Hamida Djandoubi

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Hamida Djandoubi (Tunísia, 1949 - Marselha, 10 de setembro de 1977) foi a última pessoa a ser guilhotinada na França. Ele era um imigrante tunisiano e foi condenado por tortura seguida de assassinato de sua ex-namorada, Elisabeth Bousquet, de 21 anos. Após ter perdido o seu último recurso, foi guilhotinado no alvorecer do dia 10 de setembro de 1977.[1]

O último executado publicamente na guilhotina fora Eugen Weidmann, em 17 de Junho de 1939. Desde então as execuções eram feitas no interior das prisões. A lei que aboliu a pena de morte na França só foi assinada em 30 de Setembro de 1981.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido na Tunísia por volta de 1949, Hamida Djandoubi imigrou para a França em 1968, tendo ido viver em Marselha, onde trabalhava em uma mercearia. Ele passou a trabalhar como paisagista, mas teve um acidente de trabalho em 1971, que resultou na perda de dois terços de sua perna direita.

Em 1973, uma mulher de 21 anos chamada Elizabeth Bousquet, a qual Djandoubi conheceu no hospital enquanto se recuperava de sua amputação, apresentou uma queixa na polícia contra ele, alegando que ele tentou forçá-la a se prostituir.

Após a sua detenção e eventual libertação da custódia durante a primavera de 1973, Hamida Djandoubi serviu como agenciador de duas garotas de programas de sua confiança. Em julho de 1974, ele seqüestrou Elizabeth Bousquet e levou-a para sua residência, onde, à vista das prostitutas que agenciava, agrediu fisicamente Elizabeth e a torturou com um cigarro aceso, queimando-a nos seios e na área genital. Elizabeth Bousquet sobreviveu às agressões e torturas. Sendo assim, Hamida Djandoubi levou-a de carro para os arredores de Marselha e estrangulou-a.

Em seu retorno à casa, Hamida Djandoubi alertou as duas prostitutas a não dizerem nada do que tinham visto. O corpo de Elizabeth Bousquet foi descoberto em um galpão por um menino em 7 de julho de 1974. Um mês depois, Hamida Djandoubi raptou outra menina, que conseguiu fugir e denunciá-lo à polícia.

Após um processo de pré-julgamento longo, Djandoubi finalmente apareceu no tribunal de Aix-en-Provence, acusado de tortura, assassinato, estupro e violência premeditada, em 24 de fevereiro de 1977. Sua principal defesa girava em torno dos supostos efeitos da amputação de sua perna seis anos antes que seu advogado alegou ter levado a um paroxismo de abuso de álcool e violência, transformando-o em um homem diferente. Em 25 de fevereiro, ele foi condenado à morte. O recurso contra sua sentença foi indeferido em 9 de junho, e no início da manhã de 10 de setembro de 1977, Hamida Djandoubi foi informado de que seria executado às 4h40.

A história de vida de Hamida Djandoubi é contada no livro When the Guillotine Fell (“Quando a Guilhotina Caiu”, ainda não traduzido para o português), escrito pelo autor canadense Jeremy Mercer.

Referências

  1. «A guilhotina cai pela última vez na França». Consultado em 23 de março de 2014