Mosteiro de Monfero

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Fachada da igreja do mosteiro

O Mosteiro de Monfero é um mosteiro medieval localizado nas Fragas do Eume, a noroeste da Galiza, do qual se conserva ainda em bom estado a igreja, enquanto as dependências monacais estão em estado ruinoso.

Situação Geográfica[editar | editar código-fonte]

O mosteiro encontra-se encravado num âmbito rural pertencente ao Município de Monfero, ao qual dá nome, na freguesia de São Fiz, lugar do convento.

Monfero é uma localidade da província da Corunha, com uma população de cerca de três mil habitantes e com uma superfície de 174 km2, um vasto território de média montanha.

História[editar | editar código-fonte]

A origem desde mosteiro remonta ao século X, no qual já existia uma ermida dedicada a São Marco. Este cenóbio favorecido pelo rei da Galiza Bermudo II, sofreu os ataques das invasões normandas, sendo posteriormente reconstruído em 1134, a iniciativa do rei Afonso VII em colaboração com alguns nobres cavaleiros como Alfonso Bermúdez e o conde Pedro Osório, quem fez doações e concedeu privilégios acolhendo-se eles mesmos à vida monacal.

A edificação da igreja de estilo românico constava de três naves, construída ao mesmo tempo em que o edifício do Mosteiro ao que chegaram os primeiros monges da ordem de S. Bento.

Uns anos mais tarde, em 1147 acolhem-se à reforma cistercense através do Mosteiro de Sobrado dos Monges, chegando a viver anos de esplendor e riqueza tanto em domínios como em cultura, tendo formado os seus abades umas das melhores bibliotecas da Galiza.

No final da Idade Média começou uma decadência em todos os centros religiosos galegos, provocada entre outras razões pelas rivalidades entre monges e colonos.

Os planos reformistas dos Reis Católicos, em 1506, fizeram que ao início da Idade Moderna ficasse agregado à Congregação de Castela, da que dependeu até a exclaustração em 1835.

Interior do Mosteiro

Descrição arquitetónica[editar | editar código-fonte]

A igreja é a que mais bem se conserva e salienta a fachada barroca, única na Galiza pelo xadrezado com silhares, alternando lousa com granito, quatro colunas e duas pilastras acabadas com capitéis coríntios que se elevam até a cornija superior.

A planta é de cruz latina, com uma grande cúpula na intersecção da cruz.

No interior salientam os sepulcros de D. Nuno Freire de Andrade e D. Aras Pardo no Altar maior, assim como os de D. Fernão Pérez de Andrade e D. Diego de Andrade, no lado sul do cruzeiro, todos eles nobres cavaleiros ligados a estas terras e mortos no século XV.

O edifício monacal, conta com três claustros, ao primeiro dos quais se acede pelo “claustro da hospedaria”, de estilo renascentista, conserva alguns restos do antigo cenóbio românico. O segundo, “claustro processional” de estilo também renascentista abobadado em toda a extensão. O terceiro, chamado “claustro dormitório”, de estilo barroco é o de maior extensão, desde ele pode-se apreciar a beleza da cúpula.

Festa musical galega no mosteiro

Referências Literárias[editar | editar código-fonte]

O escritor Otero Pedrayo definia-o assim: “O Mosteiro de Monfero alça a grandeza arquitetônica em paragem influída pelas serras de Moncoso e altos de Vilachá, entre os vales do Eume e do Lambre”.

Xosé María Álvarez Blázquez (dia das Letras Galegas em 2008), editou en 28 de Dezembro de 1953, “O Cancioneiro de Monfero”, obra que recolhe apenas oito das 29 cantigas que teria o Cancioneiro.

O autor explica que topou os manuscritos “entre uns velhos papéis destinados ao moinho”. Além do cancioneiro também há uma reprodução dum manuscrito do século XII, em que um antigo frade do mosteiro de Monfero, Frei Ramón Pazos, explica que foi capaz de recuperar “cantares em língua antiga” que se conservavam em “três folhas de pergaminho ”comidas de carcoma e a escritura a trechos muito subtil”.

A brincadeira de Monfero[editar | editar código-fonte]

Foram muitos os que acreditaram a existência real do cancioneiro, mesmo investigadores e peritos na lírica medieval galaico-portuguesa. Dias depois, o próprio Álvarez Blázquez reconhecia que ele era o autor das cantigas mas, de qualquer maneira, a obra consegue converter-se num referente muito importante do Neotrovadorismo da literatura galega.

Festejos do Mosteiro[editar | editar código-fonte]

Na actualidade, o mosteiro acolhe festejos de muita diversa índole, durante o verão.

Há uma concentração mototurística no mês de Junho, organizada pelos rapazes de Monfero, à qual os aficionados ao mundo do motor acodem.

À tradicional Romaria da Cela, celebrada o primeiro domingo do mês de Julho, milhares de fregueses ou romeiros acodem à missa para depois ficarem a almoçar perto do adro da igreja.

E finalmente, a Romaria Hispano-Lusa, que se celevra o segundo fim-de-semana do mês de Julho. Grupos de Portugal, da Espanha e da Galiza, actuam num festival onde se amostram os diferentes trajes e bailes regionais de cada zona.

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