Reino de Auçã

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Reino de Auçã
século VIII a.C.século I 
AWoSM.jpg
Mapa mostrando a maior expansão de Auçã
Yemen 100 BC-pt.svg
Mapa do Iêmem em 100 a.C.
Região Arábia
Capital Hagar Iair
País atual Iêmen

Forma de governo Monarquia

História  
• século VIII a.C.  Fundação
• século I  Dissolução

Auçã[1] (Ausān) foi um reino do Iêmem, na Arábia, que existiu do século VIII ao VII a.C.. Nele se falava uma língua semítica própria, o auçânico.[2]

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

As primeiras escavações no sítio arqueológico foram feitas em meados da década de 90. Dados baseados cerâmica encontrada por M. Saad Ayoub em áreas não escavado, datam de um ressurgimento da cidade até o final do século II a.C., que durou até o início do I d.C. (que corresponde muito bem aos dados epigráficos que atestam que um único rei fora deificado da Arábia do Sul e que este era precisamente rei de Auçã desta época). [3]

As escavações mostraram que um perímetro de cerca de 160 000 m² em volta da cidade foram cercados por muros, e que as fundações das habitações foram construídas com tijolos queimados. [3]

A cultura dependia da irrigação anual das cheias na primavera e no verão, quando as repentinas cheias dos uádis inundavam temporariamente os campos, depositando uma camada de lodo que, embora mais tarde fosse corroída pelo vento, fertilizava o solo. A datação por radiocarbono dos sedimentos de irrigação nos arredores sugere que este processo de irrigação foi abandonado na primeira metade do século I na mesma época em que a população se dispersou. [4]

Hagar Iair[editar | editar código-fonte]

Sua capital era Hagar Iair; uma cidade perdida, que acredita-se ser a "colina" (tel) chamada localmente Hagar Asfal, localizada ao norte do Uádi Marca e ao sul de Uádi Baiã. Parece ter sido destruída no século VII a.C. por Caribil Uatar, rei (malique) de Sabá , de acordo com um texto sabeu falando de uma entidade estatal de grande importância. [5]

Hagar Iair era o centro de um aglomerado excepcionalmente importante no sul da Arábia, influenciado pela cultura helenística, com santuários e uma estrutura palaciana cercada por salas de adobe, com uma área destinada ao mercado e uma caravançarai para dromedários. [3]

Pelo menos um de seus reis estava sujeito a uma veneração quase divina. Uma estatueta com seu retrato o exibe vestido à moda grega, diferentemente de seus antecessores, segundo a moda árabe. Tudo acompanhado por inscrições em língua auçânica, mas escrito em catabanita. [4]

A estrutura urbana de Hagar Iair era condicente com as outras capitais dos pequenos reinos do sul da Arábia, localizadas na foz de uádis de certa importância: como o Uádi Jaufe do Reino Mineu, o Uádi Dana de Maribe de Sabá, o Uádi Baiã de Timna (Catabã) e Uádi Irma de Chabua (Hadramaute).[4]

Reis de Auçã[editar | editar código-fonte]

Lista incompleta dos reis

  • Ilxara I? (Ilxarah) (r. 125–110)[6]
  • [...]m Zaiamã (Zayhaman) (r. 110–90)[6]
  • Maadil I (Ma'ad'īl) (r. 90–75)[6][7]
  • Iasducil Faram I ibne Maadil I (Yaṣduq'īl Far'am ibn Ma'ad'īl) (r. 75–60)[6][7]
  • Maadil II Salã ibne Iasducil Faram I (Ma'ad'īl Salhan ibn Yaṣduq'īl Far'am) (r. 60–45)[6][8]
  • Iasducil Faram Xarate ibne Maadil Salã (Yaṣduq'īl Far'am Xarahat)[6][8]

Referências

  1. Paez 1945, p. 352.
  2. Lipiński 2001, p. 83.
  3. a b c Pirenne, Jacqueline (1961). «Notes d'archéologie sud-arabe.». Syria. Archéologie, Art et histoire. 38 (3): 284–310. doi:10.3406/syria.1961.5527 
  4. a b c Brunner, Ueli (1997). «Télédetection archéologique dans la Wadi Markha». Arabian Humanities. Revue internationale d’archéologie et de sciences sociales sur la péninsule Arabique (em francês) (4-5). ISSN 1248-0568. doi:10.4000/cy.108 
  5. Magee, Peter (2014). The Archaeology of Prehistoric Arabia:. Adaptation and Social Formation from the Neolithic to the Iron Age (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, p. 243. ISBN 978-0-521-86231-8 
  6. a b c d e f Kitchen 1994, p. 241.
  7. a b Temporini 1976, p. 523.
  8. a b Temporini 1976, p. 524.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lipiński, Edward (2001). Semitic Languages: Outline of a Comparative Grammar. Lovaina; Paris, Esterlingue (Virgínia): Peuters 
  • Kitchen, Kenneth Anderson (1994). Documentation for Ancient Arabia, Part I. Chronological Framework & Historical Sources. Liverpul: Imprensa da Universidade de Liverpul 
  • Paez, Pedro (1945). História da Etiópia Vol. 2. Lisboa: Livraria Civilização 
  • Temporini, Hildegard; Haase, Wolfgang (1976). «Geschichte und Kultur Roms im Spiegel der Neuren Forschung Vol. II». Aufstieg Und Niedrgang Der Romischen Welt. Berlim e Nova Iorque: Walter de Gruyter