Grupos Dinamizadores

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Os Grupos Dinamizadores foram organizações de base da sociedade que foram criadas em Moçambique pela FRELIMO ("Frente de Libertação de Moçambique", a organização que assumiu o poder político com a Independência) para reforçar o seu controle social e político e permitir a participação dos cidadãos.

Criados ainda durante o governo de transição após os Acordos de Lusaka, foram expandidos a todo o país depois da [[Independência de Moçambique|independência nacional em 25 de Junho de 1975.[1]

Embora não fossem especificamente células da FRELIMO (, os Grupos Dinamizadores eram de facto guiados por orientações e por quadros daquela organização, como aliás, toda a sociedade.

Formaram-se dois tipos de Grupos Dinamizadores:

  • Grupos Dinamizadores de Local de Trabalho, e
  • Grupos Dinamizadores de Local de Residência

Grupos Dinamizadores de Local de Trabalho[editar | editar código-fonte]

Os Grupos Dinamizadores de Local de Trabalho foram formados em todas as empresas, comerciais, industriais ou de serviços e nas repartições públicas, com o objectivo de estimular o aumento da produtividade - criticar os trabalhadores faltosos, assistir a direcção principalmente nas suas relações com os restantes trabalhadores, evitar os roubos - e, mais importante, orientar Sessões de Esclarecimento semanais (aos sábados). Nestas sessões eram analisados os problemas do local de trabalho e discutidas as novas leis e orientações que íam surgindo.

A partir de 1978, esses Grupos Dinamizadores foram substituídos por verdadeiras células da FRELIMO - nesse momento já transformado em Partido Político, de ideologia marxista-leninista. Mais ou menos pela mesma altura, foram igualmente criados os Grupos de Vigilância, que tinham a função de detectar e denunciar - ou tentar eliminar - tentativas de sabotagem económica.

Já nos anos 80, surgiram os Comités Sindicais, que continuam até hoje, enquanto que as restantes estruturas praticamente deixaram de existir.

Grupos Dinamizadores de Local de Residência[editar | editar código-fonte]

Os Grupos Dinamizadores de Local de Residência foram formados em todos os bairros das cidades, com o objectivo de organizar os moradores em várias tarefas colectivas, tais como a vigilância das ruas (nessa altura a polícia não estava ainda organizada), a limpeza ou promoção da higiene colectiva, a alfabetização de adultos e a organização de cooperativas de consumo, entre outras.

Os responsáveis dos Grupos Dinamizadores eram escolhidos pelos militantes mais activos e estabeleciam a ligação com a Sede do Partido em cada cidade. Os moradores escolhiam também Chefes de Quarteirão e Chefes de Dez Famílias que estabeleciam as escalas de serviço. Este sistema era bastante parecido com o que ainda hoje funciona em Cuba.

A certa altura, os Grupos Dinamizadores passaram a ter funções mais administrativas, tais como a emissão de Guias de Marcha para os cidadãos que quisessem deslocar-se para fora da cidade e, mais tarde, documentos equivalentes a Atestados de Residência, necessários para a adesão a uma Cooperativa, para conseguir o Bilhete de Identidade ou para o casamento ou outros actos públicos.

Estas funções continuaram a ser assumidas pelos Grupos Dinamizadores, mas a certa altura (anos 80) já como estruturas do Conselho Executivo da cidade (o governo da cidade) e os seus trabalhadores passaram a ser funcionários daquele órgão. Só com a instituição das autarquias, em 1997, é que estes Grupos Dinamizadores passaram a ser denominados Sedes dos Distritos Urbanos, agora já como órgãos dos Conselhos Municipais.

As funções de dinamização dos moradores para tarefas colectivas foram-se diluindo e praticamente desapareceram nos finais dos anos 80 com a liberalização da economia - as aulas passaram para escolas privadas (a alfabetização foi assumida pelo governo), a polícia organizou-se, as cooperativas passaram a ser verdadeiras empresas e os Conselhos Executivos passaram a assumir as funções de limpeza, inclusivamente contratando empresas privadas para esse fim.

Referências

  1. de Brito, Luís. O sistema Eleitoral, uma dimensão drítica da representação política em Moçambique: 17-30, em Luís de Brito, Carlos Nuno Castel-Branco, Sérgio Chichava, eds. Desafios para Moçambique. Maputo: IESE, 2011. 475 pp. (paper), ISBN 978-989-8464-04-0