Quintino de Lacerda

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Quintino de Lacerda
Cidadania Brasil
Etnia afro-brasileiro

Quintino de Lacerda (Sergipe, 6 de junho de 1839 - Santos, 10 de agosto de 1898) foi um negro, ex-escravo que se tornou herói abolicionista, líder do maior quilombo fora de Palmares, primeiro vereador negro do Brasil e recebeu a patente de Major da Guarda Nacional, postumamente do então presidente Marechal Deodoro da Fonseca.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu escravo em 1839, na cidade serrana de Itabaiana, em Sergipe. Vendido como escravo para São Paulo, lá foi escravo de Antônio Lacerda Franco. Ganhou sua liberdade com a conquista de sua amizade de seu senhor, de quem herdou até o sobrenome, e adquiriu terras, formando o maior quilombo conhecido no Brasil, situado hoje onde se abriga o bairro do Jabaquara na cidade de Santos/SP.

Chefe do Quilombo do Jabaquara e primeiro líder político negro de Santos, foi o mais atuante fomentador da abolição no litoral Paulista, garantindo abrigo a escravos fugitivos de toda a região do planalto, que em Santos buscavam defesa.

O Quilombo do Jabaquara, na descrição de Silva Jardim, era verdadeiramente intransponível, defendido pelas encosta do morro do Jabaquara e com um único caminho de acesso permanentemente guardados por sentinelas de Quintino.

No ano de 1850 havia 3189 escravos em Santos, para uma população livre de 3956 habitantes.

Com a abolição, o líder abolicionista Quintino lança-se à luta política, incorporando, pela primeira vez, os negros ao processo político na cidade. Organiza e comanda um batalhão na defesa contra uma possível invasão de tropas rebeldes interessadas em depor o Marechal Floriano Peixoto. Recebe, em reconhecimento, o título de Major Honorário da Guarda Nacional, em 1893.[1]

Sua eleição para a Câmara municipal, em 1895, porém, faz eclodir uma grande crise política fomentada pelos setores racistas. Ela começa com a negação de sua posse como vereador. [1]

A batalha judicial que se segue chega aos tribunais paulistanos, e termina com a vitória de Quintino. Prevendo o desfecho em favor do líder negro, o presidente da Câmara, Manoel Maria Tourinho, renunciou ao mandato, seguido pelo vereador Alberto Veiga. O novo presidente, José André do Sacramento Macuco, foi obrigado a empossar Quintino. [1]

As atividades da Câmara foram suspensas até 1º de junho, quando voltou a funcionar, sob a presidência interina do próprio Quintino.

Quintino de Lacerda morreu em 10 de agosto de 1898, deixando três filhos menores. Seu enterro foi acompanhado por um grande número de pessoas, um testemunho do reconhecimento de sua importância histórica; seus restos mortais estão sepultados na Campa n.º 42, localizada no Jazigo da I.S.B. Irmandade São Benedito, no cemitério municipal do Paquetá, localizado na cidade de Santos/SP.[1].

Seu nome também foi lembrado em sua terra natal, onde denominaram uma artéria pública com seu nome no centro da cidade (Rua Quintino de Lacerda) e reconheceram-no pelo seu legislativo municipal, como Herói Negro de Itabaiana, considerando o 8 de junho como o Dia Municipal de Luta da Consciência Negra em sua homenagem gravada em 20 de setembro de 2001.[1]

Referências

  1. a b c d e f Quintino de Lacerda Afrodescendentes.