Narrativa digital

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A narrativa digital, também conhecida por digital storytelling, define-se como sendo uma ferramenta digital que apoia os alunos na criação de trabalhos escolares (estórias). Esta ferramenta é bastante poderosa, interativa e muitas vezes presente em formato atraente e emocionalmente envolvente. Pode-se também definir como sendo um processo pelo qual diversas pessoas partilham a sua história de vida elaborada com criatividade.

Como diz Carvalho (2008): “A construção e produção de narrativas digitais constituem-se num processo de produção textual que assume o carácter contemporâneo dos recursos audiovisuais e tecnológicos capazes de modernizar 'o contar histórias', tornando-se uma ferramenta pedagógica eficiente e motivadora ao aluno, ao mesmo tempo em que agrega à prática docente o viés da inserção da realidade tão cobrada em práticas educativas.”

Segundo Paiva(2007): “com o advento das tecnologias computadorizadas novos formatos de produção de texto emergem nas práticas sociais da linguagem, dentre elas a narrativa multimodal e multimédia.”

Na conceção de Vasconcelos e Magalhães (2010):“as tecnologias permitiram que a narrativa incorporasse outros meios no entanto elas mantêm o mesmo propósito, ou seja, na sua fundamentação os elementos básicos não se alteraram (enredo, narrador, personagem, tempo e espaço) mesmo com algumas mudanças consoantes a média utilizada.”

Pontos chave[editar | editar código-fonte]

De acordo com Bernard R. Robin (2008), uma narrativa digital é constituída por sete elementos básicos:

  1. Ponto de vista – é o tópico principal e a opinião do autor em relação à narrativa;
  2. A questão dramática – é o problema inicial que cativa o público até que no fim seja resolvido;
  3. Conteúdo emocional – é a parte da estória que relaciona o autor ao público;
  4. O poder da voz – é a voz do narrador. Dá vida á história e ajuda o público a compreender a mesma;
  5. Fundo musical – é o elemento que embeleza e dá suporte à narrativa digital;
  6. Economia – é a utilização de pouca informação por cada slide para não cansar o público;
  7. Pacing (ritmo, entoação) – é o ritmo da história e a forma como esta contínua (rapidamente ou lentamente).

Elementos constituintes[editar | editar código-fonte]

Uma narrativa digital é constituída por duas ordens de elementos que se articulam de maneira harmoniosa e complementar:

  1. um conjunto de imagens fixas (fotos, grafismos) – banda visual
  2. um conjunto de sons (palavras, música, ruídos, silêncio) – banda sonora.

Tipo de documento[editar | editar código-fonte]

  • Documental, quando se pretende apresentar testemunhos do que foi visto, ouvido e sentido. É o caso das estórias de vida.
  • Sensibilização, quando se pretende despertar a sensibilidade do receptor, provocando participação e envolvimento.
  • Evocativo, quando se procura criar um clima de encanto à volta de um determinado tema.
  • Didático, quando se pretende veicular, com exactidão e clareza, um conjunto de conceitos e informações. É muito usado no ensino e na formação profissional.

Organização dos elementos sonoros[editar | editar código-fonte]

  • A música
  • O comentário (palavra dita)
  • Efeitos (ruídos e silêncios)

Organização dos elementos sonoros[editar | editar código-fonte]

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O comentário[editar | editar código-fonte]

  • Suscitar a interrogação, deixando ao espectador uma margem de interpretação;
  • Completar a informação das imagens;
  • Sugerir a interpretação de uma imagem, propondo-lhe uma nova significação;

Observações[editar | editar código-fonte]

  • Só deve ser utilizado na medida em que for necessário, ou seja, num documento didático que desempenha um papel fundamental num documento de sensibilização ou evocativo deve ser breve e discreto.
  • Deve dar-se atenção à acentuação, clareza e ritmo.
  • Do comentário fazem parte a notícia, a entrevista, a reportagem e o testemunho.

Deve evitar-se[editar | editar código-fonte]

  • As frases feitas e os lugares comuns;
  • A repetição de palavras e o pleonasmo;
  • As frases complicadas e longas;
  • O tom sentencioso e magistral;
  • As segundas intenções e os subentendidos;
  • A descrição servil da imagem;
  • As palavras de difícil dicção e compreensão.

Música[editar | editar código-fonte]

  • Quando limitada a um simples elemento de fundo, insípido e linear esquece a sua função estética e emocional;
  • A música pode ser entendida como um segundo comentário, paralelo às imagens, que permite completar e aprofundar o seu conteúdo e reforçar e ampliar a sua significação;
  • Quando mal selecionada pode imprimir um tom de mediocridade ao documento.

Deve evitar-se[editar | editar código-fonte]

  • Uma grande variedade de temas musicais, tipo manta de retalhos;
  • O uso de temas de filmes ou genéricos de programas de televisão ou rádio;
  • Música clássica muito conhecida e vulgarizada, pois pode provocar dispersão;
  • Transições bruscas, salvo se essa for a intenção;
  • O corte brusco do elemento musical na introdução e conclusão do documento.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Berger, A. A. (1997). Narratives in popular culture, media and everyday life., California: Sage Publications.
  • Mendes, T. et al (2007). Narrativas Digitais: textos e contextos para a sua utilização em educação. In P. Dias & C. V. Freitas (orgs.). Actas da Conferência Challenges 2005, pp. 771-776.
  • Ferreira, Paulo T. (1979). Diaporama – Desafio à criatividade. Lisboa: Platáno Editora.
  • Paiva, V. (2007). Narrativas Multimídia de Aprendizagem de Língua Inglesa: Um Gênero Emergente. Anais do 4º Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais,Tubarão: UNISUL.
  • Robin, Bernard R. (2008). Digital Storytelling: A Powerful Technology Tool for the 21st Century Classroom. Theory Into Practice, 47(3), pp. 220-228
  • Vasconcelos, D. C. e Magalhães, H.(2010). As Narrativas Multimediáticas das Charges Animadas. Cultura Mediática: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba. Ano III, n°1.