Gerador de tecnécio-99m

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Um gerador de tecnécio é um dispositivo a partir do qual pode-se retirar o radioisótopo tecnécio-99m (Tc-99m) proveniente do decaimento radioativo do radioisótopo molibênio-99 (Mo-99). O tecnécio-99m é utilizado na produção de radiofármacos usados em medicina nuclear com finalidades diagnósticas,[1] respondendo por 80% a 90% de todos os exames diagnósticos deste tipo.[2][3]

O tecnécio-99m possui uma meia vida de apenas 6 horas, o que é uma característica positiva em se tratando de radiofármacos, pois minimiza a dose de radiação que o paciente recebe durante o exame diagnóstico. Porém esta mesma característica torna-se um problema logístico, em função do tempo gasto no transporte do local de produção até os hospitais nos quais ele será utilizado. O gerador permite que o tecnécio seja produzido no local em que vai ser utilizado.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

Esquema do decaimento radioativo do Mo-99 para o Tc-99m.

O gerador de Tc-99m foi desenvolvido nos laboratórios do Brookhaven National Laboratory, em Nova York (E.U.A), na divisão Hot Lab, principalmente por Walter Tucker e Margaret Geene em 1958 e seu uso na área médica foi promovido por Powell Richards, sendo que o primeiro pesquisador médico a usar o Tc-99m foi Calire Shellbarger do Departamento Médico de Brookhavem no início de 1960.[4][5]

Mecanismo de funcionamento[editar | editar código-fonte]

Diagrama típico de um gerador de tecnécio-99m.

No gerador, o Mo-99 (que possui uma meia vida de 65,94 h), decai para o Tc-99m (com meia vida de 6,02 h). Como a meia-vida do Tc-99m é muito mais curta, os dois radioisótopos atingem o equilíbrio secular e assim a taxa de produção do Tc-99m é aproximadamente constante.[1]

Gráfico apresentando a variação do número de núcleos de Tc-99m em função do tempo. Linha verde = Tc-99m puro; linha vermelha= Tc-99m no gerador (juntamente com o Mo-99); linha azul = Tc-99m no gerador com eluições a cada 12 horas.

O gerador é composto por uma coluna cromatográfica empacotada com alumina (Al2O3) onde onde encontra-se adsorvido, por afinidade eletrônica, o Mo-99, na forma de molibdato (99MoO4). Quando o Mo-99 decai para Tc-99m, forma-se o composto pertecnetato (99mTcO4). O pertecnato tem baixa afinidade pela alumina e é posteriormente extraído na forma química de pertecnetato de sódio (NaTcO4), a partir da injeção de uma solução salina (NaCl 0,9%) no gerador. A coluna é fechada em ambas as extremidades e possui duas agulhas que permitem a entrada e saída do eluente (NaCl). O frasco do eluente é então conectado à agulha de entrada e o frasco coletor (estéril) que está, inicialmente, em vácuo é conectado à agulha de saída. Dessa forma, a diferença de pressão, empurra o eluente pela coluna de alumina, sendo, posteriormente, recolhido no frasco coletor. O gerador é blindado com chumbo para evitar exposições acidentais e proteger o operador.[2][3][6]

Tipicamente, o tempo de eluição é da ordem de 50 segundos e o volume iluído é de 6 ml. A máxima concentração radioativa de Tc-99m é alcançada após um intervalo de 24 h entre as eluições. Porém, eluições em intervalos menores também são possíveis.[6]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

De acordo com a legislação brasileira, os radiofármacos com meia vida superior a duas horas tem a produção como monopólio da União sendo fornecidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).[7] Sendo que o gerador de Tc-99m é produzido exclusivamente pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).[2][8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Ervin B. Podgorsak (2010). «Cap. 12 - Production of radionuclides». Radiation Physics for Medical Physicists (em inglês) 2 ed. New York: Springer. p. 569-571. ISBN 9783642008740 
  2. a b c d T.G. de Sena; F.R.de L. Souza, F.de J.L.Filho, J.W.Vieira, F,R.de A. Lima (2009). «Determinação da presença de molibdênio-99 nas soluções de tecnécio-99m utilizadas nos serviços de medicina nuclear do Recife» (PDF). Rio de Janeiro. International Nuclear Atlantic Conference - INAC 2009 - Anais. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  3. a b F.L.N. Marques; M.R.Y. Okamoto, C.A.Buchpiguel (2001). «Alguns aspectos sobre geradores e radiofármacos de tecnécio-99m e seus controles de qualidade». São Paulo. Radiologia Brasileira. 34 (4): 233-239. ISSN 1678-7099. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  4. Powell Richards (1989). «Technetium-99m: The Early Days» (em inglês). Brookhaven National Laboratory - BNL 43197. 15 páginas. Consultado em 26 de janeiro de 2018 
  5. Brookhaven National Laboratory. «Our History of Discovery». About Brookhaven (em inglês). U.S. Department of Energy (DOE). Consultado em 26 de janeiro de 2018 
  6. a b Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN (2016). «Gerador IPEN-TEC» (PDF). Bula para o profissional de saúde. Consultado em 25 de janeiro de 2018 
  7. «RMB e a Produção de Radiofármacos». Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN. Consultado em 13 de janeiro de 2018 
  8. Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN (2018). «IPEN - produtos e serviços». Gerador IPEN-TEC pertecnetato de sódio (99m Tc). Consultado em 26 de janeiro de 2018