Salsa

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Salsa
A dança salsa
Origens estilísticas Nova Iorque  Estados Unidos
Contexto cultural década de 1940, entre os imigrantes cubanos nas periferias de Nova Iorque
Instrumentos típicos piano, conga, trompete, trombone, baixo, claves, Sino de Vaca, timbales, guitarra, bongos, saxofone, bateria
Popularidade Muito popular na América Latina e medianamente popular nos Estados Unidos
Subgêneros
Salsa gorda - Salsa romântica - Timba
Formas regionais
Colombia - Republica Dominicana - Cuba - México - Panamá - Porto Rico - Venezuela - Brasil- Estados Unidos

Salsa é uma mescla de ritmos tais como o son montuno, o mambo, cha-cha-chá e a rumba cubana. A Salsa surgiu depois que a banda La Sonora Matancera saiu de Cuba, durante a revolução cubana e se instalou no México, porém a Salsa foi criada na década de 40 em Havana (Cuba); foram eles que criaram o nome Salsa. Recebeu ainda influências do merengue (da República Dominicana), do Calipso de Trinidad e Tobago, da cumbia colombiana, do rock norte-americano e do reggae jamaicano. Hoje, é uma mistura de sons e absorve influências de ritmos mais modernos como rap ou techno. A dança é caracterizada pelo compasso quaternário.

Salsa, em castelhano, significa "tempero" e a adoção do nome transmite a ideia de uma música com "sabor". O movimento que originou este novo estilo de música latino-americana começou em Nova Iorque, quando um grupo de jovens músicos começou a mesclar sons e ritmos visando a criar uma sonoridade que tivesse um "sabor" latino-americano.

A salsa debutou no Hotel Saint-George no Brooklyn (Nova Iorque), onde o grupo Lebron Brothers, de origem porto-riquenha, entusiasmou o público no início dos anos 1970. Daí, se espalhou entre as comunidades latino-americanas nos EUA e Porto Rico, depois em Cuba, Venezuela, Colômbia e outros países de língua espanhola. Nomes como Tito Puente, Celia Cruz, Johny Pacheco, Hector Lavoe e Willie Colón (La Fania) se tornaram expoentes do gênero.

Nos anos 1980, a salsa foi invadida pelo merengue da República Dominicana e também pela música disco. Neste momento, surgiu uma nova geração de músicos como Frankie Ruiz, Eddie Santiago e Luis Henrique, que começaram a mudar o panorama da música latina criando a chamada "salsa erótica" - para muitos, uma traição do próprio caráter da salsa, machista, forte, ligada às ruas. No entanto, esta salsa erótica ou sensual trouxe nova atenção ao gênero.

Na década de 1980, a salsa se espalhou pelo México, Argentina, Europa e chegou ao Japão, onde surgiu a Orquestra de La Luz, banda onde todos os integrantes são japoneses. Enquanto isto, o ritmo do merengue se tornava mais e mais popular em países como Porto Rico e era o ritmo que embalava as discotecas de música latina.

Um país no qual se produziu, nos últimos anos, uma expansão da salsa com maior vigor é a Colômbia, destacando-se Joe Arroyo, o grupo Niche e a orquestra Guayacán. Entre os híbridos mais recentes da salsa, destacam-se os chamados "mereng-house", a "salsa merengue" e "salsa gorda".

Em 2000, surgiu a primeira companhia especializada em salsa no Brasil, a Conexión Caribe Companhia de Danças, que, em 2001, criou o Encontro Nacional de Salsa, evento anual que, a partir de 2003, se transformou no Congresso Mundial de Salsa do Brasil, um dos maiores eventos do gênero no mundo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes: Música cubana em Nova Iorque[editar | editar código-fonte]

A salsa tem suas origens na cidade de Nova Iorque da década de 1970, tendo posteriormente se espalhado pela América Latina e por todo o mundo ocidental.[1] Contudo, tal musicalidade já era popular na metrópole norte-americana décadas antes de sua explosão comercial. A cidade de Nova Iorque já havia sido berço da dança de estilo cubano na década de 1940, quando das inovações marcantes de Machito na era do mambo. Tito Puente trabalhou durante certo tempo com os Afro-Cubanos antes de iniciar sua própria banda. No início dos anos 1950, já haviam bandas (ou big bands) muito populares de mambo na cidade, entre as quais: Machito & His Afro-Cubans, Tito Puente e Tito Rodríguez. O epicentro de tal movimento cultural cada vez mais notório era o salão de dança "Palladium Ballroom", que atraía algumas estrelas de Hollywood e da Broadway em aulas livres de dança. O mambo e seu "templo", o Palladium, constituíam um fenômeno étnico e cultural.

Nos anos seguintes, a cultura norte-americana abarcou também o chá-chá-chá. A dança originária das bandas cubanas de charanga, foi adotada com sucesso pelas classes populares de Nova Iorque. No início da década de 1960, a cidade contava com várias bandas de charanga, lideradas por futuros ícones da salsa, como Johnny Pacheco, Charlie Palmieri e Ray Barretto. Mongo Santamaría também foi um dos expoentes do estilo durante este período. A pachanga, por sua vez, foi popularizada pela Orquestra Sublime e outros grupos cubanos populares na cidade. A pachanga é a mais recente dança de origem caribenha a alcançar tal sucesso na comunidade latina estadunidense. O Embargo a Cuba em 1962 acabou por impactar não somente as relações políticas e econômicas, como também o fluxo cultural entre as duas nações.

Após a Revolução de 1952, o primeiro gênero musical cubano a ser observado nos Estados Unidos, ainda que por pouco tempo, foi o mozambique. A dança, nem a música relacionadas ao gênero vingaram fora de Cuba. Apesar de disto, alguns integrantes do Conjunta la Perfecta, de Eddie Palmieri, prestaram atenção ao movimento e foram inspirados a criar um ritmo semelhante. Apesar dos dois ritmos não se assemelharem em muitos aspectos, a banda recebeu severas críticas por conta da impopularidade da cultura cubana à época.

Antes da origem da salsa, houve ainda um outro sub-gênero latino em Nova Iorque, o chamado "Boogaloo". Em meados de 1960, uma híbrida identidade cultural porto-riquenha emergiu na cidade, influenciada por várias culturas latino-americanas assim como pelo contato com a cultura afro-americana.[2] O "boogaloo" era uma autêntica música porto-riquenha, uma mescla bilíngue de R&B e ritmos caribenhos. Duas composições deste período alcançaram enorme sucesso comercial em 1963: "Watermelon Man", performada por Mongo Santamaría, e "El Watusi" que, de certa forma, estabeleceu as características do gênero. O termo "boogaloo" foi cunhado provavelmente em 1966 por Richie Ray e Bobby Cruz. O maior sucesso do gênero na década de 1960 foi "Bang Bang", gravada por Joe Cuba Sextet, que alcançaria sucesso sem precedentes para a música latina nos Estados Unidos ao vender mais de um milhão de cópias. "El Pito" foi outro grande sucesso emplacado pelo grupo. Outros sucessos da época são "Boogaloo Blues", de Johnny Colón; "I Like It Like That", de Pete Rodríguez; "At The Party", de Hector Rivera, entre outros.

Em 1966, no mesmo ano em que Joe Cuba emplacou seu sucesso pop, o Palladium foi fechado por não poder mais comercializar bebida alcoólica.[3][4] O mambo foi deixado para trás, cedendo espaço para uma nova geração com seu estilo de boogaloo, o "jala-jala" ou "shing-a-ling". Alguns da primeira geração, vocalistas já estabelecidos, aproveitaram a onda e gravaram muitos boogaloos, como Tito Puente, Eddie Palmieri e, inclusive, Machito e Arsenio Rodríguez.[5] Porém, o empreendimento não vingou. No fim da década de 1960, a música latina não albergou os músicos de boogaloo, fazendo com que alguns facilmente transitassem para a fase da salsa.

Anos 70: o início[editar | editar código-fonte]

Em 1971, os Fania All-Stars lotaram o Yankee Stadium.[6] No início da década de 1970, o cenário de efervescência musical mudou-se para Manhattan e a boate Cheetah, dirigida por Ralph Mercado, introduziu muitas das futuras estrelas da salsa ao público latino da cidade. Em 1975, Roger Dawson, percussionista e arranjador local, criou o programa "Sunday Salsa Show" na rádio WRBR FM. O programa tornou-se um dos maiores em audiência na cidade de Nova Iorque, com público de mais de 200 mil ouvintes por episódio. Ironicamente, apesar da população hispânica de Nova Iorque ultrapassar facilmente os 2 milhões, não havia uma emissora de rádio de sucesso voltada para este público especificamente. Dada sua ampla experiência como percussionista de jazz e conga, Dawson também criou o semanal "Salsa Meets Jazz" com concertos no Village Gate, clube onde músicos de jazz performariam com bandas de salsa. Dawson foi um dos responsáveis pela caracterização da salsa americana ao apresentá-la a um público específico e introduzir novos artistas do gênero, como o bilíngue Ángel Canales, que não recebiam oportunidade de divulgar seu trabalho nas rádios hispânicas locais. A atração recebeu diversos prêmios das revistas Latin New York e Salsa Magazine, entre outros meios publicitários.

De Nova Iorque, a salsa rapidamente ganhou o público internacional, expandindo-se para Porto Rico, República Dominicana, Colômbia, México, Venezuela e outros países latino-americanos. O número de grupos e bandas de salsa, tanto em Nova Iorque como no restante da América, duplicou, acompanhado pelo surgimento de diversas rádios e gravadoras exclusivas do gênero.

Os anos 70 viram a salsa receber diversas inovações musicais. Willie Colón, por exemplo, introduziu o cuatro, instrumento típico de Porto Rico, assim como adaptações de canções de jazz e rock. Além disso, nos primeiros anos, os expoentes da salsa buscaram referência no cenário musical de países vizinhos, como o Panamá e o Brasil.[7]

Celia Cruz, que já vinha de um estrondoso sucesso em Cuba, transitou para a salsa nas décadas seguintes nos Estados Unidos, tornando-se uma das maiores intérpretes do gênero a ponto de ser chamado "Rainha da Salsa".

Anos 80: consagração[editar | editar código-fonte]

Salsa atual (1990 - atualidade)[editar | editar código-fonte]

O reavivamento comercial da salsa na década de 1990 deve-se, em parte, ao produtor e pianista Sergio George. George implementou uma mistura de salsa com gêneros musicais contemporâneos, como o Pop e a música romântica. A nova geração de salsa viu a ascensão de artistas como Tito Nieves, La India e Marc Anthony. George também produziu álbuns da banda de salsa japonesa Orquestra de la Luz. Brenda K. Starr, Son By Four, Víctor Manuelle, e a cubano-americana Gloria Estefan gozaram de sucesso comercial alcançado no mercado anglo-americano por hits de influência latina, mas cantados em língua inglesa.


Referências

  1. Manuel, Popular Music of the Non-Western World, p. 46
  2. Steward 2000, p. 489
  3. Steward, Sue 1999. Salsa: the musical heartbeat of Latin America. Thames & Hudson, London. p. 60
  4. «The Palladium Ballroom». 
  5. Boggs 1991 p. 247
  6. Steward 2000, pp. 488–489
  7. Leymarie 2003, pp. 272–273, Leymarie cites the 1972 double Christmas album Asalto navideño
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