Cornija

Cornija, em arquitetura, é um elemento arquitetônico horizontal e saliente que constitui o coroamento de uma parede, fachada, abertura ou composição arquitetônica. Na arquitetura clássica, designa especificamente a parte superior do entablamento, situada acima do friso e do arquitrave. O termo também é empregado de maneira mais ampla para elementos moldurados ou projetados que coroam outras partes de uma edificação, como portas, janelas e paredes.[1][2]
Na arquitetura clássica, a cornija é um dos três componentes principais do entablamento, juntamente com o arquitrave e o friso. Ela corresponde à parte superior e mais projetada desse conjunto, estabelecendo o coroamento da ordem arquitetônica. A composição da cornija varia conforme a ordem arquitetônica e o período, podendo apresentar diferentes molduras e elementos decorativos. Na tradição clássica, sua configuração está relacionada a um sistema de proporções, perfis e ornamentos que contribui para a expressão visual da ordem.[1][3]
Segundo John Summerson, a arquitetura clássica pode ser compreendida como uma linguagem arquitetônica dotada de regras próprias, cuja expressão se baseia, entre outros elementos, nas ordens e em suas relações entre colunas, entablamentos e demais componentes. Nesse sistema, a cornija não constitui simplesmente uma moldura aplicada à parte superior de uma construção, mas integra a estrutura formal pela qual a arquitetura clássica organiza suas proporções e elementos.[1] Do ponto de vista construtivo, a projeção da cornija pode contribuir para afastar da superfície da parede a água proveniente da cobertura. Essa função é particularmente evidente em cornijas exteriores que avançam além do plano da fachada, podendo incorporar dispositivos destinados ao gotejamento da água. Entretanto, a proteção contra as águas pluviais não constitui sua única função: a cornija também possui funções de coroamento, articulação visual e ornamentação da composição arquitetônica.[4]
O emprego do termo não se restringe às ordens clássicas. Por extensão, são denominadas cornijas diversas molduras ou projeções que coroam elementos arquitetônicos, podendo aparecer em fachadas, portas, janelas e interiores. Nesses casos, a cornija pode ter função predominantemente ornamental ou contribuir para a definição e proteção do elemento que coroa.[5]
Em edifícios de tradição clássica, a cornija pode ser composta por diversas molduras, cuja forma e disposição variam de acordo com a ordem e com o período histórico. Entre os elementos tradicionalmente associados à cornija encontram-se a coroa (*corona*) e o cimácio (*cymatium*), além de molduras inferiores que sustentam visualmente sua projeção. A terminologia e a composição desses elementos variam entre os diferentes tratados e tradições arquitetônicas.[1][6]
Referências
- 1 2 3 4 Summerson, John (2023). The Classical Language of Architecture 2 ed. [S.l.]: Thames & Hudson. ISBN 9780500778784
- ↑ «Cornices». Art & Architecture Thesaurus (em inglês). Getty Research Institute. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ Ching, Francis D. K. (2012). A Visual Dictionary of Architecture 2 ed. [S.l.]: Wiley. ISBN 9781118375461 Verifique
|isbn=(ajuda) - ↑ «Cornice». Encyclopædia Britannica (em inglês). 1911. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ «Cornices». Art & Architecture Thesaurus (em inglês). Getty Research Institute. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ «Cornice components». Art & Architecture Thesaurus (em inglês). Getty Research Institute. Consultado em 24 de agosto de 2026
