Lobo-marinho-sul-americano

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLobo-marinho-sul-americano
Um macho adulto de lobo-marinho (Arctocephalus australis).
Um macho adulto de lobo-marinho (Arctocephalus australis).
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Subclasse: Theria
Infraclasse: Placentalia
Ordem: Carnivora
Superfamília: Pinnipedia
Família: Otariidae
Subfamília: Arctocephalinae
Género: Arctocephalus
Nome binomial
Arctocephalus australis
Zimmermann, 1783
Distribuição geográfica
Arctocephalus australis distribution.png

O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis), também chamado de lobo-marinho-escuro, lobo-marinho-do-sul e urso-do-mar, é uma espécie de mamífero aquático pinípede da família dos otariídeos, típicos da América do Sul. Habitam o litoral do Chile, Peru, Argentina, Uruguai e sul do Brasil[1]. A população total é estimada em de cerca de 220.000 animais[1].

A população de lobos-marinhos da América do Sul, em 1999 foi estimada em 390 mil, uma queda na estimativa de 500 mil, em 1987. Embora as populações, em geral, sejam saudáveis, a tendência de queda causa preocupações nos ambientalistas. O Uruguai tem o maior número de lobos-marinhos-sul-americanos ao longo de sua costa, totalizando mais de 200.000 animais.

Etimologia e sinonímia[editar | editar código-fonte]

Arctocephalus australis é conhecido sob diferentes nomes, incluindo:

  • Lobo-marinho-sul-americano, lobo-marinho-do-sul, leão-marinho-de-pele: obviamente considerado um verdadeiro "vendedor de peles", se refere à qualidade da pele do animal, muito popular em tempos em que a sua caça foi generalizada.
  • Lobo-marinho-escuro, leão-marinho-de-dois-pelos: também se referem á sua pele, que tem duas "camadas" ou níveis de sobreposição de pelos com cores diferentes.
  • Urso-do-mar: possivelmente menos comum, mas de acordo com o nome científico Arctocephalus, que significa "cabeça de urso".

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Duas subespécies são reconhecidas atualmente:

Arctocephalus australis australis - Habita ilhas e costas do sul do Chile, as Ilhas Malvinas e Argentina, ao Uruguai e sul do Brasil.

Arctocephalus australis gracilis - Habita as ilhas e costas do norte do Chile e Peru, sendo vistos vagando no Equador e sudoeste da Colômbia.

O lobo-marinho-da-Nova-Zelândia às vezes é considerado uma subespécie de A. australis.

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Lobo-marinho-sul-americano descansando sobre rochas.

O lobo-marinho-sul-americano apresenta dimorfismo sexual, ou seja, machos e fêmeas tem a aparência diferente[1]. A espécie tem um "casaco" espesso de pele cinza-escura. Os machos da espécie são quase inteiramente desta cor, embora possam ser cinzentos ou bejes, com marcas grisalhas. As fêmeas e os machos subadultos têm coloração mais clara cinza ou bege, no peito e focinho, e podem ter pêlos cinzas ou marrons ou em suas barrigas. O focinho é achatado e pontiagudo, com um nariz de tamanho médio. As narinas são voltados para a frente e o nariz ultrapassa a boca. O ouvido , tem orelhas longas e proeminentes, característicos dos otariídeos e as vibrissas (pelos do focinho) dos adultos são de um branco-cremoso, relativamente curtos. Os machos adultos são maiores que as fêmeas, com o pescoço mais grosso e ombros maiores. Os machos também desenvolvem pêlos longos na cabeça e nos ombros. O tamanho dos lobos-marinhos varia de acordo com a região, mas, em média, os machos adultos medem até 2 m de comprimento e pesam 90 a 160 kg (possivelmente alguns até 200 kg) e as fêmeas medem até 1,5 m de comprimento, pesando até 60 kg[1]. Os recém-nascidos medem de 50 a 65 cm e pesam de 3 a 7,5 kg[1].

Habitat e distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Crânio de lobo-marinho-sul-americano.

O lobo-marinho-sul-americano é encontrado nas zonas neotropicais e costeiras desde a península de Paracas, no sul do Peru ao sul para o Cabo Horn na costa do Pacífico , e para o norte até o sul do Brasil na costa do Atlântico. Eles também são encontrados nas Ilhas Malvinas[1].

Arctocephalus australis preferem costas rochosas e ilhas, particularmente aquelas com encostas íngremes, que oferecem áreas de sombreadas, onde eles podem escapar do calor do sol e de predadores como orcas e tubarões. Eles foram encontrados em cavernas do mar, no Peru, onde alguns subiam até 15 metros para encontrar um local para descansar. Há registros isolados de animais no Equador , nas Ilhas Galápagos e na ilha Gorgona ( Colômbia ). Informações anatômicas para os lobos-marinhos-do-sul, Arctocephalus spp., são escassas.

Ocorrência no Brasil[editar | editar código-fonte]

Ilha dos Lobos, no município de Torres.

Apesar de não haver colônias reprodutivas da espécie no Brasil, agrupamentos de lobos-marinhos podem ser encontrados em algumas pequenas ilhas rochosas no litoral no sul do país, conhecidas localmente como "Ilha dos Lobos", entre outros nomes. Assim ocorre com a Ilha dos Lobos, em Laguna, e a Ilha dos Lobos, em Torres, sendo esta última considerada inclusive uma área protegida à nível federal, denominada Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos[2].

Outra área de presença regular de lobos-marinhos e leões-marinhos no Rio Grande do Sul é no molhe leste da barra de Rio Grande, em São José do Norte[2], denominado Refúgio da Vida Silvestre do Molhe Leste da Barra de Rio Grande.

Utilização econômica[editar | editar código-fonte]

Os lobos-marinhos-sul-americanos foram por muito tempo caçados para obtenção da sua pele, sendo que a exploração comercial da espécie começou no século XVIII e foi realizada até o século XX, motivo do declínio acentuado das populações desta espécie[1].

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g CARDENAS, Susana.; et al. (2016). «Arctocephalus australis (South American fur seal). The IUCN Red List of Threatened Species 2016» (PDF). The IUCN RedList of Threatened Species 2016 - Technical Report. Consultado em 28 de dezembro de 2018 
  2. a b Albano, Backes (2012). «Áreas protegidas no estado do Rio Grande do Sul: o esforço para a conservação» (PDF). Pesquisas Botânicas, v. 63, p. 225-355. Consultado em 28 de dezembro de 2018