira aparição, o SSPA possuía equipamentos que eram estranhamente sofisticados para um novo grupo rebelde, incluindo uniformes, technicals, metralhadoras PK, RPGs e fuzis Kalashnikov. Observadores nacionais e internacionais observaram que isso pode sugerir um poderoso patrocinador que apoia o grupo.[3]

Assim, tem havido muita especulação sobre possíveis ligações entre o SSPA e vários homens fortes do Sudão do Sul. Um site de notícias argumentou que a milícia poderia ser uma organização de fachada de Paul Malong Awan, o ex-chefe do Estado Maior do Exército Popular de Libertação do Sudão, quando o surgimento da SSPA coincidiu com a chegada do exército particular de Malong, Mathiang Anyoor, no Estado Aweil.[3] Além disso, numerosos seguidores suspeitos de Malong são conhecidos por terem se juntado ao SSPA.[4][5][6] Por outro lado, a milícia compartilha o seu nome com o Movimento Patriótico do Sudão do Sul (SSPM) do político de oposição Costello Garang Ring. Embora inicialmente tenha sido negado que Garang tivesse alguma ligação com a SSPA,[7] o porta-voz da milícia Deng Mareng Deng eventualmente revelou Garang como líder político da SSPA.[8]

Operações[editar | editar código-fonte]

A base inicial do SSPA supostamente era Meram em Aweil, de onde começou a atacar as posições do Exército Popular de Libertação do Sudão em Rumaker no final de abril de 2017.[2] Em junho, a milícia afirmou ter capturado as cidades de Malek Gumel e Warguet, e anunciou os seus planos para conquistar Malualkon, cidade natal de Paul Malong Awan, perto de Aweil. O governo negou oficialmente a queda de qualquer cidade aos rebeldes,[3] enquanto um policia local confirmou que Malek Gumel havia sido conquistado pela SSPA, embora Warguet permanecesse sob controle do Exército Popular de Libertação do Sudão.[9] O SSPA também alegou ter capturado grandes quantidades de armamentos e outros equipamentos durante os combates nas duas cidades. Em agosto de 2017, o SSPA tinha perdido Malek Gumel, no entanto, e lançou outro ataque, assim como contra Majak Wei. Estes assaltos foram repelidos pelos militares do governo.[10]

Em setembro, o SSPA afirmou ter iniciado conversas com outras facções rebeldes para coordenar as suas acções militares. Agany Abdel Bagi Ayii Akol afirmou que os insurgentes formariam uma aliança que incluiria o SSPA, juntamente com as forças leais a Riek Machar, Lam Akol, Thomas Cirillo, Joseph Bangasi Bakosoro[11] e John Uliny. Este último, no entanto, negou que houvesse conversas com o SSPA.[12]

Em outubro de 2017, o SSPA foi considerado uma das maiores ameaças ao governo do Sudão do Sul, tendo obtido "ganhos militares significativos" naquele momento.[7] Apesar disso, o porta-voz da milícia Brig. Gen. Deng Mareng Deng desertou para o governo no final de outubro, citando a sua decepção na direcção política de Costello Garang Ring como razão.[8] Em janeiro e fevereiro de 2018, no entanto, vários seguidores de Malong se juntaram ao SSPA ao lado das suas milícias pessoais. Entre eles estavam Kuol Athuai Hal, Manut Yel Lual e Baak Bol Baak.[4][5][6]

Em 25 de agosto de 2018, o Brig. Gen. Agany declarou-se "líder interino" de todo o Movimento Patriótico do Sudão do Sul, efectivamente destituindo Costello Garang Ring como chefe do partido. Ele alegou que ele havia sido eleito pelas outras figuras importantes do SSPM/A depois que Costello não conseguiu manter o seu compromisso com as negociações de paz em curso em Cartum entre o governo e várias facções rebeldes. O general disse que, consequentemente, entrou nas conversações de paz e poderia "tranquilizar o público de que não há nenhum problema".[13] Costello respondeu afirmando que apoiava totalmente o processo de paz, e Agany não tinha "autoridade" para substituí-lo de qualquer maneira.[14] A disputa continuou até 4 de setembro, quando outro comandante do SSPA anunciou que Agany e Costello haviam-se reconciliado, com o último tendo concordado em "resolver algumas questões administrativas".[1] Mais tarde, esclareceu-se que os desacordos entre os dois seriam resolvidos por um comité de mediação formado pelo Movimento Patriótico do Sudão do Sul e líderes tribais.[15]

Organização[editar | editar código-fonte]

O fundador e líder militar do SSPA é o brigadeiro general Agany Abdel Bagi Ayii Akol, dos dincas[16] e filho do líder tribal Abdel Bagi Ayii Akol.[15] Agany serviu como oficial no Exército Popular de Libertação do Sudão antes de se juntar à rebelião de Peter Gadet contra o governo do Sudão do Sul em 2016.[2] O Brig. Gen. Deng Mareng Deng serviu como porta-voz do grupo[3] até à sua deserção em outubro de 2017.[8] O general Hussein Abdel-Bagi Akol é outro comandante sénior.[1]

A milícia afirma ter 15 mil combatentes sob o seu comando e é dividida em várias sub-unidades, sendo uma delas a brigada Dot Baai (Salva a Pátria). As suas forças consistem principalmente de dincas, mas supostamente conseguiram atrair combatentes de outros grupos étnicos também.[7]

Referências