Pietà de Villeneuve-lès-Avignon

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Pietà de Villeneuve-lès-Avignon. Óleo sobre madeira, 163cm x 219cm. Museu do Louvre.

A Pietà de Villeneuve-lès-Avignon é uma pintura a óleo de meados do Século XV, considerada uma das proeminentes obras de arte do final da Idade Média. Após a sua reaparição numa exposição em 1904, houve disputa sobre a autoria da obra, mas desde então tem sido geralmente aceite que o seu autor foi Enguerrand Quarton, estando presentemente exposta no Museu do Louvre.

História e descrição[editar | editar código-fonte]

A Pietà, em que Cristo morto jaz suportado pela sua mãe plangente, é um tema comum da arte religiosa tardo-medieval, sendo esta uma das representações mais marcantes, "talvez a maior obra de arte produzida na França no século XV" segundo Edward Lucie-Smith.[1] Distingue-se de anteriores representações do tema — que muitas vezes foram caracterizados por evidentes demonstrações de dor e mágoa — em virtude da sua contenção. A composição é estável, com as mãos da Virgem juntas em oração, ao invés de segurando o corpo de Cristo.[2] A forma curvada das costas do corpo de Cristo é bastante original, e a dignidade austera e imóvel das outras figuras é muito diferente das representações italianas ou flamengas da época. O estilo da pintura é único para o seu tempo: o agrupamento das figuras parece um pouco primitivo, no entanto a conceção evidencia tanto grandeza quanto delicadeza, sendo esta última qualidade especialmente evidente na especificidade dos retratos e no gesto elegante das mãos de S. João na cabeça de Cristo.[3]

A despojada paisagem de fundo é apenas quebrada pelos edifícios de Jerusalém, mas em vez de um céu há uma simples folha de ouro com halos, bordaduras e inscrições estampadas ou gravadas. O clérigo doador, retratado com realismo flamengo, ajoelha-se no lado esquerdo. Também pode ser sugerido que os edifícios retratados no fundo do lado esquerdo são uma representação imaginária de Istambul e da Igreja de Hagia Sophia. A cidade havia caído para os otomanos em 1453, alguns anos antes da data estimada da criação da pintura e o tema principal (Pietà) pode ser considerado como um lamento pela queda da parte oriental da Cristandade.

A pintura veio de Villeneuve-lès-Avignon, do outro lado do Ródano em frente a Avignon, e por vezes é conhecida como a Pietà de Villeneuve.

Antes da atribuição amplamente generalizada da autoria da obra a Quarton, alguns historiadores de arte pensavam que a pintura poderia ser de um mestre Catalão ou Português; foi, de acordo com o historiador de arte Lawrence Gowing, "o objecto de disputa entre os líderes de cada escola ao longo da costa entre Lisboa e Messina."[4] Conhecido por ter trabalhado em Avinhão em 1447, Quarton pintou aí dois quadros no início da década de 1450 que suportam a comparação com esta obra.[5]

Para Gowing:

A agonia da pintura é sofrida com uma rara contenção. Nenhuma expressão demonstrativa poderia atingir a tragédia deste corpo, distendido como se sonhando. Estamos na presença da simplicidade do sofrimento. Contra o horizonte despojado, no cinza-ouro do crepúsculo medieval, a cena parece inexprimivelmente grandiosa.
 
Lawrence Gowing[6].

Referências

  1. Lucie-Smith, Edward. A Concise History of French Painting, p. 26, Thames & Hudson, London, 1971.
  2. Denny, Don. Notes on the Avignon Pieta, Speculum, Medieval Academy of America, 1969, http://www.jstor.org/pss/2847602
  3. Gowing, Lawrence (1987). Paintings in the Louvre, Stewart, Tabori & Chang. Nova Iorque, ISBN 1-55670-007-5
  4. Gowing, Lawrence (1987). obra citada, p.72
  5. Gowing, Lawrence (1987). Obra citada
  6. Gowing, Lawrence (1987). Obra citada

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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