Língua yabem

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Yabem
Falado em: Papua-Nova Guiné
Região: Golfo de Huon, Morobe (província)
Total de falantes: 2,1 mil (1978)
Família: Austronésia
 Malaio-Polinésia
  Oceânica
   Oceânica Ocidental
    Norte Nova Guiné ?
     Ngero–Vitiaz ?
      Golfo de Huon
       Norte Golfo de Huon
        Yabem
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: jae

Yabem ou Jabêm é uma língua Malaio-Polinésia, uma língua da Melanésia.[1] falada por cerca de 2 mil pessoas em 1978 em Finschhafen, o extremo meridional da Península de Huon, Morobe (província), Papua-Nova Guiné, embora haja que veja evidências da língua se originado no litoral norte.[2] O Yabem foi adotado como lingua franca local junto com a Kâte[3] com propósito de educação evangélia por missionários da Igreja Luterana da Papua-Nova Guiné que chegaram em Simbang, vila onde se fala a língua, in 1885.[4] Ali os missionários desenvolveram a forma do alfabeto latino para a língua e também um sistema escolar para educação da comunidade Yabem. O status atual da linguagem é "Ameaçado", seus nomes alternativos incluem Laulabu, Jabem, Jabêm, Jabim, Yabim e Yabêm .[5]

Uso da língua[editar | editar código-fonte]

Por volta de 939, era falada por cerca de 15 mil pessoas e entendida por umas 110 mil (conf. Zahn 1940). Na década após a Segunda Guerra Mundial, a rede de escolas da missão conseguiu educar 30.000 alunos usando Yabem como o meio de instrução (Streicher 1982). Depois, o uso de Yabem como lingua franca local foi substituído pelor Tok Pisin, que foi usado para conversação informal dia-a-dia sobre religião e negócios,[6] e também pela língua inglesa, a qual era usada em situações mais formais, como educação e governo, já nos anos 50. O Yabem ainda é uma das línguas austronésias com muito material litúrgico inclusive original (não só traduções do Alemão ou do Fraancês e também dicionários e gramáticas. O Governo queria facilitar a assimilação dos valores e cultura ocidentais e também o acesso aos recursos superiores de ensino e, assim, o Inglês era mais eficiente para o ensino.[7] De qualquer forma, a transição do uso de Kâte e Yabem, que línguas com origens locais, para Tok Pisin e Inglês, línguas com origens estrangeiras, afetou a dinâmica do povo e sua visão da língua e da igreja de uma forma levemente negativa

O Yabem compartilha um relacionamento próximo com as línguas de Kela e de Bukawa. Muitas pessoas que falam Bukawa também falam Yabem.

Escrita[editar | editar código-fonte]

A língua Yaben usa uma forma do alfabeto latino sem as letras F, H, Q, R, V, X, Y, Z; apresenta adicionalmente as vogais acentuadas a Ê e Ô, as formas Mb, Nd, ŋg / ŋgw, ŋ e Gw, Kw;

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

São sete os sons vogais do Yabem:

Anterior Central Posterior
Fechada i u
Média fechada ê ô
Média aberta e o
Aberta a

Consoantes[editar | editar código-fonte]

A Consoante glotal oclusiva, escrita com um -c, é percebida somente no final de sílaba. As única outras consoantes que podem ocorrer no final de sílaba são as labiais e nasais: p, b, m, ŋ. A consoante líquida /l/ é percebida ou como a vibrante [ɾ] ou a leteral [l]. As restrições das estruturas silábicas são facilmente explicadas se libializadas e pre-nasalizadas forem consideradas como fonemas únicos e não encontros consonantais. Otto Dempwolff que muito influenciou a ortografia germânica missionária na Nova Guiné, aparentemente não sancionou a labialização das labiais, mas preferiu sinalizar o arredondamento das labiais na presença de uma vogal média arredondada (-o- ou -ô-) entre a labial e o núcleo da sílaba, como em ômôêŋ 'você virá” vs. ômêŋ 'ele virá' ou ômôa 'você vai morarl' vs. ômac 'você vai adoecer' (conf. Dempwolff 1939). Comparem-se as ortografias das língua Sio e Kâte.

Bilabial Coronal Velar Glotal
Oclusiva surda p / po-/pô- t k / kw -c
Oclusiva sonora b / bo-/bô- d g / gw
Pre-nasalizada mb / mbo-/mbô- nd ŋg / ŋgw
Nasal oclusiva m / mo-/mô- n ŋ
Fricativa s
Lateral l
Aproximante w j

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

Devido à quantidade limitada de consoantes e vogais na linguagem Yabem, a pronúncia é fundamental para obter o significado correto. Em alguns casos, simplesmente mudar a tonicidade de uma letra pode mudar o inteiramente significado de uma palavra.

Numeral Significado IPA
1 'homem' ŋɑʔ
2 'irmão de tua mãer' sa-m

<sa- 'irmão da mãe' + -m 'teu'

3 'ele/ela come' g-ɛŋ

< g (ɛ) - 'sujeito 3ª pessoa singular'; -ɛŋ 'comet'

4 'possum' moyaŋ
5 'tua mãe' tena-m
6 'Eu falei' ka-som
7 'Eu caminhei' ka-seleŋ
8 'eu vou cuidar' e-toloŋ
9 'valores' awÁ
10 '(boca (dele/a' awÀ
11 'fora' awÉ
12 'mulher' awÈ
13 'corpo' olÍ
14 'salário' olÌ
15 'proibição' yaÓ
16 'inimizade' yaÒ
17 'manga'
18 'crocodilo'
19 'martelar' -sÁʔ
20 'colocar acima' -sÀʔ
21 'descuidado' paliŋ
22 'muito longe' baliŋ
23 'concha' piŋ
24 'speech' biŋ
25 'tudo de uma vez' tÍp
26 'baque' dÌp
27 'serviço' sakiŋ
28 'Aposento da casa' sagiŋ
29 'Eu chamei' ka-kÚŋ
30 'Eu economizei (algo)' ga-gÙŋ
31 'Eu causei problemas' ka-kilÍ
32 'Eu pisei sobre' ka-gelÌ
33 'Eu habito' ga-m"À

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Pai Nosso

Tamemai, taŋ gômoa undambê. Aômnêm ŋaê lau sênam dabuŋmaŋ. Ômôêŋ ôtu Apômtau ôtôm gamêŋgeŋ. Aômnêm biŋ êtu tôŋ aŋga nom amboac aŋga undambê. Ôkêŋ aêacma mo êtôm bêcgeŋŋa êndêŋ aêac êndêŋ oc tonec. Nêm tôp, taŋ gêc aêac naŋ, ôsuc ôkwi amboac aêac asuc ma tôp ôkwi gêdêŋ tauŋ. Ôwê aêac asa lêtôm atom. Ôjaŋgo aêac su aŋga gêŋ sec. Aôm Apômtau, aôm ŋaniniŋ to ŋajaŋa ma ŋawê ŋatau laŋgwa teŋgeŋ. Biŋŋanô.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. «Yabem language | language». Consultado em 16 de setembro de 2016 
  2. Edmondson, Jerold A. (1 de janeiro de 1993). Tonality in Austronesian Languages (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press. ISBN 9780824815301 
  3. Paris, Hannah (22 de março de 2012). «Sociolinguistic effects of church languages in Morobe Province, Papua New Guinea». International Journal of the Sociology of Language. 2012 (214). ISSN 1613-3668. doi:10.1515/ijsl-2012-0020 
  4. Bradshaw, Joel (2016). Changing Language Choices in Melanesia. University of Hawaii at Manoa LING 150: Languages of the Pacific Islands. Honolulu, HI: Curriculum Research & Development Group 
  5. «Yabem - MultiTree». multitree.org. Consultado em 20 de setembro de 2016 
  6. S.J, John W. M. Verhaar (1 de janeiro de 1990). Melanesian Pidgin and Tok Pisin: Proceedings of the First International Conference on Pidgins and Creoles in Melanesia (em inglês). [S.l.]: John Benjamins Publishing. ISBN 9789027282071 
  7. S.J, John W. M. Verhaar (1 de janeiro de 1990). Melanesian Pidgin and Tok Pisin: Proceedings of the First International Conference on Pidgins and Creoles in Melanesia (em inglês). [S.l.]: John Benjamins Publishing. ISBN 9789027282071 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bisang, Walter (1986). "Die Verb-Serialisierung im Jabêm." Lingua 70:131–162.
  • Bradshaw, Joel (1979). "Obstruent harmony and tonogenesis in Jabêm." Lingua 49:189–205.
  • Bradshaw, Joel (1983). "Dempwolff’s description of verb serialization in Yabem." In Amram Halim, Lois Carrington, and S. A. Wurm, eds., Papers from the Third International Conference on Austronesian Linguistics, vol. 4, Thematic variation, 177–198. Series C-77. Canberra: Pacific Linguistics.
  • Bradshaw, Joel (1993). "Subject relationships within serial verb constructions in Numbami and Jabêm." Oceanic Linguistics 32:133–161.
  • Bradshaw, Joel (1998). "Squib: Another look at velar lenition and tonogenesis in Jabêm." Oceanic Linguistics 37:178-181.
  • Bradshaw, Joel (1999). "Null subjects, switch-reference, and serialization in Jabêm and Numbami." Oceanic Linguistics 38:270–296.
  • Bradshaw, Joel (2001). "The elusive shape of the realis/irrealis distinction in Jabêm." In Joel Bradshaw and Kenneth L. Rehg, eds., Issues in Austronesian morphology: A focusschrift for Byron W. Bender, 75–85. Pacific Linguistics 519. Canberra: Pacific Linguistics. ISBN 0-85883-485-5
  • Bradshaw, Joel, and Francisc Czobor (2005). Otto Dempwolff's grammar of the Jabêm language in New Guinea. Oceanic Linguistics Special Publication No. 32. Honolulu: University of Hawai‘i Press. ISBN 0-8248-2932-8
  • Dempwolff, Otto (1939). Grammatik der Jabêm-Sprache auf Neuguinea. Abhandlungen aus dem Gebiet der Auslandskunde, vol. 50. Hamburg: Friederichsen de Gruyter.
  • Ross, Malcolm (1993). "Tonogenesis in the North Huon Gulf chain." In Jerold A. Edmondson and Kenneth J. Gregerson, eds., Tonality in Austronesian languages, 133–153. Oceanic Linguistics Special Publication No. 24. Honolulu: University of Hawai‘i Press.
  • Streicher, J. F. (1982). Jabêm–English dictionary. Series C-68. Canberra: Pacific Linguistics. (First compiled by Heinrich Zahn in 1917; later translated and revised by J. F. Streicher.)
  • Zahn, Heinrich (1940). Lehrbuch der Jabêmsprache (Deutsch-Neuguinea). Zeitschrift für Eingeborenen-Sprache, Beiheft 21. Berlin: Reimer.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]