Lucas 17

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Jesus curando dez leprosos, um milagre de Jesus contado em Lucas 17.
c. 1920. Por Gebhard Fugel, atualmente no Dommuseum Freising, na Alemanha.

Lucas 17 é o décimo-sétimo capítulo do Evangelho de Lucas no Novo Testamento da Bíblia e relata um dos milagres de Jesus e diversos de seus discursos[1][2].

Pedras de tropeço e fé[editar | editar código-fonte]

Segunda Vinda de Cristo, um dos temas de Lucas 17.
Entre 1420 e 1425. Por Jan van Eyck, atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.
Ver artigo principal: Pedra de tropeço

O capítulo começa com um discurso de Jesus sobre o perdão e a fé (Lucas 17:1-6): «Tomai cuidado de vós. Se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: Estou arrependido; perdoar-lhe-ás.» (Lucas 17:3-4).

Depois, respondendo a um pedido de seus apóstolos para que lhes aumentasse a fé, Jesus responde que se eles tivessem a fé do tamanho de um grão de mostarda, poderiam ordenar a um sicômoro que se transplantasse para o mar «...e ele vos obedeceria.» (Lucas 17:6).

Parábola do Servo Inútil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Parábola do Servo Inútil

Logo em seguida, ainda no mesmo discurso, Jesus conta uma de suas parábolas, conhecida como "Parábola do Servo Inútil" (Lucas 17:7-10) e que só existe em Lucas. Ela ensina que quando alguém "fez o que Deus espera, ele ou ela está apenas fazendo o seu dever"[3].

Jesus curando dez leprosos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Jesus curando dez leprosos

Este é um dos milagres de Jesus e também só existe em Lucas (17 11:19)[4]. Já no caminho para Jerusalém, Jesus passou pela fronteira entre a Samaria e a Galileia. Quando passava por um vilarejo, dez homens acometidos pela lepra foram ao seu encontro, mas ficaram à distância e gritaram para ele: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!» (Lucas 17:14) Quando os viu, Jesus se compadeceu e pediu-lhes que fossem ter com os sacerdotes, afirmando que eles seriam curados no caminho. Um deles, depois de se ver curado, justamente o único que era samaritano, voltou e louvou a Deus em voz alta. Ele se atirou aos pés de Jesus e o agradeceu, que perguntou-lhe onde estavam os outros nove (que eram judeus). E então Jesus pediu-lhe que levantasse e seguisse seu caminho, pois ele estava salvo graças à sua fé.

Reino de Deus e o Filho do Homem[editar | editar código-fonte]

Em Lucas 17:20-37, Jesus profere um longo discurso para responder à pergunta dos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus e aos discípulos sobre o Filho do Homem, profetizando sua morte e seu retorno. Este trecho tem paralelos com Mateus 24 (Mateus 23:28 e Mateus 24:36-41).

Jesus começa afirmando que o Reino de Deus não é algo visível, mas que já está presente. Logo em seguida, ele passa a falar sobre o Filho do Homem:

«Virá tempo em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis. Dir-vos-ão: Ei-lo acolá! Ei-lo aqui! não vades nem os sigais; pois assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, brilha até a outra, assim será no seu dia o Filho do homem.» (Lucas 17:22-24)

Contudo, ele afirma que «...é necessário primeiro que ele padeça muitas coisas e que seja rejeitado por esta geração.» (Lucas 17:25) e, se comparando a Noé e , afirma que aqueles que os que "comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento" foram destruídos pelo dilúvio ou pelo fogo dos céus (Sodoma e Gomorra) e que...:

«...Assim será no dia em que o Filho do homem se manifestar. Naquele dia quem estiver no eirado e tiver os seus bens em casa, não desça para tirá-los; e do mesmo modo quem estiver no campo, não volte atrás.» (Lucas 17:30-31)

Ele termina o discurso falando sobre o chamado "arrebatamento pré-ira" e sua volta: «Perguntaram-lhe os discípulos: Onde será isso, Senhor? Respondeu ele: Onde estiver o corpo, aí se juntarão também os corvos.» (Lucas 17:37).

Versículo 36[editar | editar código-fonte]

O versículo 36 ("dois homens estarão no campo, um será tomado e o outro deixado") não está presente na maior parte das traduções modernas ou, quando está, aparece entre chaves (como em Lucas 17:36, na Tradução Brasileira da Bíblia). O motivo é que trata-se provavelmente de uma duplicação de Mateus 24:40. Este versículo aparece em apenas uns poucos manuscritos gregos do texto-tipo ocidental e em alguns manuscritos da Vetus Latina e da Vulgata[5].

Texto[editar | editar código-fonte]

O texto original deste evangelho foi escrito em grego koiné e alguns dos manuscritos antigos que contém este capítulo, dividido em 37 versículos, são:

Ver também[editar | editar código-fonte]


Precedido por:
Lucas 16
Capítulos do Novo Testamento
Evangelho de Lucas
Sucedido por:
Lucas 18

Referências

  1. Halley, Henry H. Halley's Bible Handbook: an abbreviated Bible commentary. 23rd edition. Zondervan Publishing House. 1962. (em inglês)
  2. Holman Illustrated Bible Handbook. Holman Bible Publishers, Nashville, Tennessee. 2012. (em inglês)
  3. Mark Black, Luke, College Press, 1996, ISBN 0899006302, p. 285. (em inglês)
  4. Bible Knowledge Background Commentary: Matthew-Luke by David C. Cook and Craig A. Evans ISBN 0781438683 p 365 (em inglês)
  5. NA27, p. 218; Bruce M. Metzger, A Textual Commentary on the Greek New Testament, pp. 142–143. (em inglês)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]