Paul de Kock

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Charles Paul de Kock
Paul de Kock
Nascimento 21 de maio de 1794
Passy  França
Morte 29 de agosto de 1871 (77 anos)
Romainville  França
Nacionalidade Francesa
Ocupação teatrólogo e novelista
Caricatura por André Gill
publicada em La Lune em 1867.

Charles Paul de Kock(Passy,21 de maio de 1794 - Romainville 29 de agosto de 1871)foi um importante romancista francês do século XIX. Kock era aclamado pelo público, principalmente entre as camadas mais populares, porém, não fazia o mesmo sucesso entre os críticos da época que afirmavam que Paul de Kock escrevia imoralidades e seu único objetivo era o lucro. Kock era conhecido também como “Pintor da Paris do séc. XIX” por retratar a cidade de Paris como esta realmente era. 

Biografia[editar | editar código-fonte]

Charles Paul de Kock nasceu em 21 de maio de 1794 e morreu no dia 29 de agosto de 1871, aos setenta e sete anos. Nasceu na região de Passy, em Paris, em meio à Revolução Francesa. Seu pai foi um importante banqueiro holandês, de origem nobre, e morreu na guilhotina, no mesmo ano de seu nascimento. Sua mãe casou-se novamente, agora com um homem viciado em jogos, o qual, segundo consta em suas Memórias, levou-o a ter o seu primeiro contato com romances. Isso se deu ao fato de que seu padrasto saía para jogar, todas as tardes, no Palácio Real, e levava o menino para que sua mulher não desconfiasse. Chegando lá, Kock ficava no jardim, pois não podia entrar no salão de jogos. Foi numa dessas tardes que conheceu o romance Os três Gil Blas, de Lamartelière, que afirma ter sido uma de suas grandes inspirações, seguido por Os Barões de Felsheim, de Pigault-Lebrum. Segundo o ele, “Lamaetelière indicara-me o caminho, Pigaultabriu-mo”.[1]

Gostava também de Dom Quixote, Molière e Racine. Kock tinha acesso a livros, na maioria das vezes, através de empréstimos – hábito comum na época, principalmente àqueles que não tinham condições de comprá-los. Sua mãe, no entanto, resistia em mandá-lo à escola. Teve aulas particulares que foram interrompidas muitas vezes. No entanto, nunca deixou suas paixões de lado: a Literatura, o Teatro e a Música, dedicando-se a todas elas.

Trabalhou como bancário por 5 anos. Depois disso, deduz-se que teria vivido apenas de sua pena. Escreveu mais de cem romances durante toda a sua carreira como escritor e contribuiu para inúmeras obras de teatro, muitas delas encenadas inclusive no Brasil, e que tiveram sucesso considerável entre 1814 e 1815, na França. Quanto à música, Kock escreveu óperas de comédia em 1818 e seu principal sucesso nesse gênero foi Le Muletier, em 1823, com música de Mengal. Dentre seu círculo de amigos estavam os compositores Cherubini, Boieldieu, Kreutzer e Herold, além de escritores como Nodier e Dumas filho.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Kock começou a escrever romances muito cedo, aos 17 anos escreveu o seu primeiro livro, O filho de minha mulher (1812) , que foi negado por muitos livreiros sendo publicado posteriormente com o dinheiro do próprio autor, mas as vendas não foram muito animadoras. Após esse episódio, Kock escreveu Georgette (1821) sem muito sucesso, alcançando um número expressivo de vendas apenas com a publicação do livro Gustave, Le mauvais sujet em 1821.  Sua fama se dá principalmente pela publicação de suas obras em jornais nos chamados folhetins, espaços reservados nos jornais para a publicação diária ou semanária de capítulos de romances, o sucesso de seus folhetins foi o que garantiu a ele um lugar privilegiado entre os romancistas franceses e também o deu a imagem de um romancista popular, lido principalmente pelas classes econômicas mais baixas.  

 Enquanto Paul de Kock tinha como seu maior aliado o público, tinha contra ele a crítica literária do século XIX, que julgava suas obras como imorais (a moral era um critério de avaliação muito importante naquela época). Além dos críticos Kock também tinha contra ele a igreja católica que divulgava títulos que não poderiam ser lidos por seus fiéis e o nome das obras de Paul de Kock sempre estavam entre eles.

Paul de Kock no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, Kock teve um grande sucesso que pode ser percebido por meio de jornais da época que traziam muitos de seus folhetins, anúncios de venda e leilão de seus livros (em francês e em português). As traduções de seus livros eram feitas principalmente pela B. L. Garnier. Eram, na maioria das vezes, anunciados como muito “baratos” e frequentemente eram encontrados junto a anúncios de obras de Alexandre Dumas e Fenimore Cooper, escritores em ascensão na época. O primeiro romance a ser publicado em folhetim no Brasil foi de sua autoria “Edmundo e sua prima”, foi publicado no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, no dia 4 de janeiro de 1839.

Algumas obras[editar | editar código-fonte]

A tabela abaixo apresenta algumas das obras de Paul de Kock, sendo a de mais sucesso em língua francesa – considerando o número de edições- Jean e em português a obra Gustave Le mauvais sujet, traduzida para Gustavo, o Estroina. 

Título em língua original

Título traduzido para o Português

L'Enfant de ma femme (1812)

A filha da minha mulher

Gustave Le mauvais sujet (1821)

Gustavo, o Estroina

Georgette ou La Nièce Du tabellion (1821)

Georgeta, a sobrinha do Tabelião

Frère Jacques (1822)

Irmão Jacques

André le Savoyard (1826)

André, o saboyano

Le Barbier de Paris, 1827

O Barbeiro de Paris

La Laitière de Montfermeil (1827)

A Leiteira de Montfermeil

Jean, 1828

João

La Femme, lemari et l'amant (1829)

 

Le Cocu (1831)

O coitadinho

Um bon enfant (1833)

 

Le Barbier de Paris (1833)

O Barbeiro de Paris

La Pucelle de Belleville (1834)

A donzela de Belleville

Ni jamais,  ni toujour (1835)

 

Zizine(1836)

Zizina

La Maison blanche(1840)

 

La Jolie Fille du faubourg(1840)

 

L'Amant de La lune (1847)

O Amante da Lua

La bouquetiere du Chatean-d’Eau (1855)

 

La prairie aux coqueticots (1862)

O campo das papoulas

Les femmes, le jeu et le vin (1864)

As mulheres, o jogo e o vinho

Les nouve aux troubadours: Les enfants du boulevard (1864)

Os novos trovadores

Um petit-fils de Cartouche: Les enfants Du boulevard (1864)

O neto de cartouche

La Fille aux trois jupons(1867)

A menina das três saias

Le Professeur Ficheclaque(1867)

As duas irmãs

Les petits ruísseaux (1867)

Os pequenos regatos formam os grandes ribeiros

Madame Tapin(1868)

A Viúva Tapin

Papa beau-père (1869)

O papá- sogro

La petite Lise (1870)

A menina Lisa

Le petit bonhommedu coin (1871)

O rapaz misterioso da esquina

Les intrigant (1872)

Os intrujões

Friquette (1873)

Friquette

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Paul de Kock foi traduzido em mais de 15 línguas;
  • Kock era conhecido como o “romancista das cozinheiras” – devido a sua fama de escritor popular;
  • Um de seus romances, o Le cocu, foi adaptado para peça de teatro, porém, Kock foi obrigado a modificar o nome da peça para que ela pudesse ser representada.Em um prefácio feito pelo autor no próprio romance Kock diz que a peça Sganarelle ou le Cocu imaginaire de Molière havia sido interpretada a três anos nas ruas de Paris e não causou tanta polêmica quanto o título de seu livro, mas "Em suma, Paul de Kock não era Molière aos olhos da crítica"[2].
  • Juntamente com Eugène Sue, Alexandre Dumas e Balzac,  foi um dos maiores sucessos do romantismo a partir de folhetins;
  • É um dos poucos escritores que conseguiu viver da pena, ou seja, de sua escrita;
  • Kock tem uma rua em Paris com seu nome;
  • Apesar do aparente esquecimento, há uma loja na internet que vende artigos como chaveiros, camisetas, capas de celular com o nome de kock, frases e ilustrações de seus livros.

Referências

  1. de Kock, Paul. Memórias. [S.l.: s.n.] 
  2. PAES, Alessandra. Das imagens de si ao mundo das edições: Paul de Kock, romancista popular.p.58. Belém, 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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