Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty

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Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty
Tipo museu
Website oficial
Geografia
Coordenadas 22° 54' 10.512" S 43° 11' 16.620" O
Cidade Rio de Janeiro
País Brasil

Museu Histórico e Diplomático (MHD) é uma instituição museológica brasileira que tem como o objetivo a preservação da história diplomática do Brasil. O Museu Histórico e Diplomático está situado no Palácio do Itamaraty, na cidade do Rio de Janeiro. O palacete do Itamaraty foi construído por encomenda do Conde de Itamaraty (Francisco José da Rocha Leão), que faleceu antes da inauguração do prédio. Em 1889, foi vendido ao governo republicano e tornou-se a primeira sede da Presidência da República. Em 1898 foi cedido ao Ministério das Relações Exteriores, de que foi sede até 1970.[1]

O prédio neoclássico, inaugurado em 1854, preserva até hoje sua arquitetura original, com salões amplos, móveis de época e peças decorativas características do século. Em 1930, por iniciativa de Otávio Mangabeira, foi construído o prédio para abrigar a biblioteca, o arquivo e a mapoteca histórica. A mapoteca, com mais de 30 mil peças - entre cartas náuticas, mapas, atlas e globos - é a mais importante do gênero na América do Sul. O Arquivo Histórico tem origem nos documentos trazidos pela Secretaria dos Negócios Estrangeiros da Coroa Portuguesa, que se transferiu com D. João VI ao Brasil, em 1808. O acervo do arquivo é composto de documentos datados de 1575 até 1959.

No complexo do Palácio Itamaraty no Rio de Janeiro funciona, atualmente, o Escritório de Representação do Ministério das Relações Exteriores (ERERIO) e, desde 1996, o Centro de História e Documentação Diplomática (CHDD). Dentre outras atribuições, o CHDD publica estudos e periódicos, como o "Cadernos do CHDD" .[2]

O Museu Histórico e Diplomático foi instituído em 1955 (Decreto No. 38.312), por iniciativa de José Carlos de Macedo Soares, então Ministro das Relações Exteriores, quando o Senador Nereu Ramos, Vice-Presidente do Senado Federal, exercia a Presidência da República [3]. Sua função era a de "guarda e exposição pública de móveis, objetos, alfaias e documentos de valor histórico, artístico e diplomático existentes no Palácio Itamaraty, ou que venham a ser incorporados ao patrimônio daquele Ministério [das Relações Exteriores]"[4]. Sua inauguração, no entanto, ocorreu apenas no dia 28 de janeiro de 1957, com pouco mais de um ano após a publicação do decreto que o instituía. Sua inauguração foi utilizada como uma forma de celebrar o primeiro ano do Governo de Juscelino Kubitschek.

Em 1970, a sede do Ministério de Relações Exteriores foi transferida do Rio de Janeiro para Brasília e, consequentemente, o museu foi fechado. A reinauguração aconteceu somente em 13 de dezembro de 1982, após passar doze anos em reformas e reconstituição de seu acervo. EM 1986, fortes chuvas danificaram o palácio, que precisou mais uma vez ser fechado para restauração -- e reinaugurado em 1994 pelo presidente Itamar Franco[3].

O Museu, assim como o Palácio, foram instituídos com base em seu valor simbólico para a diplomacia brasileira. Desejavam instituir um monumento ao Barão do Rio Branco: “O Itamaraty foi a casa de Rio Branco e esse é o seu grande título de glória", nas palavras de Argeu Guimarães[5]. Aos poucos, as duas instituições passaram a simbolizar a história da diplomacia brasileira: "Daí o [sic] ter o Palácio Itamaraty se tornado com o correr dos anos verdadeiro ninho de tradições, uma escola de brasilidade e um acervo de preciosas relíquias a relembrarem fatos e personagens culminantes da vida nacional. É, assim, no bom sentido da expressão, o que pode ser denominado um Ministério-Museu"[6].

Dentre suas funções administrativas, o museu foi responsável por identificar e repatriar objetos históricos que estivessem em postos diplomáticos no exterior (como embaixadas e consulados) e que pudessem interessar à história brasileira. Além disso, buscou identificar peças do MHD que estivessem de posse de outras instituições e trazê-las de volta ao Itamaraty. Por muito tempo, a instituição museológica estudou a criação de dois prêmios culturais permanentes: um para a melhor monografia sobre o tema da história diplomática brasileira; outro para o melhor ensaio biográfico sobre uma personalidade da historia diplomática brasileira. Nenhum dos prêmios foi continuado devido ao fechamento das funções administrativas e consequente transferência da sede do Ministério das Relações Exteriores ao fim do governo Juscelino Kubitschek.[3]

Referências

  1. «MUSEU HISTÓRICO E DIPLOMÁTICO - PALÁCIO ITAMARATY - Guia Cultural Centro do Rio». Guia Cultural Centro do Rio. 16 de dezembro de 2015 
  2. Souza, Rodrigo de. «Centro de História e Documentação Diplomática». funag.gov.br. Consultado em 23 de setembro de 2017. 
  3. a b c FRAZÃO, Gustavo (2013). O Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty: História e revitalização. Rio de Janeiro: Fundação Alexandre Gusmão 
  4. «DECRETO Nº 38.312, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1955 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados». www2.camara.leg.br. Consultado em 23 de setembro de 2017. 
  5. GUIMARÃES, Argeu (1938). Dicionário Biobibliográfico de Diplomacia, Política Externa e Direito Internacional. Rio de Janeiro: Publicação Própria 
  6. BARROSO, Gustavo (1968). «História do Palácio do Itamaraty» 

Ligação externa[editar | editar código-fonte]