Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty

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Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty
Tipo museu
Geografia
País Brasil

Museu Histórico e Diplomático (MHD) é uma instituição museológica brasileira que tem como o objetivo, ou seja, está voltada para a preservação da história diplomática do Brasil. O Museu Histórico e Diplomático está situado no Palácio do Itamaraty, na cidade do Rio de Janeiro, que foi, anteriormente, residência do Conde de Itamaraty (Francisco José da Rocha Leão) até 1889, palácio presidencial até 1897 e sede do Ministério das Relações Exteriores até 1970.[1]

O prédio foi construído no século XIX e preserva até hoje sua arquitetura original, com salões amplos, móveis de época e peças decorativas características do século. O Palácio, atualmente, concentra também uma biblioteca e mapoteca histórica, com mais de 30 mil peças, entre cartas, mapas, atlas e globos. Além deles, é no palácio que se encontram: o Arquivo Histórico, com grande parte da documentação referente à chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808; o Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores; e, desde 1996, o Centro de História e Documentação Diplomática (CHDD), responsável pela publicação de periódicos como o "Cadernos do CHDD" e por manter a documentação de todos os diplomatas e ministros de relações exteriores do Brasil desde o período imperial.[2]

O Museu Histórico e Diplomático, por sua vez, foi fundado apenas em 1955 e funcionou em várias salas, até sua reorganização ocupar grande parte do Palácio. Hoje, o museu conta com Palmeiras Imperiais, um espelho d'água e cisnes. Por muitas vezes o museu esteve fechado, passando por diversas obras de restauração e conservação de seu interior[1].

Sua implementação, em 1955, ocorreu por meio do decreto n.º 38.312, de 15 de dezembro, quando o Senador Nereu Ramos, Vice-Presidente do Senado Federal, exercia a Presidência da República e José Carlos de Macedo Soares ocupava o cargo de Ministro das Relações Exteriores[3]. Sua função era a de "guarda e exposição pública de móveis, objetos, alfaias e documentos de valor histórico, artístico e diplomático existentes no Palácio Itamaraty, ou que venham a ser incorporados ao patrimônio daquele Ministério [das Relações Exteriores]"[4]. Sua inauguração, no entanto, ocorreu apenas no dia 28 de janeiro de 1957, com pouco mais de um ano após a publicação do decreto que o instituía. Sua inauguração foi utilizada como uma forma de celebrar o primeiro ano do Governo de Juscelino Kubitschek.

Em 1970, a sede do Ministério de Relações Exteriores é transferida do Rio de Janeiro para Brasília e, consequentemente, o museu é fechado. Sua reinauguração acontece somente em 13 de dezembro de 1982, após passar doze anos em reformas e reconstituição de seu acervo. EM 1986, fortes chuvas danificaram o palácio, que precisou mais uma vez ser fechado para restauração -- e reinaugurado em 1994 pelo presidente Itamar Franco[3].

O Museu, assim como o Palácio, foram instituídos com base em seu valor simbólico para a diplomacia brasileira. Desejavam instituir um monumento ao Barão do Rio Branco: “O Itamaraty foi a casa de Rio Branco e esse é o seu grande título de glória", nas palavras de Argeu Guimarães[5]. Aos poucos, as duas instituições passaram a simbolizar a história da diplomacia brasileira: "Daí o [sic] ter o Palácio Itamaraty se tornado com o correr dos anos verdadeiro ninho de tradições, uma escola de brasilidade e um acervo de preciosas relíquias a relembrarem fatos e personagens culminantes da vida nacional. É, assim, no bom sentido da expressão, o que pode ser denominado um Ministério-Museu"[6].

Dentre suas funções administrativas, o museu foi responsável por identificar e repatriar objetos históricos que estivessem em postos diplomáticos no exterior (como embaixadas e consulados) e que pudessem interessar à história brasileira. Além disso, buscou identificar peças do MHD que estivessem de posse de outras instituições e trazê-las de volta ao Itamaraty. Por muito tempo, a instituição museológica estudou a criação de dois prêmios culturais permanentes: um para a melhor monografia sobre o tema da história diplomática brasileira; outro para o melhor ensaio biográfico sobre uma personalidade da historia diplomática brasileira. Nenhum dos prêmios foi continuado devido ao fechamento das funções administrativas e consequente transferência da sede do Ministério das Relações Exteriores ao fim do governo Juscelino Kubitschek.[3]

Referências

  1. a b «MUSEU HISTÓRICO E DIPLOMÁTICO - PALÁCIO ITAMARATY - Guia Cultural Centro do Rio». Guia Cultural Centro do Rio. 16 de dezembro de 2015 
  2. Souza, Rodrigo de. «Centro de História e Documentação Diplomática». funag.gov.br. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  3. a b c FRAZÃO, Gustavo (2013). O Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty: História e revitalização. Rio de Janeiro: Fundação Alexandre Gusmão 
  4. «DECRETO Nº 38.312, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1955 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 23 de setembro de 2017 
  5. GUIMARÃES, Argeu (1938). Dicionário Biobibliográfico de Diplomacia, Política Externa e Direito Internacional. Rio de Janeiro: Publicação Própria 
  6. BARROSO, Gustavo (1968). «História do Palácio do Itamaraty» 

Ligação externa[editar | editar código-fonte]