Oiran

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ambox grammar.svg
Esta página ou secção precisa de correção ortográfico-gramatical.
Pode conter incorreções textuais, podendo ainda necessitar de melhoria em termos de vocabulário ou coesão, para atingir um nível de qualidade superior conforme o livro de estilo da Wikipédia. Se tem conhecimentos linguísticos, sinta-se à vontade para ajudar.
Oiran (花魁).
Oiran se preparando para um cliente, ukiyo-e pintura de Suzuki Haronubu (1765).

Oiran (花魁?) eram as cortesãs da alta classe no Japão. A palavra “Oiran” consiste de dois kanjis, 花 significando "flor", e 魁 significando "líder" ou "primeiro." Aspectos culturais da tradição Oiran continuam sendo preservadas até hoje. As oirans surgiram no período Edo, 1600 - 1868. Neste tempo, as leis foram criadas restringindo bordéis e distritos murados a alguma distância do centro das cidades. Shimabara em Quioto, Shimmachi em Osaka, e em Edo (atualmente Tóquio), Yoshiwara. Esses rapidamente cresceram e tornaram-se nos próprios "Quartéis do Prazer”, oferecendo todas as maneiras de entretenimento. No estatuto das cortesãs não havia qualquer outra distinção senão a estrita hierarquia, de acordo com a beleza, caráter e habilidades artísticas.

Entre as oirans, as tayū (太夫 ou 大夫?) eram consideradas as prostitutas de status mais alto, e eram consideradas adequadas para o daimyo. Só os mais ricos e de status mais alto podiam patrociná-las.

Para entreter os seus clientes, a oiran praticava artes de dança, música, poesia e caligrafia, e um juízo educado era considerado essencial à conversação sofisticada.

Do isolamento, dentro dos distritos fechados, resultou que as oirans ficassem altamente ritualizadas de vários modos, e cada vez mais fora das mudanças sociais. A etiqueta estrita comandava os padrões apropriados de comportamento. O seu discurso e modo de falar permaneceu formal, e não a língua comum. Um visitante casual não seria aceite. Os seus clientes formulavam um convite formal, e a oiran passava pelas ruas em procissão ritualizada com um acompanhamento de empregados.

Os trajes usados foram ficando cada vez mais ornados e complexos, culminando num estilo com oito ou mais alfinetes e pentes no cabelo, e muitas camadas de artigos de vestuário altamente ornamentados, na tradição das oiran do primeiro período Edo. Da mesma forma, os entretimentos oferecidos, que também eram herdados das primeiras oirans, das gerações anteriores.

Enfim, a cultura tayu tornou-se cada vez mais exclusiva e afastada da vida diária, e os seus clientes diminuíram.

A ascensão da gueixa terminou a era da oiran. A gueixa praticava os entretenimento comuns preferidos pelo povo daquela época, e era muito mais acessível ao visitante casual.

A última oiran registrada foi em 1761, e as poucas mulheres restantes que ainda atualmente praticam as artes de oiran (sem o aspecto sexual) fazem-no para uma preservação da herança cultural, e não como uma profissão ou estilo de vida.

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Entre as Oiran havia um nível hierárquico para cada cortesã. A herança familiar não dava suporte a qualquer distinção especial entre elas, nem tão pouco a experiência, mas sim ia de acordo com a sua beleza, caráter, educação nas artes e cultura.

O posto mais alto para uma Oiran era 'Tayū'(太夫 o 大夫), a cortesã dos daimyō, e apenas os mais poderosos podiam esperar uma oportunidade para ser considerado um cliente regular. E ao contrário de uma prostituta comum, o Tayu tinha prestígio suficiente para recusar clientes. Devido ao seu status elevado também fez com que sua taxa fosse extremamente alta, era muito além do salário mensal de um trabalhador,era comparável ao salario anual de um assistente de loja.

E em seguida vinham as 'Sancha' e as 'Umechas' para os samurais e burgueses endinheirados, respectivamente. Mais abaixo estavam as 'Zashikimochi'(literalmente,"dona do piso") e as 'Heyamochi'(dona do Quarto).

Finalmente no nível mais baixo estavam as 'Yuujo'(遊女) e depois as Oiran que foram expulsas, as 'Hashi'.

Uma aprendiz de Oiran se chamava 'Kamuro'. Essas meninas com cerca de 10 anos, eram vendidas por seus pais em troca de uma grande quantidade de dinheiro, e que elas deveriam devolver ao dono do bordel trabalhando como Yuujo. Algumas delas eram filhas das próprias Oiran. As Oiran assinavam um contrato e até o seu vencimento, permaneciam confinadas ao bairro. No Japão existia o tráfico de mulheres; os traficantes de escravas percorriam zonas rurais para vender as meninas como prostitutas, uma atividade que foi proibida em 1959, data em que se declarou ilegal a pratica.

O resto das mulheres adultas (Banto shinzo) as acompanhava trabalhando como managers. Normalmente eram mulheres que já haviam saído dessa profissão ou não eram atraentes o suficiente para exercê-la.

Serviços e atividades[editar | editar código-fonte]

As Oiran eram cortesãs de alta classe que desde pequenas eram vendidas por seus pais a  bordéis e treinadas para sua profissão com um treinamento muito rigoroso e severo em que nem todas serviam.

Um Oiran não era apenas uma simples prostituta instruída na arte do prazer sexual, também faziam um serviço de entretenimento que incluía as artes da dança, música, caligrafia, poesia e conversação. Elas deveriam também possuir um nível intelectual que se considerava essencial para uma conversa sofisticada. Pode ser surpreendente, mas, em geral, os clientes queria passar mais tempo com os entretenimentos artísticos em vez de sexuais.

Mas não tem que esquecer que seu maior serviço era principalmente o sexual, para o qual as instruíam na sedução, no prazer sensual, preliminares e a relação sexual. Diz-se que desde que eram compradas, as treinavam para ter uma grande agilidade e destreza para adotar todos os tipos de posições sexuais.

Além disso, as Oiran eram conhecidas por sua extraordinária beleza totalmente fora do comum, pois só aceitavam as meninas mais bonitas, e ao crescer se sua beleza deteriorava ou não florescia como esperado, as despachavam e se tornavam uma simples prostituta vulgar, uma Hashi.

Diferenças entre uma Oiran e uma Geisha[editar | editar código-fonte]

Obi para frente (Oiran)

Devido à similaridade na vestimenta, penteado e maquiagem das Oiran e das gueixas, e o fato de que ambas as profissões requeriam uma forma sofisticada de ser, com a Segunda Guerra Mundial, as Oiran, particularmente no onsen, querendo tirar proveito do prestígio das gueixa, se promoviam de tal forma ante os turistas (estrangeiros).

No entanto, existem diferenças claras entre uma Oiran e uma Geisha, não só na aparência, mas também nos serviços. Embora ambos cultivavam a arte da dança, música, caligrafia e conversação entre outras artes, não se deve esquecer que as Oiran eram prostitutas de luxo e seus servições eram sexuais, enquanto as geishas realizavam serviços puramente de entretenimento.

Obi para trás (Gueixa)

Durante o período Edo, a prostituição era legalizada e as prostitutas, como as Oiran estavam autorizadas pelo governo. Em contrapartida, as gueixas eram estritamente proibidas se prostituirem, e estavam oficialmente proibidas de terem relações sexuais com seus clientes, elas deveriam ser solteiras, e caso decidisse casar deveria se retirar da profissão.

Fisicamente se distinguia uma Oiran de uma Geisha por diferentes detalhes em suas indumentarias: a forma mais fácil era através do seu obi ("laço"), as oiran atavam seu obi para frente, enquanto as gueixas para trás; Os kimonos das oiran eram sempre de cores chamativas do que os das gueixas; As getas (calçados) das oiran eram muito mais altos dos que aqueles usados pelas gueixas; E por ultimo, as oiran usavam penteados mais complexos e adornados do que as gueixas. Alem disso as oiran não usavam tabi (meia tradicional japonesa) ou meias.

Parada da cortesã[editar | editar código-fonte]

A Bunsui Sakura Matsuri Oiran Dōchū é um evento gratuito mantido em Tsubame e Niigata.

O Dōchū é uma forma encurtada de oiran-dōchū e ao mesmo tempo o nome da passeata que as cortesãs superiores fazem em volta do quarteirão, ou a parada que elas fazem para escoltar os seus hóspedes. Estas paradas tem 3 oirans em plena regalias - Shinano, Sakura e Bunsui - entre o florescer das cerejeiras em Abril com aproximadamente 70 empregados de acompanhamento.

Cada oiran com sandálias altas de plataforma de 15 cm dando um nome alternativo a parada, a Parada de Sonho de Echigo (Echigo no yume-dōchū ).

O evento é extremamente popular através do país, e mais de 100 pessoas por todos os lados do Japão solicitam 3 oirans e fazem papéis de empregado da parada.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • No universo de Pirilampo criado de Joss Whedon, a fusão de culturas asiáticas e Ocidentais leva à criação da casta 'de Companheiro', que carrega uma semelhança forte tanto à oiran como à hetaera.
  • Na minissérie de televisão Shogun, John Blackthorne (Anjin-san) é presenteado com uma oiran, como recompensa de seu serviço fiel ao Lord Toranaga.
  • A personagem de videogame Setsuka de Soul Calibur III é uma mistura de oiran e Rainha de Copas.
  • Uma oiran foi representada no filme "Sakuran (2007)," estrelando Anna Tsuchiya.
  • No manga/Anime Samurai X (Rurouni Kenshin), uma ex-oiran chamada Yumi era amante do principal antagonista, Shishio.
  • Também, no manga e anime Pacificador Kurogane, se não trabalhando como um shinobi de Choshu, Akesato é uma oiran de primeira qualidade no distrito Shimabara.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]