Festa do Boi Falô

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Festa do Boi Falô, 2010.

A Festa do Boi Falô pertence ao folclore de Barão Geraldo, ainda distrito de Campinas, e foi criada em 1988 pelo subprefeito Attilio Vicentin e o empresário Gilberto Antoniolli (lideranças de Barão Geraldo na época). Nas sextas-feiras santas, são prestadas homenagens à lenda do Boi Falô e uma grande macarronada pública é servida a todos os presentes, relembrando o mito ou lenda local passada de pai para filho. Em 1993, por solicitação do vereador César Nunes, a Festa do Boi Falô foi integrada ao calendário municipal e estadual. Atualmente, tornou-se uma grande organização assumida pela Secretaria de Cultura de Campinas e pela Subprefeitura de Barão Geraldo.

A lenda[editar | editar código-fonte]

É importante lembrar que, como explicou Claude Lévi-Strauss, um dos mais reconhecidos mitólogos da história, todo mito ou lenda tem múltiplas versões diferentes, sempre conservando uma narrativa básica central que liga os seres humanos aos deuses. Sempre relacionada às origens e tempos imemoriais, não importando qual é a narrativa correta, quando e onde aconteceu, mas apenas a mensagem moral e religiosa que transmite.

Conta a tradição que numa Sexta-feira Santa, um capataz da Fazenda Santa Genebra ordenou a um escravo ou trabalhador que fosse buscar alguns bois que estavam deitados num local conhecido como Capão do Boi (onde atualmente está o bairro Jardim Santa Genebra II.) Mas ao chegar ao local para tocar os bois, um dos animais recusou-se a levantar,e ao ser açoitado pelo escravo ou trabalhador, repentinamente o boi disse “Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo”!" O escravo, aterrorizado voltou à sede da Fazenda e contou ao capataz do ocorrido e o próprio capataz foi ao local tocar o boi e também ouviu o boi falar a mesma coisa.

Diversas e inúmeras versões diferentes dessa lenda passaram a circular, umas sem citar se eram brancos ou negros ou escravos, outras envolvendo o próprio Barão Geraldo e seu escravo Toninho, e que, devido à um texto do cronista Jolumá Brito, praticamente foi oficializada pela Prefeitura de Campinas, e que conta que o escravo Toninho, forçado a trabalhar numa Sexta-feira Santa, obedeceu e, chegando ao pasto o boi olhou para ele e disse: "-Toninho, hoje não é dia de trabalhar, hoje é dia de se guardar". O escravo correu e contou o que havia sucedido e, naquele dia, ninguém trabalhou. O capataz, que era homem descrente, virou rezador e Toninho virou escravo doméstico, trabalhando dentro da casa até sua morte, quando foi enterrado ao lado do Barão Geraldo de Rezende, por seus serviços prestados à família.

Tal história porém é inverossímil pois conforme conta Amélia Rezende Martins o escravo Toninho ficou responsável pela Fazenda Santa Genebra por ordem de seu proprietário o Marquês de Valença por volta de 1870, por ser ele um escravo de grande experiência e liderança entre os negros. Foi a ele que o Marquês mandou seu filho Geraldo Ribeiro de Souza Rezende procurar ao assumir a fazenda em 1875 e onde tornou-se capataz até seu falecimento. [1]

Documentário[editar | editar código-fonte]

Entre 2007 e 2008 foi produzido um documentário dramatizado que conta a história do Boi Falô a partir de sua festa anual. O curta-metragem traça um paralelo entre a festa atual e a lenda, pincelando dados históricos que permeiam a única lenda do município de Campinas. A dramatização é uma livre adaptação da lenda, com roteiro de Lilia Gallana e direção de Luiz Gallana, cujo projeto foi premiado com o FICC - Fundo de Investimentos Culturais de Campinas de 2007 - e tem os artistas Ton Crivelaro e William Rodrigues nos papéis principais.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, Amélia R., Barão Geraldo: Um idealista realizador,1949