Maomé ibne Maruane

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Maomé ibne Maruane
Morte 719/720
Nacionalidade Califado Omíada
Etnia Árabe
Progenitores Pai: Maruane I
Filho(s) Maruane II
Ocupação General e governador
Religião Islamismo
Dinar de ouro com efígie do califa Abdal Malique (r. 658–705)

Maomé ibne Maruane ibne Haquem (Muḥammad ibn Marwān ibn al-Ḥakam - lit. Maomé, filho de Maruane, filho de Haquem; em grego: Μονάμεδ; transl.: Monámed; m. 719/720) foi um príncipe árabe e um dos mais importantes generais do Califado Omíada no período 690-710, e um daqueles que completou a conquista da Armênia. Derrotou os bizantinos e conquistou seus territórios armênios, esmagou uma rebelião armênia em 704-705 e transformou o país numa província omíada.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Maomé foi o filho do califa Maruane I (r. 684–685) com uma escrava, e portanto meio-irmão do califa Abdal Malique (r. 658–705). Quando Maruane assumiu o trono, enviou Maomé para a Mesopotâmia Superior para assegurar a Armênia. Em 691, comandou o avanço da guarda de seu irmão na Batalha de Dair Aljatalique contra Muçabe (irmão do anti-califa mecano Abdalá ibne Zubair). Em 692/693, derrotou o exército bizantino na batalha de Sebastópolis, ao persuadir o enorme contingente eslavo do exército imperial desertar para ele. No ano seguinte, invadiu a Anatólia bizantina com ajuda dos mesmos eslavos, e conseguiu outra vitória contra o exército bizantino próximo de Germaniceia, enquanto em 695, invadiu a província de Armênia Quarta.[1][2][3]

Em 699-701, junto com seu sobrinho Abdalá, foi enviado para o Iraque para ajudar o governador Alhajaje ibne Iúçufe na supressão da rebelião carijita de Abdal Ramane. Em 701, Maomé fez campanha contra o território armênio sob controle bizantino a leste do Eufrates, e forçou sua população e o governador local, Baanes, a submeterem-se ao califado. Logo depois de sua partida, contudo, os armênios rebelaram-se e chamaram auxílio bizantino. Repetidas campanhas em 703 e 704 por Maomé e Abdalá esmagaram a revolta, e Maomé assegurou o controle muçulmano ao organizar um massacre em larga-escala das famílias naxarar armênias em 705.[1][2][4]

Quando Ualide I (r. 705–715) ascendeu ao trono em 705, Maomé começou a ser eclipsado por seu sobrinho Maslama ibne Abdal Malique, que como ele também nasceu duma escrava. Maslama assumiu a liderança das campanhas contra Bizâncio, e finalmente substituiu-o completamente em sua competência como governador da Mesopotâmia, Armênia e Azerbaijão em 709/710. Maomé morreu em 719/720.[1][2] Era o pai do última califa omíada, Maruane II (r. 744–750) com uma mulher de nome desconhecido, muito provavelmente de origem não-árabe (uma curda segundo algumas fontes). Alguns fontes relatam que Maomé capturou-a durante a supressão da revolta de Abdalá, e algumas ainda alegam que ela já estava grávida de Maruane naquela época.[5]

Referências

  1. a b c Zetterstéen 1993, p. 408.
  2. a b c Winkelmann 1998, p. 322–323.
  3. Treadgold 1997, p. 335–336.
  4. Treadgold 1997, p. 339, 341.
  5. Hawting 1991, p. 623.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hawting, G.R. (1991). «Marwān II». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume VI: Mahk–Mid. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-08112-7 
  • Treadgold, Warren T. (1997). A History of the Byzantine State and Society. Stanford, Califórnia: Stanford University Press. ISBN 0-8047-2630-2 
  • Winkelmann, Friedhelm; Ralph-Johannes Lilie; Claudia Ludwig, Rochow Pratsch; Zielke Ilse (1998). «Muḥammad ibn Marwān (#5189)». Prosopographie der mittelbyzantinischen Zeit: I. Abteilung (641–867), 3. Band: Leon (#4271) – Placentius (#6265). Berlim e Nova Iorque: Brill. ISBN 978-3-11-016673-6 
  • Zetterstéen, K.V. (1993). «Muḥammad ibn Marwān». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume VII: Mif–Naz. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-09419-9