Mesophylla macconnelli
Mesophylla macconnelli[1]
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [2] | |||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Mesophylla macconnelli Thomas, 1901 | |||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||
Mesophylla macconnelli é uma espécie de morcego da família Phyllostomidae. É a única espécie descrita para o gênero Mesophylla.[1] Popularmente conhecido como morcego-de-pelúcia-dourado, o nome deriva de sua pelagem amarelada ou dourada, extremamente macia e com aparência similar à de uma pelúcia. Em inglês, também é chamado de MacConnell’s bat (“morcego de MacConnell”). Pode ser encontrada na Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, Trinidad e Tobago, Brasil, Equador, Peru e Bolívia.[2]
Distribuição Geográfica
[editar | editar código]A distribuição global da espécie M. Macconnelli compreende os países: Brasil, Nicarágua, Costa Rica, Trinidad e Tobago, sul do Peru, Bolívia e Venezuela. Em relação ao Brasil, os estados que registraram a ocorrência dessa espécie são: Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Pará, Roraima e Rondônia.[3][4][5]
Embora largamente distribuído, este morcego é localmente incomum em toda sua área de distribuição. São bem comuns em áreas florestais úmidas, embora tenha sido registrada também em ambientes mais secos como os cerrados da Amazônia e da região centro-oeste do Brasil.[4][5]
Descrição Morfológica
[editar | editar código]M.macconnelli é um morcego de pequeno porte, pesando de 7 a 9 gramas. Possui pêlos esparsos, com maior concentração na base do antebraço e no patágio próximo ao corpo. A coloração dorsal é um marrom-acinzentado e as partes inferiores são uniformemente cinza-acastanhadas. Possui uma folha nasal simples, não crenulada e de tamanho médio, com coloração amarela. As orelhas também são amarelas, com o trago pontudo, com dois lóbulos salientes e uma projeção espessada na frente do trago. Há presença de um lóbulo suplementar, o antitrago. Cada patágio, membrana que une o braço, antebraço e dedos, se estende até a extremidade distal do metatarso, sustentado por um calcar curto e recurvado.[6][5]
O crânio de M.macconnelli e pequeno e sua fórmula dentária é: i 2/2; c 1/1; pm 2/2; m ⅔; totalizando 30 dentes[5]. Seus molares anteriores são menores e mais pontiagudos que os posteriores. Além disso, há a ocorrência de um pequeno terceiro molar na mandíbula inferior.[6]
Em relação à morfologia craniana, as cristas palatinas de M.macconnelli diferem dos demais filostomídeos, como os Uroderma, Artibeus, Sturnira, Rhinophylla e Carollia. As cristas presentes no osso palatino são porosas, com numerosas pequenas vacuidades. A palatina posterior possui superfície lisa entre as cristas, enquanto a anterior - localizada entre os dentes caninos e incisivos - apresenta textura rugosa e irregular.[6]
Embora o significado funcional das cristas palatinas ainda não seja totalmente compreendido, acredita-se que elas desempenhem um papel importante na mastigação de alimentos e na formação de pelotas alimentares. Há a presença de 15 a 16 cristas transversais, denticuladas e indivisas, cada uma contendo pequenas projeções triangulares orientadas para a margem anterior.[6]
No que diz respeito à morfologia macroscópica do cérebro, M. macconnelli apresenta características semelhantes às observadas em Artibeus phaeotis. Os hemisférios cerebrais são profundos e relativamente lisos, com sulcos principais bem desenvolvidos. O giro pré-pseudocentral projeta-se dorsalmente, e os lobos pseudotemporais possuem formato angular, projetando-se ventralmente. O cerebelo é simples e dotado de uma crista.[6]
Ecologia e Comportamento
[editar | editar código]Mesophylla macconnelli ocorre em nove províncias da fauna da América do Sul, incluindo a Bacia Amazônica, as costas e ilhas do norte, América Central e as encostas orientais dos Andes. Essa espécie costuma ser registrada em ambientes úmidos de florestas verdes, entretanto, também já foram registradas em ambientes mais secos, como os Cerrados da Amazônia.[6]
Foi observado que o M.macconnelli se empoleira em folhas e constrói ‘’tendas'’ utilizando folhas de árvores, como a Palmeira de Genoma e suculentas de Anthurium, comuns das florestas úmidas do Peru. Para a construção das tendas, as folhas bífidas de palmeiras são cortadas nas nervuras e nas pregas em um ângulo agudo em ambos os lobos, terminando a poucos centímetros da nervura central. Isso faz com que a frode de crescimento central curve-se para baixo, e metade da folha dobra-se sobre a outra, formando uma tenda em forma apical. Nessa tenda, os morcegos desta espécie se empoleiram, normalmente em pequenos grupos de 2 a 5 indivíduos por tendas próximas ao longo de vários meses. Em relação ao uso das folhas de suculentas de Anthurium sp para a construção de tendas, foi observado próxima a riachos florestais em florestas úmidas (onde comumente crescem) na Venezuela. Para a confecção, os morcegos mastigam as nervuras basais da folha em ambos os lados da nervura central, fazendo com que os lobos se dobrem para baixo, permitindo a formação de uma tenda em formato apical. Os indivíduos divididos em grupos pendem das nervuras na parte inferior da folha. Esse hábito de se empoleirar sob folhas em tendas, juntamente com a pelagem clara de M.macconnelli pode oferecer abrigo e proteção contra predadores visualmente orientados.[6]
O hábito alimentar de Mesophylla macconnelli é composto principalmente por frutas[5] e em alguns casos por pólen, sendo uma espécie com o tipo alimentar frugívoro e não especialista.[7]
Reprodução
[editar | editar código]Em relação a reprodução de M.macconnelli, a espécie forma haréns, constituído por um macho adulto e 3 fêmeas grávidas ou lactantes com seus filhotes. As fêmeas de M.macconnelli parecem ser sazonalmente poliéstricas[5], ou seja, apresentam múltiplos ciclos de estro mas apenas durante uma época específica do ano. Embora a espécie viva em pequenos grupos com 1-2 machos adultos e múltiplas fêmeas/filhotes, não há evidência publicada até o momento de que o sistema de acasalamento da espécie seja claramente poligâmico. Os membros da família Phyllostomidae possuem uma variedade de sistemas de acasalamento dependendo da estrutura social e hábitos. Os morcegos espectrais são os membros monogâmicos dessa família, sendo os demais comumente poligâmicos.[8][6][4]
As fêmeas lactantes da espécie M.macconnelli podem construir abrigos individuais onde permanecem com seus filhotes até que atinjam a maturidade, já em outros momentos as fêmeas trocam de abrigo a cada poucos dias. O cuidado parental é quase exclusivamente materno, e os filhotes altriciais dependem das fêmeas para a termorregulação, amamentação, transporte, fornecimento de alimentos e ensino.[7]
Conservação
[editar | editar código]Não há indícios de ameaças que representem risco de extinção em um futuro próximo. Assim, é improvável que a espécie esteja passando por um declínio populacional acelerado que justifique sua inclusão em alguma categoria de ameaça. Dessa forma, M. macconnelli foi classificada como Menos Preocupante (LC).[7][5]
Referências
- ↑ a b Simmons, N.B. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), eds. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. pp. 312–529. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
- ↑ a b Sampaio, E.; Lim, B.; Peters, S.; Rodriguez, B. (2008). Mesophylla macconnelli (em inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. 2014. Página visitada em 19 de fevereiro de 2015..
- ↑ Romero, V.; Boada, C. (2018). «Mamíferos do Equador. Versão 2018.0. Museu de Zoologia, Pontifícia Universidade Católica do Equador.». BIOWEB. Consultado em 22 nov. 2025
- ↑ a b c Bernard, E.; et al. (2023). Digital Object Identifier (DOI): https://doi.org/10.37002/salve.ficha.20478 «Mesophylla macconnelli» Verifique valor
|url=(ajuda). Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade - SALVE. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. Consultado em 22 nov. 2025 line feed character character in|website=at position 110 (ajuda) - ↑ a b c d e f g R.dos Reis, Nélio (2007). Morcegos do Brasil. Londrina: UNESP/UEL. p. 116
- ↑ a b c d e f g h H Kunz, Thomas; M. Pena, Idalia (1992). «Mesophylla macconnelli». The American Society of Mammalogists. Mammalian Species (405). Consultado em 22 nov. 2025
- ↑ a b c Bernard, E. (2023). Digital Object Identifier (DOI): https://doi.org/10.37002/salve.ficha.20478 «Mesophylla macconnelli» Verifique valor
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<ref> definido em <references> não tem um atributo de nome.- Espécies pouco preocupantes
- Filostomídeos
- Mamíferos da Bolívia
- Mamíferos do Brasil
- Mamíferos da Colômbia
- Mamíferos da Costa Rica
- Mamíferos do Equador
- Mamíferos de Guiana
- Mamíferos da Guiana Francesa
- Mamíferos da Nicarágua
- Mamíferos do Panamá
- Mamíferos do Peru
- Mamíferos do Suriname
- Mamíferos de Trindade e Tobago
- Mamíferos da Venezuela
- Mamíferos descritos em 1901
