Síndrome de morte súbita infantil

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Síndrome de morte súbita infantil
Sinónimos Síndrome de morte súbita do lactente
Especialidade Pediatria
Sintomas Morte de bebé com menos de um ano de idade[1]
Início habitual Súbito[1]
Causas Desconhecidas[1]
Fatores de risco Dormir de lado ou de cabeça para baixo, sobreaquecimento, exposição ao fumo do tabaco, partilhar a cama[2][3]
Método de diagnóstico Por exclusão de outras causas após investigação e autópsia[4]
Condições semelhantes Infeções, doenças genéticas, doenças cardíacas, abuso infantil[2]
Prevenção Deitar os bebés de costas, chupeta, amamentação, vacinação[5][6][7]
Tratamento Apoio familiar[2]
Frequência 1 em 1000–10 000[2]
Classificação e recursos externos
CID-10 R95
CID-9 798
OMIM 272120
DiseasesDB 12633
MedlinePlus 001566
eMedicine emerg/407
MeSH D013398
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A síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) ou síndrome da morte súbita infantil (SMSI), conhecida internacionalmente pela sigla SIDS (sudden infant death syndrom) é o óbito inesperado de crianças com menos de um ano de vida.[1] O diagnóstico exige que a morte permaneça inexplicada mesmo após uma minuciosa autópsia e uma investigação detalhada sobre a causa.[4] A SMSL normalmente ocorre durante o sono,[2] e geralmente entre a 00:00 e as 09:00 horas.[8] Normalmente não há nenhuma evidência de esforço nem qualquer sinal de ruíno.[9]

Desconhece-se a causa exacta para a síndrome de morte súbita infantil.[3] A causa tem sido substancialmente desmistificada por enormes avanços na nossa compreensão acerca da sua relação com o sono e homeostasia, meio ambiente e factores de risco genéticos, e uma série de anormalidades bioquímicas e moleculares.[2][3] Estes factores de perturbação ambiental podem estar relacionados com o dormir sobre o estômago ou de lado, e com o sobreaquecimento e a exposição ao fumo do tabaco.[3] A asfixia acidental, tal como durante a simples partilha da cama, mesmo com objectos de peluche, poderá também ser um factor importante.[2][10] Outra condição de risco poderá estar relacionada com os nascimentos antes das 39 semanas de gestação.[7] A SMSL constitui cerca de 80% das mortes infantis súbitas e inesperadas, juntamente com outras causas como infecções, anomalias genéticas e problemas de coração. Enquanto que o abuso infantil sob a forma de asfixia propositada possa ser subdiagnosticado como SMSL, acredita-se que estes constituam menos de 5% dos casos.[2]

O método mais eficaz de prevenir a SMSL é posicionar as crianças com menos de um ano de idade de barriga para cima durante o sono.[7] Outras precauções podem consistir em colocar a criança em colchões firmes separados dos encarregados, num berço e não numa cama livre, num ambiente relativamente frio, com uma chupeta, e evitar a exposição ao fumo do tabaco.[5] A amamentação e imunização podem também diminuir o risco de morte.[5][6] Os dispositivos de posicionamento e monitores de bebés são precauções que não têm demonstrado grande utilidade.[5][6] Não existem evidências suficientes que comprovem que o uso de ventiladores sejam benéficos.[5] É importante o apoio às famílias em luto afectadas pela SMSL, tendo em vista que a morte do recém-nascido é súbita, sem testemunhas, e muitas vezes estes estão associados à investigação.[2]

A taxa de SMSL pode variar em quase dez vezes em países desenvolvidos, de um em cada mil para um em cada dez mil.[2] A nível mundial, a síndrome de morte súbita infantil provocou cerca de 15 000 mortes em 2013, número inferior às 22 000 mortes de 1990.[11] A SMSL foi a terceira causa de morte em crianças com menos de um ano de idade nos Estados Unidos em 2011.[12] É a causa mais comum de morte entre o primeiro mês e um ano de idade.[7] Cerca de 90% dos casos ocorrem antes dos seis meses, sendo mais frequente entre os dois e quatro meses de idade.[2][7] É mais comum em meninos do que em meninas.[7]

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Tipicamente, o bebê é encontrado falecido em seu berço, sem aparentar nenhum sinal de sofrimento ou agonização.[13] Ainda não é possível precisar qual é exato momento do óbito e se ele ocorre na fase do sono ou no período de transição entre sono e a vigília.[14]

A SMSL é um diagnóstico de exclusão, aplicado a bebês que tenham morrido subitamente e inesperadamente, quando o motivo permanece inexplicável, mesmo após as adequadas investigações postmortem, que incluem:

  1. autópsia;
  2. investigação da cena e das circunstâncias da morte;
  3. investigação do histórico de doenças do bebê e da família;

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Tabaco[editar | editar código-fonte]

SMSL é mais comum em bebês cujas mães fumaram durante a gravidez.[15] Bebes expostos à nicotina (fumante passivo) tem maior predisposicao para SMSL. [16]

Como[editar | editar código-fonte]

O óbito ocorre após a súbita interrupção na respiração do bebê, normalmente enquanto dorme. Presume-se que a causa desta interrupção seja uma espécie de "hibernação profunda" do bebê, provocada por sua ainda não concluída formação neurológica, cardiorrespiratória e até seu não desenvolvido controle térmico corporal;

Incidência[editar | editar código-fonte]

Estatisticamente, há maior incidência quando:

  • Sexo: masculino;
  • Idade: de dois a quatro meses de vida;

Agravantes[editar | editar código-fonte]

  • qualquer compressão das vias aéreas;
  • inalação excessiva do gás carbônico, maior incidente ao deitar de barriga para baixo;
  • compressão da face contra o travesseiro (hipertermia);
  • nascimento prematuro (imaturidade dos mecanismos cardiorrespiratórios e controle térmico);
  • bebês excessivamente agasalhados em ambientes muito aquecidos;
  • exposição do bebê à fumaça de cigarro, mesmo durante a gravidez;

Porem, a síndrome pode surgir em bebês que não apresentam nenhuma destas características.

Cuidados[editar | editar código-fonte]

Algumas medidas simples reduzem a ocorrência da 'síndrome da morte súbita do lactente (SMSL)', como:

  • colocar o bebê para dormir de barriga para cima;
  • não agasalhar excessivamente o bebê;
  • manter a temperatura ambiente em 22 graus Celsius;
  • não utilizar colchões e travesseiros excessivamente macios;
  • não compartilhar o mesmo leito do bebê;
  • monitorar a respiração do bebê com sensores vestíveis, próprios para a SMSL / SIDS;

Dados[editar | editar código-fonte]

  • apenas nos Estados Unidos, estima-se que a 'sudden infant death syndrom (SMSI)' seja responsável por cerca de uma morte a cada 2.000 nascimentos (0,05%);
  • 85% dos casos ocorrem com crianças que dormem de barriga para baixo ou que compartilham o leito;
  • a simples ação de colocar o bebê para dormir de barriga para cima reduz o número de óbitos em mais de 50%;
  • deitar em pronação, ou seja de barriga para baixo, em colchões e travesseiros macios aumenta em 20 vezes o risco da síndrome da morte súbita infantil;

Referências

  1. a b c d «Sudden Infant Death Syndrome (SIDS): Overview». National Institute of Child Health and Human Development. 27 de Junho de 2013. Consultado em 9 de Março de 2015 
  2. a b c d e f g h i j k Kinney HC, Thach BT (2009). «The sudden infant death syndrome». N. Engl. J. Med. 361 (8): 795–805. PMC 3268262Acessível livremente. PMID 19692691. doi:10.1056/NEJMra0803836 
  3. a b c d «What causes SIDS?». National Institute of Child Health and Human Development. 12 de Abril de 2013. Consultado em 9 de Março de 2015 
  4. a b «Centers for Disease Control and Prevention, Sudden Infant Death». Consultado em 13 de março de 2013 
  5. a b c d e Moon RY, Fu L (julho de 2012). «Sudden infant death syndrome: an update.». Pediatrics in review / American Academy of Pediatrics. 33 (7): 314–20. PMID 22753789. doi:10.1542/pir.33-7-314 
  6. a b c «How can I reduce the risk of SIDS?». National Institute of Child Health and Human Development. 22 Agosto de 2014. Consultado em 9 de Março de 2015. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2015 
  7. a b c d e f «How many infants die from SIDS or are at risk for SIDS?». National Institute of Child Health and Human Development. 19 de novembro de 2013. Consultado em 9 de março de 2015 
  8. Optiz, Enid Gilbert-Barness, Diane E. Spicer, Thora S. Steffensen ; foreword by John M. (2013). Handbook of pediatric autopsy pathology Second edition. ed. New York, NY: Springer New York. p. 654. ISBN 9781461467113 
  9. Scheimberg, edited by Marta C. Cohen, Irene (2014). The Pediatric and perinatal autopsy manual. [S.l.: s.n.] p. 319. ISBN 9781107646070 
  10. «Ways To Reduce the Risk of SIDS and Other Sleep-Related Causes of Infant Death». NICHD. 20 de Janeiro de 2016. Consultado em 2 de março de 2016 
  11. GBD 2013 Mortality and Causes of Death, Collaborators (17 de dezembro de 2014). «Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013.». Lancet. 385: 117–71. PMC 4340604Acessível livremente. PMID 25530442. doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2 
  12. Hoyert DL, Xu JQ (2012). «Deaths: Preliminary data for 2011» (PDF). National Center for Health Statistics. National vital statistics reports. 61 (6). 8 páginas 
  13. (em inglês) Página sobre SMSI no Canadá
  14. «Síndrome da morte súbita infantil». Site Drauzio Varella. Consultado em 19 de janeiro de 2016 
  15. Sullivan; Barlow (abril de 2001). «Review of risk factors for Sudden Infant Death Syndrome». Paediatric and Perinatal Epidemiology (em inglês) (2): 144–200. ISSN 0269-5022. doi:10.1046/j.1365-3016.2001.00330.x. Consultado em 6 de abril de 2021 
  16. Bajanowski, T.; Brinkmann, B.; Mitchell, E. A.; Vennemann, M. M.; Leukel, H. W.; Larsch, K.-P.; Beike, J.; the GeSID Group (janeiro de 2008). «Nicotine and cotinine in infants dying from sudden infant death syndrome». International Journal of Legal Medicine (em inglês) (1): 23–28. ISSN 0937-9827. doi:10.1007/s00414-007-0155-9. Consultado em 6 de abril de 2021 
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