Hipergamia

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A hipergamia é um termo usado em sociologia para o ato ou prática de uma pessoa de uma determinada condição social de se casar com outra de casta, classe social ou atributos superiores.[1][2] Já a palavra "hipogamia" refere-se a instâncias do inverso ocorrendo: casar-se com alguém de posição social inferior à sua. Ambos os termos foram cunhados na Índia, no século XIX, a partir da tradução dos vocábulos sânscritos, conceitos encontrados nos livros clássicos hinduístas.[3]

A palavra hipergamia se aplica, majoritariamente, a uma tendência intrínseca à natureza feminina na qual as mulheres procuram por pretendentes que possuam uma situação que passe mais segurança comparado a outros homens. Isso se materializa em uma atração por indivíduos com uma situação financeira comparativamente superior, maior idade e altura, um prestígio com relação a um determinado grupo a ela inserido, maior bagagem cultura, maior e melhor estatura corporal, melhor desempenho verbal e não verbal em relação a um conjunto de indivíduos do sexo oposto.[4] Esses comportamentos podem ser explicados dentro da psicologia evolutiva, em que os animais do sexo feminino ficam incapazes tempestivamente por conta da criação de sua prole em que é necessário um controle parental por um determinado tempo até que atinjam a independência, consequentemente será necessário uma vinculação buscando sempre a proteção. Isto garante a probabilidade do sucesso reprodutivo da espécie, tal fato explica o motivo das mulheres serem mais seletivas na hora da busca de um companheiro. A hipergamia feminina é por diversas vezes confundido a concupiscência, ganância.[5]

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Os parâmetros de atração de ambos os sexos se caracterizam de maneiras distintas quando se trata de escolher um indivíduo para relacionamento. Os homens tem a atração baseada na beleza física e na hipogamia, pois possuem dentro de si uma necessidade de proteger o sexo oposto e propagar os seus genes. Já as mulheres optam por homens com base majoritariamente na hipergamia e com a beleza física influenciando relativamente menos, já que possuem a necessidade de proteção de si e principalmente da prole. Os psicólogos evolucionistas afirmam que esta é uma diferença de sexo inerente decorrente da seleção sexual, com os homens impulsionados a procurar mulheres que darão à luz bebês saudáveis ​​e as mulheres impulsionadas a procurar homens que sejam capazes de fornecer os recursos e proteção necessários para a sobrevivência da família[6]. Essas características podem ser observadas quando homens competem e disputam entre si para obter mais dinheiro, poder e prestígio para ter uma maior quantidade e qualidade de relações com o sexo oposto de forma indireta, enquanto as mulheres se rivalizam com relação a beleza física tendo em vista o mesmo objetivo.[7] Outra forma de observar as consequências desses comportamentos é quando os homens trocam de parceira, quando mais velhos, por uma mais nova e atraente fisicamente. Enquanto as mulheres trocam por um parceiro que ganhe mais ou que tenha um maior prestígio comparado ao anterior. Essas diferenças pontuais de ambos os sexos muitas das vezes geram conflitos, com os homens alegando que as mulheres se relacionam por interesses financeiros e as mulheres alegando que os homens buscam apenas realizar seus desejos sexuais, tratando-as muitas das vezes como objeto. Essa diferença decorre em virtude do ser humano, que embora possua a racionalidade comparado aos animais, ainda assim possui elementos vistos nos mesmos que nos influenciam, por conta da evolução das espécies, na forma de buscar outro indivíduo para se relacionar e posteriormente procriar. [8]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Um estudo feito pela Universidade de Missouri em 2003 descobriu que as mulheres geralmente preferem os homens dominantes como companheiros. Pesquisas realizadas em todo o mundo apoiam fortemente a posição de que as mulheres preferem o casamento com parceiros que sejam culturalmente bem-sucedidos ou com alto potencial para se tornarem culturalmente bem-sucedidos[9]. O mais extenso desses estudos incluiu 10.000 pessoas em 37 culturas em seis continentes e cinco ilhas[10]. As mulheres optaram por "boas perspectivas financeiras" comparativamente mais que os homens em todas as culturas. Em 29 amostras, a "ambição e diligência" de um futuro companheiro foram mais importantes para as mulheres do que para os homens. Análises de pesquisas publicadas de 1965 a 1986 revelaram a diferença entre pessoas do mesmo sexo (Feingold, 1992)[11]. Em todos os estudos, 3 em cada 4 mulheres classificaram o status socioeconômico como mais importante em um possível parceiro de casamento do que o homem médio.As mulheres são mais seletivas na escolha de seus parceiros de casamento do que os homens[12]

Outro estudo empírico examinou as preferências de casais de assinantes de um serviço de namoro por computador em Israel que tinha uma proporção sexual altamente distorcida (646 homens para 1.000 mulheres)[13]. Apesar desta proporção sexual distorcida, eles descobriram que "Na educação e nível socioeconômico, as mulheres expressam em média uma maior seletividade hipergâmica; elas preferem parceiros que são superiores a elas nessas características[14]. Enquanto os homens expressam um desejo com base em atratividade física; eles desejam um parceiro que tenha uma classificação mais elevada na escala de atratividade física do que eles próprios[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Merriam-Webster: Hypergamy
  2. Dicionário Houaiss. hipergamia
  3. Shah, A. M. (6 de dezembro de 2012), The Structure of Indian Society: Then and Now, ISBN 978-1-136-19770-3, Routledge, pp. 37– 
  4. Education and Hypergamy, and the “Success Gap”. Por Elaina Rose. Department of Economics. Seattle: University of Washington, outubro de 2005
  5. Gilles Saint-Paul (maio de 2008), Genes, Legitimacy and Hypergamy: Another Look at the Economics of Marriage (PDF), CEPR Discussion Paper No. DP6828, University of Toulouse I - GREMAQ-IDEI; Centre for Economic Policy Research (CEPR) 
  6. Chow, Y. W.; Pietranico, R.; Mukerji, A. (27 de outubro de 1975). «Studies of oxygen binding energy to hemoglobin molecule». Biochemical and Biophysical Research Communications (4): 1424–1431. ISSN 0006-291X. PMID 6. doi:10.1016/0006-291x(75)90518-5. Consultado em 1 de agosto de 2021 
  7. Anderson, T. R.; Slotkin, T. A. (15 de agosto de 1975). «Maturation of the adrenal medulla--IV. Effects of morphine». Biochemical Pharmacology (16): 1469–1474. ISSN 1873-2968. PMID 7. doi:10.1016/0006-2952(75)90020-9. Consultado em 1 de agosto de 2021 
  8. Chow, Y. W.; Pietranico, R.; Mukerji, A. (27 de outubro de 1975). «Studies of oxygen binding energy to hemoglobin molecule». Biochemical and Biophysical Research Communications (4): 1424–1431. ISSN 0006-291X. PMID 6. doi:10.1016/0006-291x(75)90518-5. Consultado em 24 de julho de 2021 
  9. Schmoldt, A.; Benthe, H. F.; Haberland, G. (1 de setembro de 1975). «Digitoxin metabolism by rat liver microsomes». Biochemical Pharmacology (17): 1639–1641. ISSN 1873-2968. PMID 10. Consultado em 24 de julho de 2021 
  10. Schmoldt, A.; Benthe, H. F.; Haberland, G. (1 de setembro de 1975). «Digitoxin metabolism by rat liver microsomes». Biochemical Pharmacology (17): 1639–1641. ISSN 1873-2968. PMID 10. Consultado em 24 de julho de 2021 
  11. Lefkowitz, R. J. (15 de setembro de 1975). «Identification of adenylate cyclase-coupled beta-adrenergic receptors with radiolabeled beta-adrenergic antagonists». Biochemical Pharmacology (18): 1651–1658. ISSN 0006-2952. PMID 11. doi:10.1016/0006-2952(75)90001-5. Consultado em 24 de julho de 2021 
  12. Stein, J. M. (15 de setembro de 1975). «The effect of adrenaline and of alpha- and beta-adrenergic blocking agents on ATP concentration and on incorporation of 32Pi into ATP in rat fat cells». Biochemical Pharmacology (18): 1659–1662. ISSN 0006-2952. PMID 12. doi:10.1016/0006-2952(75)90002-7. Consultado em 24 de julho de 2021 
  13. Järvisalo, J.; Saris, N. E. (15 de setembro de 1975). «Action of propranolol on mitochondrial functions--effects on energized ion fluxes in the presence of valinomycin». Biochemical Pharmacology (18): 1701–1705. ISSN 0006-2952. PMID 13. doi:10.1016/0006-2952(75)90009-x. Consultado em 24 de julho de 2021 
  14. Bhagwat, V. M.; Ramachandran, B. V. (15 de setembro de 1975). «Malathion A and B esterases of mouse liver-I». Biochemical Pharmacology (18): 1713–1717. ISSN 0006-2952. PMID 14. doi:10.1016/0006-2952(75)90011-8. Consultado em 24 de julho de 2021 
  15. Akamatsu, N.; Nakajima, H.; Ono, M.; Miura, Y. (15 de setembro de 1975). «Increase in acetyl CoA synthetase activity after phenobarbital treatment». Biochemical Pharmacology (18): 1725–1727. ISSN 0006-2952. PMID 15. doi:10.1016/0006-2952(75)90013-1. Consultado em 24 de julho de 2021