Morte da Virgem (Caravaggio)

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Morte da Virgem
Morte della vergine ou Transito della Madonna
Autor Caravaggio
Data 1604-1606,[1] 1602[2][3]
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 369  × 245 
Localização Louvre, Paris

A Morte da Virgem é uma pintura a óleo realizada entre 1604[1] e 1606 (ou 1602)[2][3] pelo pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio. A obra está preservada no Museu do Louvre, em Paris.

História[editar | editar código-fonte]

A Morte da Virgem é o maior quadro de altar pintado por Caravaggio. A obra foi encomendada por Laerzio Alberti Cherubini, advogado do papa, para sua capela na igreja das Carmelitas de Santa Maria della Scala em Trastevere, Roma. Estima-se que a pintura foi concluída entre 1604 e 1606.[1][4] O clero, ao alegar tratar-se de uma obra imprópria e ofensiva para igreja católica, totalmente desprovida de santidade, recusou a pintura.[5]

Segundo sugerem algumas fontes, esta rejeição da obra deveu-se ao facto de Caravaggio ter retratado uma cortesã como modelo para a Virgem, enquanto outros alegam que se deveu ao fato de Caravaggio ter pintado a Madona inchada e com as pernas descobertas. Outros afirmam ainda que o pintor havia composto a Virgem, usando como modelo o cadáver inchado de uma mulher que morrera afogada. Não obstante, a maioria considera que o desagrado do clero com o quadro deveu-se, sobretudo, ao facto de o corpo da Virgem ter sido retratado com indecorosidade.[6][7][8] A Virgem Maria está morta e é retratada com simplicidade enquanto os apóstolos se entristecem com a cena. Maria Madalena chora com o rosto escondido entre as mãos, e tem-se a impressão de que os braços da virgem estão na posição perfeita para abraçar Maria.[5] Instalado o escândalo, após a rejeição da obra para a paróquia, esta foi substituída por outra pintura sobre o mesmo tema realizado por Carlo Saraceni. Por conseguinte, e por recomendação de Pedro Pablo Rubens, que considerou esta como uma das melhores obras de Caravaggio, a pintura foi adquirida pelo duque de Mântua que, posteriormente, teve que atender o pedido de vários pintores de Roma que desejavam conhecer e estudar a tela, antes de sua ida para Mântua, tamanha era a fama que a obra adquirira.[9]

Após pertencer à Família Gonzaga, a Morte da Virgem foi adquirida por Carlos I de Inglaterra, e depois de ser vendida em leilão, ficou na posse do banqueiro Everhard Jabach, e após a aquisição em 1671 foi trespassada a Luís XIV de França para a Coleção Real Francesa, que após a Revolução, tornou-se propriedade do estado.[6]

Referências

  1. a b c Parks, N. Randolph (julho de 1985). «On Caravaggio's 'Dormition of the Virgin' and Its Setting». The Burlington Magazine. 127 (988): 438-448. Consultado em 30 de agosto de 2014 
  2. a b Askew, Pamela (1990). Caravaggio's Death of the Virgin. Princeton New Jersey: Princeton University Press. ISBN 0691039836 
  3. a b Langdon, Helen (2000). Caravaggio: A Life. [S.l.]: Westview Press. ISBN 9780813337944 
  4. Alfandari, Agnes. «Death of the Virgin». Louvre. Consultado em 17 de dezembro de 2012 
  5. a b «Conheça a pintura Morte da Virgem, de Caravaggio». noticias.universia.com.br. 23 de maio de 2013. Consultado em 3 de dezembro de 2014 
  6. a b Friedlaender, Walter (1955). Caravaggio Studies 1974 ed. Princeton, New Jersey: Princeton University Press. pp. 195–197. ISBN 0691003084 
  7. Bellori, Giovanni Pietro (1672). Vite de'Pittori, Scultori et Architetti Moderni, Parte Prima. Rome: Mascardi. 213 páginas 
  8. Hibbard, Howard (1985). Caravaggio. Oxford: Westview Press. pp. 198–206. ISBN 9780064301282 
  9. Baglione, Giovanni (1642). Le Vite De' Pittori, Scultori Et Architetti (em italiano). Rome: Nella stamperia d'Andrea Fei. p. 138 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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