Ophidiaster ophidianus

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Ophidiaster ophidianus, Murcia.jpg
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Echinodermata
Classe: Asteroidea
Ordem: Valvatida
Família: Ophidiasteridae
Género: Ophidiaster
Espécie: Ophidiaster ophidianus
Nome binomial
Ophidiaster ophidianus
(Lamarck, 1816)
Sinónimos
  • Ophidiaster canariensis (Greeff, 1872)
  • Ophidiaster aurantius (Gray, 1840)
  • Asterias ophidiana (Lamarck, 1816)

Ophidiaster ophidianus (cujo nome comum em inglês é snake star e em espanhol estrela do mar purpurea) é um Echinodermata da família Ophidiasteridae[1] que apresenta uma grande variação no número de braços e de cor (vai de vermelho alaranjado a vermelho vivo), e pode apresentar manchas de cor castanha.[2][3] O disco central é pequeno, coberto de placas irregulares,[4] e os braços longos mais justos na junção ao disco central, com um arredondamento no final. Cada braço tem filas de papillae respiratórias ao longo destes.[5] Pode alcançar os 40 cm de diâmetro.[5]

Distribuição e Ecologia[editar | editar código-fonte]

Encontra-se em águas temperadas, com uma distribuição desde o Mediterrâneo ao Golfo da Guiné, com presença na Macaronésia e St Helena, sendo os Açores o máximo da sua distribuição a Nordeste. Normalmente encontra-se em fundos rochosos subtidais entre as profundidades 0 e 105m[3] e é a espécie mais abundante de estrelas do mar nos Açores.[2] No Mediterrâneo podem-se encontrar em pradarias marinhas de Posidonia e zonas rochosas com algas.[6]

É uma espécie com dieta variável. Alimenta-se de biofilme nas rochas, crustáceos e detritos, entre outros. Esta estrela do mar é dioica, não apresenta dimorfismo sexual e tem um sex-ratio entre machos e fêmeas igual, algo consistente com outras espécies de equinodermes presentes no Atlântico. A maturidade sexual, no entanto, não aparenta estar relacionada com o tamanho.[7]

A sua reprodução pode ser assexuada ou sexuada. No último caso, apresenta um padrão reprodutivo longo, com presença de gâmetas durante todo o ano, mas com um pico reprodutor em Outubro. É uma espécie de desenvolvimento indireto com uma larva lecitrotófica, caracterizada por um pequeno período de desenvolvimento (entre dias e semanas).[7]

É predada por Charonia lampas e, como mecanismo de defesa, é capaz de autotomizar um braço para se escapar do predador.[8] Este braço consegue regenerar-se.

Apresenta também relações de comensalismo com os caprelídeos Phtisica marina e Caprella stella,[9] esta última que raspa a superfície do hospedeiro para se alimentar.[9][10]

Talvez devido à sua alimentação parcialmente detrítivora, O. Ophidianus apresenta grande concentração de Ciguatoxinas comparado com muitas outras espécies de equinodermes.[11]

Conservação[editar | editar código-fonte]

A população de Ophidiaster ophidianus encontra-se protegida no Mediterrâneo pela Diretiva Habitats (Apêndice II) no CITES do Mar Mediterrâneo e é considerada uma espécie vulnerável em Espanha sob o Catálogo Nacional de Especies Amenazadas[12]

Referências

  1. Mah, C. & Hansson, H. (2008) Ophidiaster ophidianus. World Asteroidea database. World Register of Marine Species. [1] Visitado a 29 de Novembro de 2017
  2. a b Marques, V. M. (1983) Peuplements Benthiques Des Açores I – Echinodermes, Arquivos do museu Bocage (Série A). Vol. II, nº 1, pgs 1-12 (PDF). www.arca.museus.ul.pt http://www.arca.museus.ul.pt/ArcaSite/obj/SA/AMB-SA-v2n1.pdf  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  3. a b Micael, J., Alves, M. J., Costa, A. C. (2012). Diversity of shallow-water asteroids (Echinodermata) in the Azorean Archipelago, Marine Biodiveristy Records, Vol. 5, e49, pgs 1-10. DOI: 10.1017/S1755267211000534
  4. Müller, Johannes; Troschel, Franz Hermann (1842). System der Asteriden. Braunschweig: Mit Zwölf Kupfertalfen. pp. 28–29. Consultado em 29 de janeiro de 2018 
  5. a b Bay-Nouailhat, Anne and Wilfried. «European Marine Life - Ophidiaster ophidianus - Purple Starfish - Echinoderm Biology». www.european-marine-life.org (em inglês). Consultado em 29 de janeiro de 2018 
  6. Gambi, M.C. & Morri, C. [2], Acessado em 15 de dezembro de 2017.
  7. a b Micael, J., Rodrigues, A., Barreto, C. Costa, A.C. (2011). Allocation of nutrients during the reproductive cycle of Ophidiaster ophidianus (Echinodermata: Asteroidea), Invertebrate reproduction and Development, pgs. 1-12. DOI:10.1080/00207233.2011.573673
  8. Morton, Brian (2012). «Foregut anatomy and predation by Charonia lampas (Gastropoda: Prosobranchia: Neotaenioglossa) attacking Ophidiaster ophidianus (Asteroidea: Ophidiasteridae) in the Açores, with a review of triton feeding behaviour». Journal of Natural History. 46 (41-42). doi:10.1080/00222933.2012.724721 
  9. a b Wirtz, Peter; Vader, Wim (1996). «A new caprellid-Starfish association: Caprella acanthifera S.L (Crustacea: Amphipoda) on Ophidiaster ophidianus and Hacelia attenuata from the Azores». Arquipélago. Life and Marine Sciences. 14A: 17-22. ISSN 0873-4704 
  10. Wirtz, Peter (1998). «Caprellid (Crustacea) - Holothurian (Echinodermata) Associations in the Azores» (PDF). Arquipelago. Life and Marine Sciences. 16A: 53-55. ISSN 0873-4704 
  11. Silva, Marisa; et al. (2015). «First report of Ciguatoxins in two starfish species: Ophidiaster ophidianus and Marthasterias glacialis». Toxins. 7: 3740-3757. doi:10.3390/toxins7093740 
  12. Micael, J., Alves, M. J. & Costa, A.C (2013). The population dynamics of Ophidiaster ophidianus (Echinodermata: Asteroidea) in the Azores, at the north-western periphery of its distribution, Journal of the Marine Biological Association, Vol. 93, 4, pgs. 1087-1095. doi:10.1017/S0025315412000914