Hind bint Utbah

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Hind bint ‘Utbah
هند بنت عتبة
Conhecido(a) por Oponente de Maomé, posteriormente convertida ao Islão, mãe do primeiro califa omíada
Nascimento século VI
Meca
Morte século VII
Cônjuge Abu Sufyan ibn Harb
Filho(s) Muawiya I
Ramla bint Abi Sufyan
Religião Islão

Hind bint ‘Utbah (em árabe: هند بنت عتبة) foi uma mulher árabe que viveu entre o final do século VI e início do século VII, esposa de Abu Sufyan ibn Harb, um homem poderoso de Meca, na Arábia ocidental. Foi a mãe do futuro califa Muawiya I, fundador da dinastia Omíada, e de Ramla bint Abi Sufyan, uma das esposas de Maomé. Hind e Abu Sufyan começaram por ser opositores de Maomé antes de se converterem ao Islão, por isso o seu estatuto de Sahaba (companheira de Maomé) é questionado por muitos muçulmanos, devido às sua ações contra a comunidade muçulmana, em particular um incidente sobre alegado canibalismo no campo de batalha.

Hind bint ‘Utbah nasceu em Meca e era filha de Utba ibn Rabi'ah, um dos líderes mais proeminentes da tribo dos Coraixitas, e irmã de Abu-Hudhayfah ibn Utbah e de Walid ibn Utbah. Não se sabe quando casou com Abu Sufyan, mas é provável que tivesse sido quando era ainda bastante jovem.

Controvérsias das fontes xiitas[editar | editar código-fonte]

Hind é famosa na história muçulmana pela sua regozijo ante a derrota dos muçulmanos na batalha de Uhud, quando comeu o fígado de Hamza ibn Abd al-Muttalib, um tio de Maomé morto na batalha. Apesar de depois se ter convertido ao Islão, o fundador da dinastia Omíada seria caluniado por ser filho ilegítimo duma canibal. As controvérsias sobre Hind ser ou não uma Sahaba devido aos seus atos pré-islâmicos perduraram até à atualidade. Na obra de referências sunita Istīʻāb fī Maʻrifat al-Aṣḥāb, o teólogo Ibn 'Abd al-Barr (978–1071) apresenta sumários das biografias do Sahaba onde é mencionada Hind.

Acusações de adultério[editar | editar código-fonte]

Alguns académicos xiitas citam fontes antigas que mencionam que Hind tinha relações com homens que não o seu marido Abu Sufyan e que o seu filho Mu'awiya poderia ser o resultado de uma dessas relações ilegítimas. Em relação à paternidade do primeiro califa omíada, além de Abu Sufyan, são mencionados Umar ibn Walid, Musafir Abu Umar e um quarto homem desconhecido.[1] [2]

Outros estudiosos dizem que ela engravidou de Mu'awiya com Abu Sufyan quando ainda não era casada e que o este foi subornado para casar com ela.[1] [2]

Quando Hind foi ter com Maomé durante a Fath Makka (conquista de Meca), ela perguntou ao profeta quais seriam os seus deveres como mulher muçulmana. Entre outros, Maomé disse-lhe que uma mulher muçulmana não devia roubar nem cometer adultério. Hind replicou chocada — «E as mulheres livres [que não são escravas] também roubam e cometem adultério?».[3]

Acusações de canibalismo[editar | editar código-fonte]

Segundo o relato de Mūsá ibn ‘Uqbah, durante a batalha de Uhud, Hind encarregou Wahshi ibn Harb[nt 1] de matar Maomé, Ali ibn Abi Talib ou Hamza ibn ‘Abd al-Muttalib, como vingança da morte do seu pai durante a batalha de Badr.[nt 2] Wahshi matou Hamza e arrancou-lhe o fígado, que levou a Hind. Ibn Kathir (4/43) relata que Hind cuspiu no fígado. Por sua vez, Ibn Ishaq refere, num trecho com isnad quebrada, que foi Hind quem arrancou o fígado a Hamza.[4]

Hostilidade contra os muçulmanos[editar | editar código-fonte]

Entre 613 e 622, Maomé pregou publicamente a mensagem do Islão em Meca. À medida que reunia mais convertidos, ele e os seus seguidores enfrentaram uma perseguição crescente. Em 622 emigraram para a cidade distante de Yathrib, atualmente conhecida como Medina e entraram em guerra com os habitantes de Meca, atacando as suas caravanas.

Os habitantes de Meca enviaram tropas para defenderem as caravanas e o conflito culminou na batalha de Badr, travada em março de 624. Os muçulmanos derrotaram as tropas de Meca e o pai, irmão e tio de Hind foram mortos em combate. A raiva de Hind contra os muçulmanos era então imensa; ia frequentemente para o deserto chorar e deitar poeira na face e nas roupas, lamentando a morte dos seus familiares. Só parou de fazer isso quando o seu marido Abu Sufyan lhe pediu para parar de chorar e lhe prometeu vingar a morte do irmão e do pai.

Alegadamente, Hind foi a única responsável por incitar Wahshi a assassinar o tio de Maomé Hamza ibn ‘Abd al-Muttalib, que supostamente era responsável pela morte dos familiares de Hind, e prometeu a Wahshi libertá-la e oferecer-lhe as suas joias se conseguisse matar Hamza e trazer-lhe o coração. Wahshi assim fez escondendo-se atrás dum árvore e atacando Hamza com uma lança. Seguidamente, Wahshi abriu o ventre a Hamza e arrancou-lhe o coração, que levou a Hind conforme tinha prometido. Segundo alguns relatos, Hind teria provado o coração como sinal de vingança, mas não gostou do sabor e cuspiu-o imediatamente.

Uma das crónicas mais antigas da história islâmica, o Sirah Rasul Allah ("A Vida de Maomé"), de Ibn Ishaq, relata que Hind acompanhou as tropas de Meca que foram cercar os muçulmanos em Medina. Na batalha de Uhud, Hind e as suas mulheres cantaram e dançaram, incitando os seus guerreiros. Os muçulmanos forma obrigados a fugir e, de acordo com Ibn Ishaq, Hind e outras pessoas mutilaram os cadáveres dos muçulmanos, fazendo grinaldas com orelhas e narizes. Também segundo Ibn Ishaq, depois da batalha, Hind abriu o corpo de Hamza, retirou o coração e mordeu-o, mas não conseguiu engolir e cuspiu-o. No seu livro al-Istī‘āb, Ibn ‘Abdu l-Barr escreveu que ela cozinhou o coração de Hamza antes de o comer. Este trecho foi amplamente copiado por historiadores muçulmanos.

Contudo, depois do incidente na batalha de Uhud, Hind aceitou a mensagem do Islão e é considerada como um dos principais companheiros de Maomé pelos sunitas.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Wahshi ibn Harb era uma escrava etíope de Jubayr ibn Mut'im, um dos inimigos de Maomé.
  2. Trecho parcialmente baseado no artigo artigo «Wahshi ibn Harb» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).

Referências

  1. a b The 'true' merits of Mu'awiya bin Hind (em inglês). Answering-Ansar.org. Arquivado do original [ligação inativa] em 14 de maio de 2011. Página visitada em 16 de dezembro de 2012.
  2. a b Chapter Eleven: The ‘true’ merits of Mu’awiya bin Hind (em inglês). Shia Pen. Página visitada em 16 de dezembro de 2012.
  3. Tazkira Khawass. p. 62. cap. Zikr al-Khwarij — al-Isti'ab fi Tamyeez al-Sahab, cap.8. Kitab al-Kuna.
  4. Sīrah ibn Hishām: 3/133

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Guillaume, A. (1955) (em inglês), The Life of Muhammad, Oxford University Press 
  • Madelung, Wilferd (1997) (em inglês), The Succession to Muhammad, Cambridge University Press